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China ocupa mais espaço na pauta do comércio externo nordestino

Em pouco mais de cinco anos da década passada, a China passou da condição de desconhecido para a de quarto maior parceiro comercial dos nordestinos. Inicialmente, como comprador de produtos brasileiros. Agora, também como fornecedor por conta da apreciação do real e do crescimento da demanda doméstica brasileira. Em 2007, a China já respondia por 7% do comércio externo da Região.

Grandes produtores de bens intermediários, setor em que a demanda chinesa avançou bastante nos últimos anos, Bahia e Maranhão concentraram a maior proporção das vendas para a China, 96% do total. Do lado das compras, Bahia, Ceará, Paraíba e Pernambuco juntos responderam por 93% do montante das transações em 2007.

A relação comercial entre a China e os estados do Nordeste é examinada em profundidade pelos professores Carlos Américo Leite e Maria Cristina Pereira de Melo, ambos doutores em Economia pela Universidade de Paris e professores da Universidade Federal do Ceará (UFC), e Alexandre Weber Aragão Veloso, mestre em economia pela UFC.

Movimentos cíclicos

Segundo eles, no período 2002/07, as vendas nordestinas para a China registraram movimentos cíclicos de desconcentração e reconcentração, enquanto as compras executaram idênticos movimentos, porém no sentido inverso. Nesse contexto, diz ele, deduz-se que as trocas da Região com o país asiático não seguem uma trajetória definida.

A pauta exportadora do Nordeste para a China compreende fundamentalmente setores tradicionais da Região. Sete capítulos foram responsáveis por 93% do conjunto exportado para aquele país em 2007, sendo que mais de 50% representados pelos capítulos "minérios, escórias e cinzas" e "cobre e suas obras".

Na outra mão, a de importações, o Nordeste tem comprado da China produtos cada vez mais diversificados, conservando, contudo, grande concentração em alguns deles. É o caso da categoria de produtos abrangidos pelos capítulos 84 da NMC (reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes) e 85 ( máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes).

Destaques estaduais

No trabalho, eles traçam o perfil de cada Estado com relação aos negócios com a China, tomando como base o período 2002/2007.

Alagoas, por exemplo, comprou à China, em 2007, 8% do total importado e não exportou nada. Em 2004 e 2005, todavia, conseguiu colocar naquele mercado dois produtos: pedras de cantaria e cloreto de etileno.

Já a Bahia se apresenta como principal parceiro dos chineses, tanto na condição de comprador como de fornecedor de produtos, nos últimos seis anos, chegando a ocupar a quarta posição no último ano, com cerca de 8% das compras. A Bahia vende para a China sobretudo grãos e frutos oleaginosos, produtos químicos orgânicos, pastas de madeira, algodão e cobre. Já as compras se concentram em dois capítulos: 84 – Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes e 85 – Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes..

Ceará – A balança cearense com a China é deficitária, pois ao longo dos últimos seis anos do período analisado as importações cresceram mais que as exportações, ainda que estas tenham avançado bastante em termos de participação no total das vendas externas do Estado. Nesses seis anos, a pauta exportadora ficou mais especializada e as importações mais diversificadas.

Cinco capítulos respondiam por 92% das vendas em 2007: 8 – Frutas, cascas de cítricos e de melões, 15 – Gorduras e óleos animais ou vegetais, produtos da sua dissociação, gorduras alimentares elaboradas e ceras de origem animal ou vegetal, 21 – Preparações alimentícias diversas, 39 – Plásticos e suas obras 41 – Peles, exceto a peleteria (peles com pêlo), e couros. Já as importações mostraram-se mais diversificadas do que as exportações para a China. Em 2007, considerando o peso na pauta de importação, onze grupos de produtos participaram com 91% das compras do estado fechadas com chineses.

