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BALANÇA COMERCIAL DO NORDESTE REGISTRA MAIOR DÉFICIT DE TODA A SUA HISTÓRIA

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Por Ribamar Mesquita - Brasília, 8.Fev.2013 - especial para a AGÊNCIA PRODETEC

(Agência Prodetec) - O comércio exterior nordestino fechou o exercício de 2012 com um déficit recorde em sua balança comercial, o maior desde os tempos coloniais, quando a região inaugurou o processo de trocas no mercado internacional.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento (Secex), a cifra alcançou exatos US$ 7.225.944 mil, resultado da diferença entre exportações de US$ 18.773 milhões e importações de US$ 25.999 milhões.

Esse déficit foi 36,4% maior que o observado em 2011, da ordem de US$ 5.288 milhões, quando as importações atingiram US$ 24.133 milhões e as exportações 18.845 milhões. Comparativamente ao saldo de 2010 (US$ 1.722 milhões), o déficit do ano passado foi 4,2 vezes maior.

Computados os dados relativos aos últimos três anos, a soma do déficit (US$ 14,2 bilhões) supera o total do superávit obtido pela região desde 1998 (US$ 13,4 bilhões).

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Heróis e vilões

A balança nordestina está tingida de vermelho devido basicamente à área de combustíveis e lubrificantes. As importações de óleo diesel, gasolina e querosene de aviação somaram mais de US$ 8 bilhões, em 2012. Componentes da cadeia do gás (GLP, GNL, butano, propano) absorveram cerca de US$ 0,8 bilhão; naftas, coque e betume de petróleo quase US$ 1,5 bilhão.

Em outras palavras, nessa área, a região compra cinco vezes mais do que vende, considerando exportações de pouco mais de US$ 2,1 bilhões para óleo e gasolina, em 2012, para importações globais de US$ 10.753 milhões.

Vale ressaltar que, ano passado, as vendas externas de fuel-oil pelo Nordeste colocaram-se em primeiro lugar, com US$ 2.016 milhões, desbancando o total obtido pela soja (US$ 1.868 milhões).

O descompasso entre exportações, com queda de 0,38%, e importações, que aumentaram 7,73%, também contribuiu para o déficit recorde na balança comercial da região, em 2012. Essa diferença de variação registrou-se, igualmente, no biênio anterior. Em 2011, as vendas externas do Nordeste cresceram 18,8% e as compras, 37,24%; em 2010, as taxas foram de 36,56% e 62,89%, respectivamente.

Petrobras

Abstraído a crise econômica internacional e um largo período de valoração do real frente ao dólar, o que barateou as importações e reduziu a demanda pelos produtos brasileiros no exterior, o resultado negativo da balança comercial nordestina é basicamente obra de uma única empresa: a Petrobras.

A petrolífera estatal registra vendas externas de US$ 2.337 milhões e compras da ordem de US$ 9.714 milhões. O saldo negativo de US$ 7.377 é ligeiramente superior ao da região como um todo (US$ 7.226 milhões).

Dados do Ministério do Desenvolvimento confirmam a liderança da Petrobras como a maior empresa exportadora/importadora do Nordeste. As vendas de 2012 cresceram apenas 0,85% em relação a 2011 (US$ 2.317 milhões), o que representou 12,45% do bolo regional no ano passado (US$ 18.773 milhões). No exercício de 2011, essa proporção era de 12,30%.

O desempenho da Petrobras é maior do que o da maioria dos estados nordestinos. Apenas Bahia (US$ 11,2 bilhões) e Maranhão (US$ 3 bilhões) vendem mais que a estatal no exterior.

A estatal brasileira também lidera o ranking das empresas importadoras do Nordeste, com US$ 9,7 bilhões ou 37,3% das importações globais da região, em 2012 (US$ 26 bilhões). Em relação a 2011, houve incremento de 17,74%.

As compras da Petrobras são seis vezes maiores que as feitas pela segunda colocada, a Ford Motor (US$ 1,6 bilhão), e mais expressivas que o montante apurado, no mesmo período, para a Bahia (US$ 7.761 milhões) e o Maranhão (7.060 milhões), os maiores estados exportadores e importadores do Nordeste.

