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NA TRILHA DO NOVO II: MUDANÇAS NA PAISAGEM NORDESTINA

Pesquisa, desenvolvimento e tecnologia. O trinômio está longe de associação imediata ao Nordeste, cuja imagem recorrente é a da pobreza, da seca ou de praias deslumbrantes e festas populares. Mas, na verdade, a região surpreende em muitos aspectos, mostrando-se hoje para nativos e forasteiros como centro de empreendedorismo em vários pontos. Caso, por exemplo, na energia renovável, na biotecnologia, irrigação avançada, fruticultura e genética.

AGÊNCIA PRODETEC ππ Fortaleza [Agos. 2007]

Pesquisa, desenvolvimento e tecnologia. O trinômio está longe de associação imediata ao Nordeste, cuja imagem recorrente é a da pobreza, da seca ou de praias deslumbrantes e festas populares. Mas, na verdade, a região surpreende em muitos aspectos, mostrando-se hoje para nativos e forasteiros como centro de empreendedorismo em vários pontos. Caso, por exemplo, na energia renovável, na biotecnologia, irrigação avançada, fruticultura e genética.

O pesquisador cearense José Nunes conseguiu classificar seu projeto "Produção de água de coco em pó (ACP) para utilização em processos biotecnológicos" entre os seis melhores do país em concurso nacional de biobusiness realizado recentemente em Ribeirão Preto (SP), do qual participaram cerca de 140 trabalhos. O hormônio que ele e equipe conseguiram isolar da água de coco, com desempenho superior ao dos produtos importados existentes no mercado, se tornou a primeira patente biológica do Brasil depositada no exterior, na França.

Conforme o cientista, que é professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE), como insumo básico, a ACP pode ser usada na saúde animal e humana (cicatrização tecidual, conservante de tecidos e órgãos, prótese óssea e dentária, em queimaduras, dentre outras utilizações), nas áreas de cosmética e da reprodução (para conservação e multiplicação de material genético animal e humano); e na conservação de células-tronco.

Em Sobral, no sertão árido do Ceará, onde Nunes começou suas pesquisas, funciona o centro detentor do maior conhecimento em caprinocultura do Brasil, capacitando produtores e técnicos de vários estados e países da América Latina e África. Em Fortaleza, no campus da UFC, onde o biodiesel surgiu para o mundo há vinte anos, agora se estuda o bioquerosene para uso na aviação comercial. Campina Grande, no semi-árido paraibano, além de softwares avançados, desenvolve melhoramentos genéticos no algodão e na mamona.

Investimentos e mudanças

Nos últimos cinco anos, para ficar apenas no passado mais recente, o Nordeste absorveu investimentos de peso como a fábrica da Ford, na região metropolitana de Salvador, termelétricas, parques eólicos, novos shoppings, portos, aeroportos e indústrias variadas, além de obras de melhoria da infra-estrutura nas áreas de energia, telecomunicações, saneamento básico e turismo.

Alguns outros empreendimentos surpreendem pelo caráter inovador. Provam os grandes moinhos montados em Fortaleza, Aratu (BA) e Cabedelo (PB) pelo grupo cearense M. Dias Branco, totalmente controlados por computador, os softwares exportados para vários países, os assentamentos que vendem mel orgânico para a Alemanha e China, a fabricação de fármacos naturais em várias cidades, as pesquisas para o seqüenciamento genético do mosquito responsável pela transmissão do calazar, ou, ainda, os produtores que quebram o recorde nacional em matéria de produtividade de soja e café nos cerrados nordestinos.

O Sul do Piauí e do Maranhão, o Oeste da Bahia e os vales do Açu (RN) e do Baixo Jaguaribe (CE) transformaram-se em quindins de investidores. Das grandes multinacionais ligadas ao agronegócio a produtores do meio-oeste norte-americano, do Japão, Índia e Holanda.

Alguns deles estão presentes em todas as regiões, outros se localizam segundo a atividade que exploram. Enquanto a Bunge Alimentos, por exemplo, investe pesado no cerrado do Piauí, a Del Monte, cujo foco é a produção de frutas, explora grandes áreas no Ceará e Rio Grande do Norte, além de Petrolina.

A Holanbra, uma das líderes mundiais em floricultura, exporta flores a partir do semi-árido cearense. O grupo australiano Nufarm, nono maior fabricante mundial de agroquímicos acaba de comprar a cearense Agripec, líder brasileira do ramo. Terras férteis e baratas combinadas com tecnologia e incentivos vão garantindo recordes de produção e um "chega pra lá" na crise, ainda que esbarrem em problemas como a infra-estrutura de escoamento e comercialização.

