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NA TRILHA DO NOVO III. NORDESTE APOSTA NA INOVAÇÃO PARA CRESCER

Tema cada vez mais presente no mundo corporativo dentro e fora do País, a inovação é fator decisivo para o sucesso ou a morte de um empreendimento. Desconhecer sua relevância é o caminho mais curto para ficar fora do jogo, como acentua o engenheiro Ozires Silva, ex-dirigente das três marcas brasileiras mais conhecidas no mundo (Petrobras, Varig e Embraer), para quem inovação e empreendedorismo é o binômio mágico para o progresso, tem de "fazer parte de nosso DNA".

AGÊNCIA PRODETEC ππ Fortaleza [Out. 2007]

Tema cada vez mais presente no mundo corporativo dentro e fora do País, a inovação é fator decisivo para o sucesso ou a morte de um empreendimento. Desconhecer sua relevância é o caminho mais curto para ficar fora do jogo, como acentua o engenheiro Ozires Silva, ex-dirigente das três marcas brasileiras mais conhecidas no mundo (Petrobras, Varig e Embraer), para quem inovação e empreendedorismo é o binômio mágico para o progresso, tem de "fazer parte de nosso DNA".

"A equação hoje é clara e global. Os produtos do mundo inteiro estão em todos os mercados, o que exige das empresas produção com custos e preços baixos e maior competitividade", ressalta o fundador da Embraer. Segundo ele, mais do que a competitividade das empresas, o Brasil carece também de uma cultura do desenvolvimento.

A dinâmica da inovação é tal que, possivelmente, nos próximos dez anos, cerca de 90% dos produtos que se conhece hoje estarão fora das linhas de produção. Esse fenômeno pode ser observado, por exemplo, na Internet. No intervalo de uma semana, apenas, milhões de páginas sobre o tema são acrescidas nos mecanismos de busca da rede. O resultado mostra que não se trata de mero modismo, de mais uma entre tantas ondas. Pensar assim "pode ser um erro potencialmente fatal", alerta o consultor Clemente Nóbrega, para quem é preciso aprender a fazer inovação, que, diz, não é questão de genialidade ou de super-heróis.

O problema é que a escola está desaparelhada para formar inovadores. Para o professor Isaias Raw, diretor da Fundação Butantã, ela não ensina a pessoa a aprender sozinha. "A educação foi uniformizada e isso é um veneno para o espírito inovador", destaca.

No caso brasileiro, Ozires Silva sustenta que "vivemos um ambiente de hostilidade para a inovação", seja pela carga tributária de 40% do PIB ou pela burocracia amarrada. Para mostrar como a inovação carrega o mundo nas costas, ele lembra que os países mais desenvolvidos conseguiram acelerar seu crescimento produzindo artigos de elevada cotação por quilograma, o que os economistas chamam "alto valor do preço específico da produção". Enquanto 1 kg de soja rende US$ 0,35, o de avião dá US$ 1 mil, um de eletrônico comum varia de US$ 2 a 3 mil e um de satélite alcança US$ 50 mil. É só imaginar quantas toneladas de soja ou de ferro são necessárias para comprar um simples notebook...

Apostando na inovação

Infelizmente, o índice de inovação no Brasil ainda é baixo, embora o país tenha talento empreendedor e nível de pesquisa de referência mundial em várias áreas. No Nordeste, o desempenho é pior. Mas, como se observou na VII Conferência da ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras), na Bahia, a cada dia o assunto ganha mais espaço no dia- a- dia e a Região aposta na inovação para crescer e transformar conhecimento em crescimento econômico.

Para o presidente da Federação das Indústrias da Bahia, Jorge Lins Freire, o estabelecimento de políticas de incentivo à inovação de recorte regional é fundamental para a economia nordestina. "O desenvolvimento industrial da Região requer cada vez mais a ampliação da capacidade inovadora das empresas locais e da construção de um sistema estadual de inovação articulado com as políticas industrial, tecnológica e de comércio exterior do governo federal", diz. O modelo tradicional de incentivos fiscais e financeiros, enfatiza Lins, praticamente exauriu-se pela fragilidade do Estado.

