Anuncie Aqui

Entraves à agroindústria de frutas e hortaliças no Nordeste

Existe ainda uma série de conflitos entre produtores e as agroindústrias de frutas e hortaliças do Nordeste. Nem a dependência de fornecimento de matérias-primas de terceiros foi capaz de solucionar os impasses entre os dois lados, basicamente relacionados com o trinômio preço/qualidade/regularidade de suprimento.

Um estudo do Banco do Nordeste, objeto de artigo da revista Conjuntura (http://www.bnb.gov.br/projwebren/Exec/rcePDF.aspx?cd_rce=20), constata  também outros problemas desse importante segmento da economia nordestina: a predominância de atravessadores no processo de comercialização, a dependência do Centro-Sul na compra de embalagens, rótulos e etiquetas e a elevada ociosidade entre pequenas e microunidades, justamente aquelas com maior capacidade de gerar emprego nas cidades do interior.

O trabalho – de autoria dos agrônomos Ailton Santos, Simone Brainer e do economista Wendell Carneiro -- teve por objetivo identificar o relacionamento entre os elos e diagnosticar os principais entraves ao desenvolvimento dessa cadeia agroindustrial.  A partir de entrevistas com os representantes de cada segmento, foi possível levantar os problemas com os supridores de matérias-primas, insumos e embalagens.

A pesquisa mostra que: regra geral, o suprimento de matéria-prima é feita na própria região, em áreas próximas às unidades processadoras concentradas, em especial, nos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio grande do Norte; que o Nordeste ainda depende da importação de vários insumos necessários à elaboração dos produtos (azeitona, ervilha, cogumelo, alcaparra, palmito, aspargo, picles,etc), e que a região também lança mão de produtos de outros estados e países tendo em vista a necessidade de diversificar produção, com inclusão de espécies nativas (cajá, jaca, bacuri, umbu, açaí e cupuaçu, etc) ou exógenas como pêssego e uva; a diferenciação sazonal das safras entre estados; e o fato de não produzir algumas matérias-primas, como, por exemplo, componentes de condimentos;  polpa de uva e amêndoa de cacau.

Conflitos – Conforme o agrônomo e consultor Ailton Santos, historicamente, os conflitos entre a agroindústria e o produtor envolvem preço pago e qualidade do produto. Na visão do industrial, falta ao fruticultor maior preocupação quanto à qualidade o que repercute no rendimento da produção e na programação de processamento da agroindústria. Já o fruticultor reclama dos preços, insuficientes para remunerá-los o que implica a adoção de práticas responsáveis por quedas acentuadas de produtividade e qualidade das frutas. Na visão dos técnicos, os ganhos obtidos com o processamento das frutas são apropriados somente pelos agroindustriais, ainda que os preços de mercado fiquem acima da média.

Aílton, entretanto, registra que o cenário sinaliza uma crescente integração das agroindústrias responsáveis pela primeira transformação das matérias-primas (produção de polpa, sucos concentrados, manteiga, liquor e pó de chocolate e amêndoa de castanha de caju) com aquelas responsáveis pela segunda transformação, que resulta na produção de alimentos prontos para consumo (sucos, doces, amêndoas de caju, chocolate e achocolatado, molhos, extratos e purê de tomate).

Atravessadores – Outro aspecto constatado na pesquisa é a predominância dos atravessadores na comercialização das frutas e hortaliças junto às agroindústrias. Para a agrônoma Simone Brainer, pesquisadora do BNB/ETENE, esse elevado nível de intermediação deve-se principalmente à desorganização dos pequenos produtores no Nordeste e à falta de escala de produção, na maioria dos casos em volume individual inferior à capacidade de transporte de um veículo de médio porte.

Segundo ela, a área de atuação do intermediário às vezes extrapola os municípios próximos das agroindústrias e alcança outros estados. Quando não tem interesse na transação, o próprio intermediário põe o a agroindústria em contato com o produtor, para negociação direta. A agroindústria beneficia-se com a compra direta dos produtores, principalmente, quando há dupla negociação, ou seja, a agroindústria compra o produto in natura e vende o processado ao produtor, para consumo próprio ou revenda. A forma de pagamento mais comum é a parcelada, embora a modalidade à vista seja comum nos negócios com as espécies nativas de fruteiras, a exemplo do jenipapo, cajá, tamarindo e umbu.

Dependência do centro-sul – Apurou-se na pesquisa que ainda há dependência de suprimentos no caso de outros insumos, embalagens e rótulos para os alimentos processados pelas agroindústrias, embora o Nordeste já fabrique sacos plásticos e caixas de papelão. O problema maior é o oligopólio para alguns tipos de embalagem.

No entendimento do pesquisador Wendell Carneiro, essa dependência implica elevação de custo de produção (transporte e tributação) e evasão de divisas do Nordeste, comprometendo a competitividade das empresas da região. O problema maior é de pequenos e micros em função de sua pequena escala de produção, que não alcança a quantidade mínima de venda exigida pelos fornecedores.

Voltar

 

A agência Prodetec é uma ferramenta voltada para divulgar artigos, estudos e pesquisas
sobre assuntos relacionados com o Nordeste

Imagine Comunicação Digital

Todos os direitos reservados. Reprodução do material permitida mediante citação da fonte.