Maranhão – Segundo dados de 2007, a China já se transformou no segundo maior parceiro comercial do Estado, com participação de 15% do total das vendas. Elas se concentram basicamente em duas áreas: grãos e minérios. No caso das importações, o Estado comprou, em 2007, fundamentalmente, produtos pertinentes a quatro capítulos: 28 – Produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos, 31 – Adubos ou fertilizantes, 84 – Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes e 85 – Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes, que juntos somaram quase 100% do valor total das compras.

Paraíba – O Estado é um grande importador daí o saldo da balança comercial ter sido crescentemente negativo em cinco anos do total observado. As compras são mais diversificadas que as vendas. A Paraíba exporta basicamente produtos abrangidos em, dois capítulos: sal, enxofre, terras e pedras, gesso, cal e cimento; e tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados; artigos para usos técnicos de matérias têxteis. Na parte de importação, os capítulos mais representativos foram o 60 – tecidos de malha e fibras sintéticas ou artificiais descontínuas; e o 64 – calçados, polainas e artefatos semelhantes, e suas partes. Juntos, esses capítulos totalizaram pouco mais de 50% do conjunto comprado pelo estado aos chineses naquele ano.

Pernambuco - No período considerado, o comércio com a China apresentou instabilidade nos fluxos de vendas. Em 2007, o estado participou com menos de 1% das exportações da Região para aquele país. Enquanto isso, as suas compras alcançaram 13% do total adquirido pela Região. A concentração setorial, tanto das vendas para a China como das compras, tem apresentado comportamento oscilante ao longo período analisado, ambos com resultado desconcentrador, se comparadas as duas pontas do período.

Quatro capítulos responderam por 90% da pauta exportadora pernambucana para a China em 2007: 41 – Peles, exceto a peleteria (peles com pêlo) e couros; 40 – Borracha e suas obras; 25 – Sal, enxofre, terras e pedras, gesso, cal e cimento e 85 – Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes. O conjunto dos principais capítulos da pauta importadora são os seguntes os mais representativos: 40 – Borracha e suas obras (mais de 50% do valor total comprado do exterior), 85 – Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes (35%), 28 – Produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos (30%) e 87 – Veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios (30%).

Piauí - O comércio bilateral entre o Piauí e a China assinalou déficits na balança comercial nos seis anos analisados, com o maior valor negativo verificado em 2007. Esses déficits deveram-se, principalmente, ao expressivo crescimento das compras feitas àquele país.

As exportações destinadas à China mostraram inflexão para a desconcentração a partir de 2005. Já as importações, apesar das oscilações anuais, demonstraram trajetória de desconcentração nos últimos três anos da série.

A pauta exportadora do Piauí revelou que 94% das vendas direcionadas para a China estavam concentradas em dois capítulos: 12 – Sementes e frutos oleaginosos; grãos, sementes e frutos diversos; plantas industriais ou medicinais; palha e forragem e 15 – Gorduras e óleos animais ou vegetais, produtos da sua dissociação, gorduras alimentares elaboradas e ceras de origem animal ou vegetal.

As importações do Piauí originadas da China foram bem mais diversificadas que as exportações. Nove capítulos responderam por 91% das compras do estado no país asiático em 2007.

Rio Grande do Norte – A situação foi de déficit, particularmente nos dois últimos anos.As compras apresentaram grande diversificação entre 2002/07. Já as vendas permaneceram bastante concentradas, apesar do recuo observado nesse mesmo período.

Em 2007, as exportações assinalaram grande concentração em três capítulos: 8 – frutas, cascas de cítricos e de melões, 25 – Sal, enxofre, terras e pedras, gesso, cal e cimento e 28 – Produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos. Juntos, esses capítulos concentraram, nesse ano, 90% das vendas para a China, sendo que o capítulo 28, sozinho, movimentou mais de 60% do total das exportações para aquele país.

As importações do estado assinalaram maior diversificação do que as exportações. Nesse caso, nove capítulos responderam por mais de 90% das compras de produtos chineses em 2007. Em 2002, apenas seis capítulos concentravam 95% das compras efetuadas na China.