Pensamento semelhante tem o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia. Para Ildes Ferreira, a inovação é o principal caminho para que as empresas da Região cresçam, ganhem mercados, ampliem sua competitividade e gerem empregos com maior valor agregado. "Não basta, no entanto, os governos se mobilizarem para fomentar a inovação. Os empresários, principalmente micros e pequenos, precisam estar articulados para poder participar deste movimento e levar a inovação para dentro de suas empresas, dinamizando a economia", afirma.

Para facilitar essa tarefa, o Congresso Nacional aprovou a chamada Lei da Inovação (10.973/04), que trouxe muitas vantagens e benefícios, inclusive a concessão de recursos financeiros não-reembolsáveis para o desenvolvimento de novos projetos. No ano seguinte, também foi promulgada a Lei nº 11.196, conhecida como a "Lei do Bem", que prevê incentivos fiscais para fomentar a inovação tecnológica.

Este ano, o BNDES lançou a redução da taxa de juros fixa, de 6% ao ano para 4,5% ao ano, para os projetos da linha de Inovação P.D&I. No caso baiano, a novidade é o Consórcio Juro Zero, programa que disponibiliza financiamentos sem juros para que micro e pequenas empresas possam investir em desenvolvimento tecnológico.

Inovação como política de Estado

Para o presidente da ANPEI, Hugo Borelli Resende, as leis são boas e estão contribuindo para o desenvolvimento do setor. "A inovação é um diferencial competitivo e as empresas que inovam produtos e processos têm maior produtividade, tornam-se mais competitivas e ganham força para exportar", ensina Borelli.

Por sua vez, o secretário executivo do MCT, Luís Rodrigues Elias, sustenta que a ciência, a tecnologia e a inovação passaram a ser política de Estado agora. "Nos próximos anos, a Lei de Inovação e a Lei do Bem deverão mudar o cenário da inovação no Brasil", disse ele durante um dos painéis da ANPEI.

"O reconhecimento da inovação como elemento central para a competitividade da indústria, principalmente aquela de pequeno porte, é algo muito recente", destaca Jorge Lins Freire. "Além do mais, existe a interpretação distorcida de que a inovação é fruto de um processo complexo restrito às empresas de maior porte". As muitas experiências de sucesso do Nordeste, quase sempre fruto de iniciativas individuais, mostram que é possível, sim, inovar mesmo no meio da pobreza.

O empresário Baltazar Neto, diretor da Fotossensores Tecnologias Eletrônicas Ltda, de Fortaleza, é um exemplo. Trata-se da maior empresa da América Latina no segmento semafórico, utilizando a tecnologia dos fotosensores. Depois de conceber essa tecnologia, em 1995, e de espalhá-la por várias cidades Brasil afora, a empresa investe agora em sistemas para melhorar a segurança pública. Em cidades como São José dos Campos (SP), as imagens das câmeras espalhadas em vários locais são acompanhadas e analisadas em Fortaleza e enviadas à Prefeitura de lá, tudo em tempo real. A Fotosensores ganhou o prêmio de inovação da FINEP, ano passado.

No Recife, o governador Eduardo Campos concorda que agregar conhecimento é muito importante para o desenvolvimento nordestino, a mudança de uma realidade e transformação da vida das pessoas. Nesse sentido, ele acerta os ponteiros com o seu colega Cid Gomes, também do PSB, para implementar no Nordeste uma rede de parques tecnológicos e viabilizar uma plataforma direcionada para a produção de softwares para o mercado internacional, campo em que Pernambuco já tem boa presença com o seu Porto Digital. Campos lembra ainda que o bioma do sertão, ainda pouco conhecido, esconde muita riqueza do ponto de vista biológico. Esse bioma pode vir a ser estratégico no futuro, à vista da escassez de água no planeta e da resistência de nossas plantas à seca. Mas, aí entramos em outra história.

comp bra

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