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PARA ALÉM DA GOIABADA CASCÃO: CULTURA DA GOIABEIRA TRAZ BENEFÍCIOS AO NORDESTE

Agência Prodetec

Setembro 2010

Presente há séculos na mesa do brasileiro sob a forma in natura, suco ou transformada em tradicional sobremesa, a goiaba ganhou espaços mais sofisticados entre os consumidores do Brasil e do exterior. Sozinha ou acompanhada, a fruta hoje está em geléias, doces, sorvetes, saladas, bombons, mouses, pizzas, recheios de biscoitos e numa infinidade de outros produtos.

Depois de deixar as feiras livres e conquistar as gôndolas dos supermercados das grandes cidades brasileiras, a fruta transpôs os trópicos, de onde é originaria, caindo no gosto do paladar europeu, a exemplo dos exigentes franceses, os maiores importadores de goiaba em 2008.

Oportunidades e ameaças

A cultura da goiabeira no Nordeste apresenta mais oportunidades e pontos fortes do que ameaças e fraquezas. É o que informa estudo sobre a fruta realizado recentemente pelo BNB-Etene e colocado à disposição dos interessados no endereço www.bnb.gov.br/etene/pubblicacaoes/consulta. Com demanda interna aquecida e boa aceitação no mercado internacional de frutas exóticas, a goiaba se adapta muito bem às condições de clima e solo do Nordeste e conquista novos nichos de mercado para além do consumo in natura e em sucos.

A produção regional manteve-se em torno de 130 mil toneladas nos últimos anos, mas enfrenta problemas fitossanitários no vale do São Francisco, principal centro produtor. Por sua vez, as exportações cresceram 33% em volume e 53% em valor no período 2003/08, indicando aceitação e valorização do produto no exterior.

Com a melhoria da renda do brasileiro, observou-se também uma expansão da indústria de sucos prontos e polpas, aumentando a procura pela fruta.

Gargalos a superar

A safra de goiaba é basicamente oriunda de pequenos produtores com áreas irrigadas de até cinco hectares, muitas vezes sem o manejo adequado para impedir o aparecimento de pragas que afetam tanto a produção quanto a produtividade do pomar.

Conforme o trabalho divulgado pelo BNB-Etene, esse é o maior problema da cultura no Nordeste. Outro gargalo diz respeito ao fato de o produtor depender da demanda das indústrias de processamento, o que repercute no preço e conseqüentes ganhos do agricultor.

A cultura da goiabeira é considerada de risco médio na região mais por conta da questão sanitária, tida como de difícil combate, do que aspectos econômicos, ainda que o baixo consumo do produto em relação às outras frutas o torne vulnerável em situação de crises e perda de renda.

Produção e exportação

A produção brasileira alcançou 312 mil toneladas em 2008, colocando-se entre as três maiores do mundo. Desse total, 43% correspondem à participação nordestina e 40% ao Sudeste, valendo salientar que o Pará desbancou a Bahia como terceiro maior produtor de goiaba do Brasil enquanto São Paulo ameaça a liderança pernambucana.

O eixo Petrolina (PE)/Juazeiro (BA) lidera a produção regional seguido pelo semiárido cearense, onde foram introduzidas mudas enxertadas para prevenir o aparecimento de pragas como as que prejudicam a safra pernambucana (queda de 42% entre 2004/08).

Os técnicos, entretanto, consideram muito cedo para confirmar a imunidade desses plantios pois a incidência das pragas (nematóides e lagartas) ocorre somente a partir do terceiro ano da lavoura.

No Brasil, as exportações de goiaba são ainda inexpressivas em termos de volume e valor, embora tenha crescido quase cinco vezes entre 2003 e 2008. O total passou de 40,4 toneladas para 219,6 toneladas ou 0,02% das 890 mil toneladas de frutas frescas vendidas pelo país. No exercício de 2008, os dez principais destinos da goiaba brasileira foram, pela ordem: França, Reino Unido, Países Baixos, Canadá, Espanha, Portugal, Alemanha, Uruguai, Suíça e Emirados Árabes. Entre os maiores exportadores se destacam Pernambuco, Ceará, Pará e Bahia.

Com relação aos preços da goiaba eles vêm crescendo consubstancialmente, sendo que no Nordeste a média obtida pelo produtor é mais elevada do que a média nacional.

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