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NOVA EXPERIÊNCIA DE SUCESSO EM MICROFINANÇAS

O Agroamigo é uma modalidade de crédito produtivo, orientado e acompanhado, que trabalha exclusivamente com agricultores familiares com renda anual de até R$ 5 mil. A metodologia se baseou no programa de microcrédito urbano, conhecido por Crediamigo.
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AGÊNCIA PRODETEC ππ Fortaleza [JUNHO 2009]

(Agência Prodetec) - O Nordeste está comemorando o quarto aniversário do programa Agroamigo, lançado com o objetivo de melhorar o acesso de agricultores familiares ao crédito, com os menores custos possíveis e proximidade física de um orientador, garantindo ao universo de beneficiários meios de sobrevivência e a geração de mais emprego e renda na Região.

Na realidade, o programa foi uma tentativa, vitoriosa, de replicar no campo o sucesso da experiência conhecida por Crediamigo, executada nos grandes centros urbanos regionais desde o final dos anos noventa. As duas experiências do BNB têm obtido relativo sucesso na missão de "bancarizar" vasto contingente de excluídos do sistema financeiro. No caso do Agroamigo, são pequenos produtores rurais e empreendedores ligados direta e indiretamente ao campo, que estão na base da pirâmide empresarial, fora do alcance dos mecanismos formais de crédito.

Mais do que isso, o Agroamigo virou espelho para outros organismos e países e até ganhou prêmio internacional (veja box). O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) elegeu-o como metodologia mais adequada para chegar aos agricultores familiares cujo faturamento não ultrapasse R$ 5 mil anuais. Representantes dos governos de Angola e Cabo Verde já estiveram em Fortaleza para conhecer a experiência, deslocando-se também ao interior a fim de conhecer seu funcionamento in loco. Além disso, foi firmado convênio com o BASA pelo qual o BNB repassará a metodologia do Programa, capacitará assessores de crédito e instituições envolvidas no processo, e acompanhará a execução do projeto-piloto na Amazônia Legal.

Alegria, alegria

O superintendente da Área de Agricultura Familiar e Microfinança Rural do BNB, Luís Sergio Farias Machado, é só alegria quando fala do Agroamigo e do reconhecimento do programa, dentro e fora do País. Não é para, menos.

Nesses primeiros quatro anos de atividades, já foram concedidos cerca de 600 mil operações do programa, com a mobilização de recursos da ordem de R$ 800 milhões, distribuídos entre mutuários de 2.000 localidades nordestinas e do norte de Minas e do Espírito Santo.

A meta 2009 é aplicar R$ 600 milhões, atendendo a 400 mil empreendedores, número que em mais dois anos poderá dobrar. Outro motivo de alegria: o baixo índice de inadimplência registrado entre os beneficiários do programa e a disposição de levá-lo a todos os municípios que disponham de agricultores enquadráveis no Pronaf B.

Por sua relevância do ponto de vista social, esse programa foi incluído entre as prioridades do Banco e do MDA. Seu sucesso mostra que os pobres não precisam ser necessariamente salvos via políticas assistencialistas, e sim providos de capital e orientação técnica-gerencial para andar com as próprias pernas. Como fez dona Maria Vanda, do sítio Andreza, em Beberibe, município a 90 km de Fortaleza.

Até a chegada do Agroamigo na região, ela se dedicava a uma rudimentar criação de porcos. Depois de participar de palestras e demais etapas de execução do Programa, Vanda deu uma guinada na vida. De suinocultora transformou-se na melhor padeira das redondezas, vendendo pão doce, carioquinha e bolacha seca. A produção passou de 60 para 13 mil unidades que é distribuída pelas localidades vizinhas com a utilização de uma motocicleta usada, que ela incorporou ao patrimônio.

A renda de antes, de R$ 150,00, já alcançou R$ 400,00 nesses dois anos de empreendedora. Além disso, garante ocupação para quatro pessoas.

