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NORDESTE: OS PREJUÍZOS ECONÔMICOS DOS FERIADOS

Fortaleza e Salvador, 17 Jun.3013 (Agência Prodetec) – Os feriados extemporâneos decretados pelas prefeituras de Salvador e Fortaleza durante jogos da Copa das Confederações representam um grande impacto negativo na economia local. A partir do PIB das duas cidades e do número de feriados, estimam-se em R$ 385 milhões as perdas com as paralisações de 20.6 (Salvador), 19 e 27.6 (Fortaleza).

Segundo o IBGE, o PIB das duas maiores cidades do Nordeste, em 2009, somava R$ 64,6 bilhões, majoritariamente concentrado nos setores de serviços e da indústria. Na posição relativa a 2009, o PIB da capital baiana totalizava R$ 32.834 milhões ante R$ 31.789 milhões de Fortaleza, hoje já à frente de Salvador com a divulgação do PIB de 2010.

O custo econômico maior seria para a capital cearense (R$ 254,3 milhões) pelo fato de ter decretado dois feriados. Em Salvador, as perdas alcançariam R$ 130,7 milhões.

O cálculo foi realizado tomando por base o prejuízo por feriado, considerando o PIB diário como o valor máximo que poderia ser perdido em um dia de paralisação. Mesmo levando em conta que (i) parte do consumo imediato somente é postergado para outra data e (ii) que no caso do setor industrial apenas a indústria de transformação é a mais prejudicada, ainda assim as cifras parecem representativas.

As federações de comércio do Ceará e da Bahia não possuem estudos específicos quanto à dimensão exata desses prejuízos. As pesquisas conjunturais do setor relativas às vendas de junho devem revelar se, de fato, a repercussão foi muito grande, explica o economista Alex Araújo, consultor da Federação cearense.

Preço alto

O deputado estadual Carlos Geilson, da Bahia, acha que a decisão do prefeito ACM Neto implicou grandes prejuízos para Salvador e o comércio local, cujas vendas são aquecidas nessa época em virtude das festas juninas. Segundo o parlamentar baiano, "parar a economia da capital por causa da mobilidade urbana é pagar um preço muito alto".

Em Fortaleza, a decretação dos dois feriados não encontrou nenhuma resistência. A proposta da prefeitura registrou votação consensual na Câmara de Vereadores que se sensibilizou com a argumentação do prefeito. Para Roberto Cláudio, os feriados se justificam pela "magnitude do evento, de porte internacional, e a já reconhecida paixão pelo esporte que provocará nesses dias um grande fluxo de pessoas pelas ruas de Fortaleza".

Custo de feriado

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) acaba de divulgar trabalho acerca do custo econômico dos feriados no Brasil em 2013 (12 nacionais e 39 estaduais). Os pesquisadores estimaram que as paralisações da indústria nos feriados, este ano, podem acarretar prejuízos da ordem de R$42,2 bilhões. Uma quantia alta, dizem eles, mas R$ 8,3 bilhões abaixo da registrada em 2012, devido ao menor número de feriados em dias de semana, em 2013.

Para chegar a essa conclusão, o estudo elegeu como variável principal o PIB industrial do Brasil para 2013 (R$ 1.198 bilhões) previsto a partir do PIB de 2011 divulgado pelo IBGE, considerando na estimativa os valores esperados para crescimento real do PIB capturados no Boletim Focus para o biênio 2012/13. Depois calculou o PIB industrial perdido por feriados nacionais (R$ 37,9 bilhões) e por feriados estaduais (R$ 4,4 bilhões) ponderando feriados estaduais e municipais em dias úteis.

Para os estados, a metodologia do trabalho da Firjan estimou o PIB industrial com base na participação do valor adicionado bruto industrial sobre o valor adicionado bruto total em 2010 divulgado pelo IBGE. De acordo com os autores do trabalho "foram aplicadas as estimativas de crescimento do PIB nacional da indústria coletadas pelo Boletim Focus para 2012/13, mantendo a participação de cada unidade da federação sobre o PIB em 2009".

No caso dos estados, segundo os pesquisadores, o número de feriados e a incidência deles em dias de semana são fatores determinantes para as perdas econômicas. No Nordeste, Bahia, Pernambuco e Ceará, os estados mais industrializados respondem pelas maiores perdas em termos absolutos, conforme mostra a tabela abaixo extraída do trabalho da Firjan.

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Fortaleza

Extrapolando para o âmbito municipal a média de R$ 83 milhões para o PIB industrial perdido por feriados estaduais, um exercício meramente especulativo aponta um impacto negativo da ordem de R$ 56 milhões no setor industrial de Fortaleza devido aos dois feriados da Copa.

Preto no branco, entretanto, essa cifra é bem menor pelo fato de o PIB industrial contemplar a parte de serviços como Coelce e Cagece, cujo faturamento é afetado em escala menor que o da indústria de transformação.

Para a estimativa, considerou-se uma participação de 42% do PIB industrial da cidade, cerca de R$ 7 bilhões (2009), no PIB industrial do Estado, multiplicado pelos feriados da Copa.

Em Salvador, o impacto seria menor em função de dois aspectos: somente um feriado (quinta, 20.6) e o PIB industrial local ser cerca de um terço menor do que o fortalezense.

Projeção para serviços

Projetando-se a mesma metodologia para o setor de serviços, o impacto dos dois feriados extras na economia de Fortaleza alcançaria R$ 197,6 milhões, resultado da divisão do PIB de serviços da cidade (R$ 24,7 bilhões) pelo número de dias úteis de atividade em 2013 vezes dois (feriados da Copa).

Os dados referentes a Salvador são assemelhados quanto às medias globais e setoriais. A diferença na soma total das perdas é que em Salvador dos dois feriados, um caiu no sábado (22.6), enquanto em Fortaleza (19 e 27.6) nenhum coincidiu com final de semana.

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