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CRIAÇÃO DE OSTRAS COMO ALTERNATIVA DE RENDA NO LITORAL NORDESTINO

Universidades de vários estados e institutos de pesquisas investem na atividade como opção de renda para os pescadores

AGÊNCIA PRODETEC ∏∏ DEZ 2008]

Os produtores de camarão nordestinos poderão aproveitar os efluentes da atividade para criar ostras, gerando nova alternativa de emprego e renda no litoral. Uma pesquisa neste sentido está sendo realizada pela Embrapa Meio Norte e Fundape, no Piauí, com o apoio financeiro do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Banco do Nordeste. Em outra iniciativa, cientistas da Universidade Federal de Pernambuco avançam nos estudos sobre o cultivo da ostra nativa Crassostrea rhizophorae em ambientes estuarinos.
A ostreicultura é ainda incipiente no litoral do Nordeste, em que pese o potencial existente, mas já existem algumas experiências de referência. É o caso do pequeno produtor Miguel Ferreira dos Santos, do município de Brejo Grande, em Sergipe, que já chegou a ganhar prêmio do Ministério do Desenvolvimento Agrário pelo projeto que conduz no povoado de Brejão, aproveitando os extensos manguezais locais, de onde a população tira seu sustento.

Adotando técnicas de cultivo simples e de baixo custo e contando com toda uma ambiência natural favorável à exploração da atividade, ele conseguiu vencer todas as dificuldades para implantar o projeto que redundou resultados positivos tanto para a economia do município quanto para as pessoas envolvidas.
Miguel, que tem 33 anos de idade, iniciou o criatório com apenas 50 gaiolas (100 ostras por gaiola), depois aumentou para 700 gaiolas. A partir de projeto apoiado pelo Banco do Nordeste conseguiu elevar sua capacidade de produção para 1.500 gaiolas, com 75 unidades cada, o que resulta na produção de 112.500 ostras, das quais está comercializando 20 mil.
O empreendimento tornou-se referência em todo o Estado de Sergipe, principalmente nos municípios do Baixo São Francisco, recebendo constantemente visitas de interessados e curiosos outros na atividade de criação de ostras.

Sustento durante o defeso

No litoral cearense, o Banco do Nordeste e o Laboratório de Ciências do Mar, da Universidade Federal do Ceará, empreendem esforços na busca de alternativa à ocupação dos pescadores na época do defeso da lagosta, a partir do cultivo da ostra do mangue (crassostra rhizophorae).
De acordo com os especialistas, a atividade é considerada uma boa alternativa de geração de ocupação e renda, além de ser de fácil manejo e não ocupar mão-de-obra em tempo integral. O custo de implantação é relativamente baixo e a produção é obtida num período de seis a oito meses, podendo ser explorada, com ajuda de toda a família, enquanto o pescador aguarda o defeso da lagosta.
Em Fortim, 123 km de Fortaleza, no litoral leste cearense, a viabilidade da ostreicultura está sendo testada nos manguezais do município a partir dos estudos realizados pelo Labomar, que proporcionaram respostas a questões como o tempo de crescimento da ostra no mangue, forma de manejo visando maior produtividade, materiais para a captação de sementes. A pesquisa volta-se também para difundir tecnologias de cultivo entre pescadores locais e demais interessados com vistas à produção de alimento rico em proteínas que possa ser comercializado pela comunidade local.
Inclusão da juventude
Aproveitando os estudos e as condições ambientais favoráveis à cultura de ostras em Fortim, a colônia de pescadores local foi à luta. Após passar por curso de capacitação ministrado pelos técnicos do Labomar/UFC, um grupo de mulheres de pescadores iniciou a implantação de um projeto na zona estuarina dos rios Pirangi e Jaguaribe. Os recursos obtidos na Agência do BNB em Aracati, dentro do programa do PRONAF, foram aplicados na compra de equipamentos e material de insumo, proporcionando trabalho a mulheres das localidades de Viçosa, Barra, Pontal e na sede municipal.
As marisqueiras já dominam toda a tecnologia do cultivo e agora se preparam para transmitir esse conhecimento a jovens da comunidade interessados na atividade. Uma fundação está iniciando o trabalho de sensibilização voltado para filhos de pescadores e marisqueiras. O objetivo é proporcionar ocupação a eles numa terra onde as oportunidades de emprego são muito escassas.
"Isso vai ser muito bom para eles e para nós", diz uma das lideres das marisqueiras de Fortim, Erivanda Alves Simões, mãe de três filhos, que começou com a experiência em 1999 e apesar das dificuldades nunca desistiu. Do projeto piloto nas gamboas até hoje muitas saíram ou se aposentaram, mas dezenas de outras continuam no trabalho.
Erivanda disse que o negócio de criação de ostra é "muito bom", mas para a atividade render mais há necessidade de ampliar a produção e a infra-estrutura para comercialização. Não adianta criar uma demanda para o produto, se a gente não garantir a entrega do produtor, ensina a líder das marisqueiras de Fortim.
Dividendos no Piauí
No litoral piauiense, nas proximidades de Parnaíba, a ONG Movimento de Articulação Norte Piauiense para o Desenvolvimento Sustentável, já apresenta resultados práticos com a ocupação de jovens da localidade de Barra Grande. Com o apoio tecnológico da Embrapa Meio Norte, eles estão colocando no mercado ostras produzidas em viveiros. Mas a demanda é muito maior que a oferta do produto, o que leva o Movimento a procurar meios para ampliar o projeto.

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