Dona Vanda planeja agora um novo empréstimo do Agroamigo a fim de ampliar as atividades e quem sabe empregar mais gente. Pelo menos foi o que afirmou ao vencer concurso de casos de sucesso de microfinanças realizado pelo BNB.

Integração e proximidade

O presidente do BNB, economista Roberto Smith, atribui os bons resultados à metodologia de atendimento implementada a partir de equipes de assessores de crédito. Elas representam o diferencial e proporcionam orientação aos produtores e acesso rápido aos recursos, na própria comunidade, além de acompanharem as atividades dos clientes. Essa integração e proximidade entre representante do Banco e mutuário é um ponto extremamente importante para o sucesso das operações realizadas, sustenta Smith.

Para garantir o cumprimento das metas de 2009, o quadro de assessores será ampliado de 572 para 800 técnicos. Com isso, segundo Luís Sérgio, se pretende trabalhar individualmente, de forma distinta, Crediamigo e Agroamigo, os dois programas de microfinanças do Banco que hoje são partes de uma mesma carteira e estrutura nas agências.

Os assessores são selecionados, treinados e colocados à disposição do Programa pelo Instituto Nordeste Cidadania, uma oscip com sede em Fortaleza. Conforme seu presidente, Cloves Polte, graças ao conhecimento que detêm da comunidade a ser atendida, de seus clientes e da cultura local, "os assessores são peças fundamentais no crescimento do programa".

Para Cloves, "o sucesso do Agroamigo está permitindo que sertanejos desenvolvam uma atividade produtiva orientada que lhes possibilite viver com dignidade". Esses assessores, em geral, jovens técnicos agrícolas com idade entre 19 e 30 anos, recebem uma moto para os seus deslocamentos entre as comunidades que atendem - média de dois municípios por assessor.

Recebem também orientação gerencial para facilitar a elaboração das propostas e os contatos com clientes como Pedro Garcia da Silva. Com um pequeno sítio em Catarina (CE), ele deixou a agricultura de subsistência para se transformar em vitorioso produtor de hortaliças, abóbora e mamão, que vende para a Conab e o programa de merenda escolar municipal.

"Minha vida mudou para melhor. Com pouca terra, estou conseguindo uma produção muito grande, coisa que antes era difícil", disse seu Pedro, hoje uma referência no município, localizado próximo a Iguatu, na região Centro-Sul do Ceará. Ou cliente como Maria Célia de Sousa, de Santana do Acarau, perto de Sobral, zona norte cearense.

Com uma experiência de 11 anos na fabricação de produtos do caju, ela procurou o programa para atender à demanda por novos produtos. Com um empréstimo de R$ 1.500,00 para pagar de quatro vezes, Célia adquiriu equipamentos para produzir carne, hambúrguer, paçoca e salgados de caju, que são vendidos diretamente para o consumidor final e para escolas da comunidade.

Premiação internacional

O Agroamigo recebeu prêmio da Associação Latinoamericana de Instituições Financeiras para o Desenvolvimento (Alide), que reconheceu o programa como a melhor prática na categoria produtos financeiros entre concorrentes da América Latina e Caribe.

A premiação foi entregue durante a 39ª Assembléia Geral da Alide, de 19 a 20 de maio, na ilha de Curaçao, no Caribe. O encontro reuniu representantes de instituições financeiras de vários países para discutir o tema "As Mudanças na economia mundial e os desafios das finanças para o desenvolvimento da América Latina e Caribe".

PERFIL AGROAMIGO

*Aplicações (até maio/2009) - R$ 822.514.357,81
*Total de contratos: 633.129 operações
*Meta para 2009 - contratar 430.000 operações, perfazendo o valor de R$ 623.500 (valor em mil).
*Inadimplência - entre 2% e 4% no contexto do Pronaf B, onde esse percentual pode chegar a 40%.
*Qtde. de localidades beneficiárias: 1.398 municípios atendidos
*Valor médio dos empréstimos: R$ 1.450,00
*Total de Assessores: 572.

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