Sergipe - O comércio do estado com a China tem se caracterizado por movimentos cíclicos das importações ao longo dos seis últimos anos. Nos quatro anos da série em que o Sergipe vendeu para a China, um único produto foi responsável pelo total exportado, pertinente ao capítulo 64 – Calçados, polainas e artefatos semelhantes, e suas partes. Nas importações, registrou-se um movimento de desconcentração da pauta, com retração de quase 40% no período 2003/07.

Conforme os pesquisadores, a Paraíba se destaca como o maior importador regional de produtos chineses e a Bahia como o maior exportador. Eles chamam a atenção no estudo sobre algumas particularidades desse comércio. Por 'exemplo, a compra de calçados sintéticos e componentes por parte do Ceará sem que isso tenha implicado a substituição da produção local, mas em sua especialização. Na Paraíba, as importações parecem ter levado o Estado a substituir a produção local de determinados itens e se especializado em outros. Para os autores do trabalho, o Estado vem se especializando em calçados manufaturados a partir de matéria sintética de baixo valor unitário, e importando da China calçados para esporte feito de matéria têxtil de maior preço unitário. Tanto que, em 2007, foram insignificantes as vendas externas de calçados de couro, produto tradicional da pauta estadual.

A Bahia, por sua vez, ampliou as exportações de produtos do setor de calçados, exceto os de origem sintética. Mas, considerando a significativa elevação das importações chinesas desse segmento, os pesquisadores acham que esse movimento pode revelar uma substituição da produção local pelos importados da China.

Segundo lugar em 2010

Em 2010, as exportações nordestinas atingiram US$ 15,9 bilhões, em 2010, expansão de 36,6% sobre os valores do ano anterior. Apenas quatro produtos responderam por quase um terço das vendas externas regionais: combustíveis (7,9% do valor total), pasta química para madeira (7,8%), açúcar em bruto (7,1%) e grãos de soja (6,9%).

Segundo o BNB-Etene, os Estados Unidos continuam como principal destino das exportações nordestinas, com 15,3%, seguidos da China (11,3%). Em seguida, aparecem Argentina (9,6%) e Holanda (6,2%).

Na outra ponta do comércio internacional, as importações regionais alcançaram US$ 17,5 bilhões, incremento de 62% no ano, com destaque para quatro itens: óleo diesel, responsável por 14,2% do total, nafta para petroquímica (5,6%), sulfetos de minério de cobre (5,4%) e automóveis (4,7%).

Os Estados Unidos também representaram a principal origem das compras externas nordestinas, em 2010, com 16,7% do total, seguidos de Argentina (10,9%), China (9,8%) e Chile (5,6%).

Vale salientar que a presença da China cresce tanto no Brasil quanto na América Latina. Na verdade, o mercado chinês tem sido crucial para o dinamismo do comércio externo brasileiro, tornando-se o principal parceiro comercial do país, em 2009. Este ano, a China continua como grande consumidora de matérias primas brasileiras, valendo salientar que a balança comercial somente permanece superavitária em decorrência das exportações de commodities, principalmente para o mercado chinês.

A importância do gigante asiático extrapola o Brasil e alcança toda a América Latina e Caribe, cujas exportações experimentaram alta no ano passado em função, justamente, das compras chinesas. De acordo com relatório da CEPAL, a China respondeu por 7,6% do total das exportações desses países, em 2009, devendo alcançar 19,3%, em 2020. A alta demanda chinesa por produtos básicos foi considerada crucial para a recuperação dos países da América Latina e Caribe durante a crise econômica global.

Quanto às importações, o estudo avalia que a China superará Estados Unidos e União Européia na próxima década em função das crescentes compras de produtos chineses por países latino-americanos e caribenhos. Hoje, 27% das importações do Paraguai, 11% do Chile e da Argentina e 10% do Brasil, México e Colômbia são provenientes do gigante asiático.

 

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