Movimento das trocas regionais

Na lista dos principais produtos exportados pelo Nordeste, em 2012, além de óleo e soja, outros cinco têm lugar de destaque: pasta química de madeira (US$ 1.219 milhões); açúcar (US$ 1.048 milhões), plataformas flutuantes (US$ 786,6 milhões), algodão (US$ 756,3 milhões) e alumina calcinada (US$ 725,6 milhões).

No caso das importações, além dos derivados de petróleo e gás, aparecem com destaque os automóveis, com US$ 1.011 milhões; trigo (US$ 718,4 milhões); minério de cobre (US$ 564,7 milhões); e o ácido tereftálico - produto usado para fabricar fibras sintéticas (US$ 539,1 milhões).

Em relação à indústria automobilística registre-se que as exportações nordestinas, em 2012, somaram US$ 373,5 milhões. A indústria de cobre, por sua vez, exportou US$ 400,5 milhões em fios, catodos e resíduos.

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Leão do Norte

Em geral excluído da lista dos três maiores exportadores do Nordeste, posição conquistada em 2012 devido ao mal desempenho cearense, Pernambuco encabeça o ranking dos estados com balança comercial negativa, em 2012.

O déficit pernambucano alcançou US$ 5,2 bilhões, decorrente de exportações de US$ 1.319 milhões e importações de US$ 6.592 milhões ao longo do ano passado. As compras externas do estado subiram 19,12% contra 10,09% das vendas. Em dois anos, o quadro deficitário mais do que dobrou, já que em 2010 somou apenas US$ 2,1 bilhões.

Segundo maior exportador regional, com vendas de US$ 3.024 milhões, o Maranhão teve déficit de US$ 4.035 milhões, em 2012, apresentando importações de US$ 7.060 milhões e exportações de apenas US$ 3.024 milhões. O saldo negativo era de apenas US$ 896 milhões em 2010, passando a US$ 3.234 milhões no ano seguinte. Ou seja, mais do que quadruplicou em três anos.
Maior economia da região e responsável por 60% de suas exportações, a Bahia contribuiu positivamente para a balança comercial nordestina nos últimos três anos, com superávits de US$ 2.173 milhões, US$ 3.271 milhões e US$ 3.506 milhões, respectivamente.

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Com EUA, o maior déficit

Nos últimos dois anos, os norte-americanos deixaram longe chineses, argentinos e holandeses como os principais parceiros do comércio exterior nordestino, liderando tanto o movimento de compras quanto o de vendas.

As trocas entre o Nordeste e os Estados Unidos deixam Tio Sam em posição muito confortável: o superávit totalizou US$ 4,3 bilhões nos exercícios de 2012 e 2011. As exportações do Nordeste para os Estados Unidos, ano passado, somaram US$ 2.448 milhões ante importações de US$ 4.688 milhões. Em 2011, o movimento foi de US$ 2.687 milhões e US$ 4.813 milhões, respectivamente.

A China e a Argentina também observaram superávit em suas trocas com os estados nordestinos no último biênio. O comércio com os chineses, praticamente equilibrado em 2011, com déficit de US$ 26 milhões apenas, degringolou no ano passado. O déficit da região, consequência do crescimento elevado de suas importações, alcançou US$ 867 milhões, deixando o déficit total para US$ 893 milhões no período 2011/12.

No caso da Argentina, o quadro de déficit mais do que dobrou: de US$ 387 milhões, em 2011, para US% 917 milhões, em 2012, elevando para US$ 1204 milhões o saldo negativo em desfavor do Nordeste.

Outros cinco países ostentam grande superávit em suas relações com o Nordeste, computado o movimento de trocas de 2011 e 2012: Índia, com US$ 3,4 bilhões; Argélia, com US$ 1,6 bilhão; Chile, com US$ 1,5 bilhão; México, com US$ 1,4 bilhão e Kuwait, com US$ 0,7 bilhão.

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