Em vez do sertão, há os que preferem a rota do litoral, onde a atividade turística ganha musculatura a cada temporada, proporcionando mais renda, emprego e divisas. Mesmo em relação às áreas mais desenvolvidas, o turismo nordestino tem provocado agradáveis surpresas.

"O Nordeste é um sucesso em matéria de turismo", enfatizam em conjunto os representantes principais do trade e autoridades do setor público. Uns e outros celebram a chegada de centenas de empreendimentos de todos os portes, mais do que duplicando a capacidade de alojamento e o fluxo turístico. E celebram, sobretudo, a decisão dos governos estaduais de prosseguirem com o fortalecimento da infra-estrutura turística local através do Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur/NE), executado com recursos repassados pelo BNB, que já tem inversões contratadas no montante de US$ 400 milhões.

Correndo por fora, tem-se, ainda, a criação de camarão para exportar, o uso do sol, do vento e da biomassa para produzir energia, o desenvolvimento de softwares e a instalação de incubadoras e de microempresas que atuam com tecnologia de ponta.

O Governo Federal, por sua vez, garante prioridade para o corredor norte de exportação, a ferrovia Transnordestina, a duplicação da BR-101, a integração de bacias hidrográficas e a refinaria de Pernambuco, sem falar na polêmica siderúrgica cearense.

A descoberta de nichos específicos de produção, especialmente a partir dos anos oitenta, potencializa esse sopro renovador da economia nordestina antes alicerçada na pecuária, no algodão e em culturas de subsistência para alimentação.

É o caso da petroquímica em Camaçari, do complexo mineiro-metalúrgico maranhense, da produção têxtil, de confecções e calçados em vários estados, dos pólos agroindustriais do São Francisco, da produção de algodão e grãos no Oeste da Bahia e Sul do Piauí e Maranhão, da agricultura irrigada nos vales do Açu (RN), Baixo Jaguaribe (CE), dos pólos de tecnologia de Recife, Campina Grande e Salvador.

São pólos e atividades que impulsionam o crescimento e atraem grandes investidores nacionais e estrangeiros, a exemplo da Continental, que instalou na Bahia uma de fábricas mais modernas do mundo, ou da Nestlé, que também acaba de inaugurar na região outra planta industrial. "O Nordeste se transformou em um dos principais pilares do nosso crescimento no Brasil. A região já representa 30% do nosso faturamento", afirma o diretor da Nestlé Johnny Wei, acrescentando que as vendas da multinacional no Nordeste estão crescendo a um ritmo de 15% ao ano, o dobro do verificado nas demais regiões do país.

A satisfação não é menor na cearense Esmaltec, entre as maiores e mais modernas fábricas latino-americanas de produtos da linha branca. É que sua unidade de fogões domésticos conquistou a vice-liderança no mercado nacional, concorrendo com gigantes como Bosch, Multibrás e Daco/GE. A Esmaltec já exporta seus produtos para cerca de 50 países. Em São Luís, funcionários e executivos da gigante Vale do Rio Doce comemoram a escolha do terminal Ilha da Madeira como o porto mais eficiente do País.

No Rio Grande do Norte, o grupo australiano Pacific Hydro anuncia a implantação de cinco parques eólicos até 2010, com investimentos da ordem de R$ 1,2 bilhão. Os espanhóis do Iberdrola são mais ousados e prevêem aplicações no montante de US$ 2 bilhões no mesmo setor, em vários estados nordestinos.

Mesmo no meio da pobreza do semi-árido, surgiram também novas possibilidades no momento em que setores tradicionais como os da cana, ovinocaprinocultura, floricultura e apicultura, entre outros, começaram a ser tratados adequadamente.

Os indianos estão plantando grandes campos de ervas aromáticas no município de Alvorada do Gurguéia, no sertão piauiense, para a produção de incenso, muito utilizado em cerimônias religiosas na Índia e em outros países do Oriente. Produzem também mel orgânico para exportação. Japoneses, por sua vez, compraram terras em Guadalupe (PI) para cultivar mamona, e holandeses plantam cana em Itaueiras, a 345 km de Teresina. E no interior de Pernambuco, uma empresa local coloca o Estado na vanguarda tecnológica em matéria de transferência de embriões caprinos e ovinos, usando tecnologia alemã de última geração.

São experiências com impacto ainda pequeno na economia, mas que já implicam mudanças na paisagem nordestina na medida em que coloca temas como empreendedorismo e inovação no dia a dia da Região.
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