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Abacaxi tem potencial para se expandir mais no Nordeste

Com uma safra de 2,4 milhões de toneladas colhidas, em 2008, que transforma o Brasil no produtor mundial da fruta, o abacaxi tem grande importância socioeconômica no Nordeste e requer tecnologias cada vez mais avançadas para satisfazer às demandas impostas pelo mercado.

Fortaleza (Boletim ETENE) - O Nordeste dispõe de excelentes condições edafoclimáticas para a produção de abacaxi e de tecnologias específicas que podem facilitar o manejo da cultura e seu posicionamento no mercado. A perspectiva é de que o consumo do abacaxi aumente nos próximos anos a partir de fatores como a melhoria da renda, a estabilização da economia, a preocupação com a saúde e a segurança alimentar. Outro aspecto de estímulo à abacaxicultura diz respeito à possibilidade de uso do caule da planta para de obtenção de etanol, cujo potencial seria maior que o da cana e mandioca.

No Nordeste, a atividade envolve grande contingente de mão de obra, especialmente nos tabuleiros da Paraíba e da Bahia, gerando ocupação e renda a milhares de famílias. Vale salientar que os custos de produção do abacaxi na região situam-se em patamares abaixo dos registrados, por exemplo, em São Paulo, e nela há portos como Pecém (CE), considerado o mais equipado do Brasil para exportação de frutas.

O Brasil é o maior produtor mundial de abacaxi, mas exporta muito pouco em função de privilegiar o mercado interno e enfrentar barreiras fitossanitárias de Estados Unidos e União Europeia, além do problema da apreciação do real. Em 2008, o valor bruto da produção do abacaxi totalizou R$ 1,03 bilhão, dos quais R$ 447,1 milhões referem-se à participação do Nordeste.

pesquisa, tecnologia e consumo

A partir da análise setorial sobre a cultura do abacaxi no Nordeste (disponível em: www.bnb.gov.br/etene/publicacoes/consulta) pesquisadores do BNB-Etene apresentam sugestões aos interessados na cadeia produtiva da fruta, aí incluídos o setor produtivo, governos e agências de fomento. Algumas delas, que podem ser conferidas no endereço mencionado, inclui apoio a pesquisas voltadas para o aproveitamento dos restos da cultura do abacaxi, a exemplo do caule visando à produção de etanol; geração de tecnologias para ampliar tempo de vida útil pós-colheita, facilitando sua colocação em mercados mais distantes dos campos de produção; e desenvolvimento de ações para expandir o consumo interno da fruta, tanto de produtos in natura como industrializados.

Para o pesquisador do Etene Jackson Dantas Coêlho, essas recomendações ajudariam a superar alguns fatores que ainda afetam a abacaxicultura dentro e fora do Nordeste. Dentre os principais, ele lista o desconhecimento no exterior sobre a variedade pérola, a mais produzida entre os pequenos produtores da região; o manuseio inadequado do fruto na colheita e pós-colheita; a falta de política nacional de defesa fitossanitária; a escassez de mudas de boa qualidade; o baixo consumo per capita atual (11 kg/hab/ano); o pouco aproveitamento industrial do fruto e o reduzido nível de organização dos produtores.

Panorama do abacaxi

A área colhida de abacaxi no mundo cresceu 11% no período 2003-2008, com destaque para Indonésia (192%) e Costa Rica (104%), países também detentores dos maiores índices de incremento de produção (88% e 65%). Nesse mesmo período, a produção avançou 22% e o Brasil conquistou o primeiro lugar, em 2008, com 2,4 milhões de toneladas colhidas, seguido de Tailândia e Filipinas.

No Nordeste, a produção aumentou 10% entre 2003/08, representando, em média, 41% do total nacional que avançou apenas 2% no mesmo período. Paraíba, Bahia e Rio Grande do Norte, pela ordem, são os maiores, mas o Ceará se destacou pela expansão de área colhida: de 47 ha para 1.556 ha no período, resultado da prioridade dada à cultura pelo governo estadual.

Além dos aspectos edafoclimáticos, o Nordeste também oferece vantagens em termos de custos de produção. Com base em dados relativos a 2009, o custo de um hectare da variedade Smooth Cayenne (Havaí) ficou entre R$ 10 e R$ 11 mil na região contra R$ 17.241,00 em São Paulo. Todavia, o paulista fatura R$ 21.000,00 enquanto no Nordeste a receita varia de R$ 16 a 17 mil por hectare.

Para saber mais: www.bnb.gov.br/etene/publicacoes/consulta)

Chamada

Há muito tempo a palavra abacaxi deixou de ser sinônimo de confusão ou coisa desagradável em muitas regiões do Nordeste. Na verdade, em vez de "problema difícil de resolver" abacaxi passou a ser motivo de alegria e fonte de renda para dezenas de famílias e empresários locais. É o caso de alguns cearenses que estão transformando o Estado em campeão de produtividade e de exportação da fruta. Segundo o economista Jackson Dantas Coêlho, ao contrario da gíria popular, abacaxi vem dando bons resultados não apenas no Ceará, mas, também, em vários outros estados nordestinos onde as condições edafoclimáticas para o seu cultivo são excelentes. O Etene acaba de realizar análise detalhada sobre a cultura do abacaxi no Nordeste que pode ser consultada no seguinte endereço: www.bnb.gov.br/etene/publicacoes/consulta)

 

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