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Apicultura no Nordeste ajuda pequeno agricultor a diversificar sua produção

Por apresentar baixo custo de implantação e manutenção, além de rápido retorno financeiro e benefícios ao meio ambiente, a apicultura tem crescido muito no Nordeste, sendo uma boa alternativa de diversificação das atividades produtivas no meio rural. Entre 2000 e 2010, a produção regional de mel duplicou sua participação no total da safra nacional, colocando-se também como polo exportador.


AGÊNCIA PRODETEC ππ MAIO 2012]

O grande crescimento da atividade no Nordeste mostra a apicultura com grande potencial para avançar mais na região como forma de diversificar a produção e aumentar renda da pequena propriedade rural, especialmente na área semiárida. A consolidação da atividade, entretanto, passa pela superação das dificuldades observadas ao longo dos últimos dez anos, bem assim pela ampliação do mercado interno e das exportações.

De acordo com trabalho recente do ETENE sobre o segmento, na área de jurisdição do BNB a apicultura experimenta problemas variados como a baixa produtividade e pouca profissionalização do apicultor, a pequena capacidade de estocagem, dificuldades de acesso a tecnologias e assistência técnica, a perda de pasto apícola e extinção de abelhas nativas, a concentração de estabelecimentos processadores e a exportação de mel a granel.

O estudo do ETENE apresenta uma série de recomendações e sugestões para melhorar a apicultura regional: (i) elevar o consumo de mel como alimento, estimulando a sua utilização em escolas, centros de saúde, estabelecimentos públicos, e a comercialização diversificada; (ii) atentar para as exigências do mercado internacional e buscar oferecer produtos de alta qualidade com vistas à ampliação das exportações; (iii) criar selo de qualidade para o mel nordestino como mecanismo de alavancar as vendas no exterior e agregar valor ao produto; (iv) uniformizar o tratamento fiscal dos estados ao produto; e (v) maior acompanhamento do crédito para os miniprodutores.

Capacitação

Tendo em vista as amplas possibilidades de expansão da atividade no Nordeste, outro ponto importante nas recomendações do ETENE diz respeito à expansão da rede de capacitação aos que atuam ou pretendem atuar no setor apícola, visando, sobretudo, à difusão de resultados de pesquisas como as financiadas pelo próprio BNB-Fundeci. O treinamento nas áreas de planejamento do ciclo anual de produção e manejo, a manipulação da vegetação nativa e o melhoramento genético das abelhas podem levar a um considerável aumento na produtividade das colmeias.

A par disso é preciso vencer limitações que impedem o pleno desenvolvimento da apicultura, caso da carência de entrepostos de beneficiamento adequados; da falta de infraestrutura de laboratórios para pesquisa e controle de qualidade dos produtos; implementação de programas de capacitação com vistas a melhorar a qualidade do mel e disponibilização de informações atualizadas a respeito da produção.

Produção

Segundo o IBGE, em 2010 a safra brasileira de mel foi de 38 mil toneladas. A produção nordestina (13,1 mil t ante 16,5 mil t do Sul) cresceu de forma expressiva em dez anos, representando 34,5% de toda a produção nacional de mel, em 2010, contra 17,1% em 2000. O Piauí e Ceará são os maiores centros apícolas do Nordeste, com quase dois terços do total colhido. A produção é predominantemente oriunda da agricultura familiar, que apresenta pouco conhecimento e recursos tecnológicos e baixa produtividade por colmeia: 15 kg/ano no Piauí, 20 kg na Bahia e 25 kg no Piauí. Segundo os especialistas, para a atividade ser viável o rendimento mínimo ideal situa-se em 35 kg/colmeia/ano.
Boa parte da produção brasileira de mel (49% em 2010) vem sendo exportada para os Estados Unidos e Europa, existindo boas perspectivas de crescimento nos próximos anos. O detalhe é que como a venda é a granel, o país deixa de agregar valor ao produto, processo empregado pelos países importadores. São Paulo lidera as exportações, seguido do Ceará, Piauí e Rio Grande do Sul.

MAIS SOBRE MEL

Além do mel, a apicultura pode proporcionar a geração de renda por meio da produção de cera, pólen, própolis, geleia real e apitoxina;

No Nordeste, a exploração de abelhas nativas representa expressivo potencial. Elas fornecem um mel muito apreciado e com alto valor de mercado e podem atuar como polinizadoras de plantios comerciais.

A China é o maior produtor mundial de mel, com 367,2 mil t (24% di total, em 2008), seguida pela Argentina, Turquia e EUA. O Brasil ficou em 15° lugar entre os grandes produtores.

Entre 2006 e 2008 o mel brasileiro sofreu embargo da União Europeia sob a alegação de descumprimento de exigências sanitárias de controle de resíduos.

Em 2011, em virtude do maior volume de produção, preço do mel para o produtor caiu para R$ 87,00 o balde (25 kg), ante R$ 100,00 em 2010.

No Brasil, o consumo per capita de mel situa-se em 128 gramas/hab/ano contra mais de 1 kg em países desenvolvidos. O grande gargalo é a visão do consumidor que não encara o mel como alimento e sim como produto terapêutico.

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Gráfico – Consumo Aparente de Mel no Nordeste entre 2000 e 2010.

Fonte: IBGE e SECEX/MDIC, 2011.

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