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FEIJÃO CAUPI TEM GRANDE POTENCIAL DE PRODUÇÃO E LUCRO NO MEIO NORTE

Agência Prodetec

Maio 2009

O Meio Norte, que abrange Maranhão e Piauí, possui imenso potencial de áreas apropriadas para produzir feijão caupi, base da alimentação do nordestino e excelente fonte de proteínas. No conjunto são 2,3 milhões de hectares, boa parte de solos de aluvião e várzeas ao longo dos principais rios dos dois Estados e na nova fronteira agrícola dos cerrados. Esse potencial utilizado adequadamente constitui recurso fabuloso para elevar a produção e os níveis de produtividade na Região, representando fonte de lucro para agricultores e empresas interessadas em investir na cultura.

A Embrapa Meio Norte, com o apoio do Banco do Nordeste, via Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNDECI), fez uma pesquisa nos dois estados abordando os principais aspectos do negócio "feijão caupi", também conhecido por feijão de corda. O trabalho, realizado pelo Centro de Pesquisa Agropecuária do Meio-Norte, envolveu 21 especialistas de diversas áreas do conhecimento agronômico, contém informações atualizadas sobre o cultivo do feijão caupi.

A partir dele é possível expandir a cultura no Meio-Norte do Brasil e no resto do Nordeste, desde que obedecidos aspectos como escolha de cultivares adaptadas às regiões, uso de espaçamento e densidade de plantas, controle de plantas daninhas, pragas, doenças, irrigação, manejo e conservação do solo, práticas necessárias para o aumento de produtividade.

Por exemplo, a produtividade em diferentes regiões do Piauí alcançou 1.500 kg/ha nos experimentos de sequeiro e 2.200 kg/ha nos de irrigação, desempenho excelente considerando que, em 1998, conforme o IBGE, a produtividade regional foi, sob regime de sequeiro, de 712 kg/ha. O cultivo pode ser feito em duas safras ao longo do ano, sendo que no Sul do Maranhão existe um potencial para o cultivo de extensas áreas, isoladamente ou em cultivos consorciados.

Exigência de pouca água

A cultura do feijão caupi é pouco exigente em água, produzindo bem com o mínimo de 300mm de precipitação. Segundo os especialistas, está mais condicionada à distribuição do que à quantidade da água, pois o estresse hídrico próximo ou anterior ao florescimento pode acarretar severa retração do crescimento vegetativo, limitando a produção.

O bom desenvolvimento da cultura ocorre com temperatura entre 18o e 34oC. Significa dizer que não existem limitações técnicas para o crescimento e o desenvolvimento do feijão no Meio Norte que, além dos pequenos produtores tradicionais, está sendo cultivado também por grandes produtores, com alta tecnologia.

Com isso, a produção é mais padronizada, desperta interesse em companhias cerealistas e pode alcançando os grandes centros consumidores.

Variedade boa para irrigação

Os estudos sobre irrigação do feijão caupi no Nordeste não apresentam conclusão, ainda. No Piauí, as experiências conduzidas pela Embrapa em Parnaíba e Teresina testaram os melhores cultivares e a aplicação das lâminas de irrigação mais eficientes para a produção de vagens verdes e grãos secos.

A variedade BR 14 Mulato foi a mais eficiente no uso da água, nas condições de solo e clima de Teresina, sendo recomendada no caso de produção de feijão verde. Para a produção de grãos secos, tanto em Parnaíba como em Teresina, a variedade BR 17 Gurguéia mostrou-se mais eficiente.

Ao examinar a viabilidade econômica do cultivo irrigado de feijão caupi, os técnicos sustentam que ele foi muito favorável na produção de semente fiscalizada. Estudos feitos no período 1992/93, em solo de aluvião, mostraram, com base em preços de mercado, que a relação benefício/custo foi de 4,78. O detalhe é que a produção de semente fiscalizada na região é incipiente.

Para a produção de grãos, entretanto, é recomendada a realização prévia de análise de mercado. A tabela 7 apresenta resultados de uma simulação de receita líquida para o feijão irrigado em Teresina. Outro aspecto da condução da cultura irrigada que assegura importância econômica, aumentando as margens de lucro, é a execução de um manejo de irrigação que permita uma terceira colheita de vagens.

Segundo o agrônomo Milton Cardoso, veterano pesquisador da Embrapa Meio-Norte, em Teresina, e organizador da publicação contendo todos os estudos sobre caupi, a pesquisa Embrapa/Banco do Nordeste contribui para estimular a inserção dos produtores no mercado na medida em que são eles os principais beneficiários de seus resultados.

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