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PECUÁRIA REGIONAL: DESLOCAMENTO PARA ÁREAS DE FRONTEIRA AGRÍCOLA AFETA ATIVIDADE NO NORDESTE

O Nordeste perdeu posição na pecuária bovina brasileira entre 1985 e 2006, registrando decréscimo de 29,7% ou 4,6 milhões de cabeças no rebanho de corte e de 34,9% ou 1,8 milhão de cabeças no rebanho de leite. Conforme análise do BNB-Etene, com isso a participação regional em gado de corte reduziu-se de 16,4% para 9,7%. O Maranhão se destacou como o Estado que apresentou bom desempenho, tanto na pecuária de corte como de leite, com taxa média de crescimento superior à registrada para o rebanho do País como um todo.

A pecuária de corte brasileira cresceu lentamente nos últimos 20 anos, com taxa anual de 0,8%, deslocando-se do Sul e Sudeste para o Norte e Centro-Oeste. No Nordeste, o Maranhão se destacou como o Estado que apresentou bom desempenho, tanto na pecuária de corte como de leite, com taxa média de crescimento superior à registrada para o rebanho do País como um todo.

Segundo a última revista Conjuntura Econômica, editada pelo BNB-ETENE, os dados definitivos do Censo Agropecuário de 2006 informam que o rebanho brasileiro de gado de corte alcançou 112 milhões de cabeças, acréscimo de 17,3 milhões de cabeças entre 1985 e 2006. O Centro-Oeste responde por 42,9% do total, seguido pelo Norte (20%), Sudeste (15,5%), Sul (11,9%) e Nordeste (9,7%),

Conforme análise da revista, disponível no endereço www.bnb.gov.br/etene/publicações/consulta, no mesmo período, o rebanho leiteiro nacional reduziu-se em 3,4 milhões de cabeças (13,1%), como consequência do comportamento negativo observado nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul. Esse desempenho foi parcialmente compensado pela incorporação de 5,6 milhões de cabeças nos rebanhos leiteiros das regiões Norte e Centro-Oeste.

Maior perda

O rebanho nordestino de corte foi o que mais decresceu no período: 4,6 milhões de cabeças ou 29,7%. Com isso, a participação regional reduziu-se de 16,4% para 9,7%.

No caso do rebanho leiteiro, o impacto foi menor. Das três regiões com redução o Nordeste perdeu 1,8 milhão de cabeças ou 34,9%. Apesar disso, a participação nordestina no rebanho leiteiro caiu de 19,7%, em 1985, para 14,8%, em 2006. Exceto pelo Maranhão, nos demais estados nordestinos o rebanho leiteiro declinou em proporção consideravelmente superior à média do país no mesmo intervalo.

Conforme o economista Wendell Araujo Carneiro, pesquisador e gerente da Célula de Estudos Rurais e Agroindustriais do BNB-ETENE, essas reduções nos rebanhos especializados ocorridas no Nordeste entre 1995 e 2006 repetem – com atraso – um ajuste observado no Brasil e em outros países na década 1985/1995 "significando uma troca de quantidade por qualidade",

Para Wendell, dois outros fatos no período 1985/2006 certamente contribuíram para aumentar a concorrência nos mercados de carne e leite do Nordeste, provocando a saída de produtores ineficientes. O primeiro deles, explica, foi o declínio da cotonicultura, com a desestruturação do sistema de produção algodão-pecuária-lavouras. O segundo fato foi a evolução da cadeia de frios, associada com a consolidação do leite longa-vida, o que viabilizou mais importação de leite e carne de outras regiões.

Participação das Regiões e dos Estados do Nordeste no Rebanho Especializado de Corte, 1985, 1996 e 2006.

tabela-regioes-rebanhos

Rebanho maranhense foi o que mais cresceu

Na contramão do desempenho observado no Nordeste como um todo, no período 1985/2006, o Maranhão foi o único estado nordestino a ampliar o rebanho de corte, com acréscimo de 791 mil cabeças, obtendo uma taxa de crescimento média anual de 1,17%, superior à do país que ficou em 0,8%.

Dos demais estados, a Bahia teve a maior redução quantitativa, cerca de dois milhões de cabeças (-30%), seguida pelo Ceará, com 813 mil cabeças (-72%). Esses movimentos ocasionaram o aumento da concentração do rebanho de corte do Nordeste. Com efeito, a Bahia e o Maranhão, que em 1985 já detinham 63,5% do rebanho de corte da região, expandiram sua participação para 78,2%.

O rebanho leiteiro maranhense aumentou em 197 mil cabeças no período, alcançando 460 mil e um crescimento anual de 2,7%, atrás somente na média obtida pela região Norte (9,9%). Mesmo assim, o Estado não conseguiu desalojar o Ceará como titular do segundo maior rebanho regional de gado leiteiro, com 537 mil cabeças.

No Ceará, houve uma redução de 491 mil cabeças entre 1985 e 2006. Foi a maior da região, seguindo-se Bahia, com 428 mil e rebanho total de 1,3 milhão e Pernambuco, redução de 351 mil cabeças e rebanho total de 286 mil cabeças.

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