Anuncie Aqui

CULTURA DO MILHO NO NORDESTE, OPORTUNIDADES E AMEAÇAS

A cadeia produtiva desse grão, que está entre as principais fontes da alimentação de muitos povos, tem boas perspectivas no Nordeste. Segundo o trabalho feito pelo BNB-Etene, a região tem disponibilidade de áreas, adequadas em termos de clima e solo, para expansão do cultivo, instituições de pesquisas, crédito e boa infraestrutura para escoamento das safras. A produção regional de milho, que é bastante pulverizada, totalizou 4,2 milhões de toneladas na safra 2009/10, o equivalente a 7,5% da produção nacional, apesar de o Nordeste responder por 20,2% da área plantada com o grão (2,6 milhões de hectares).

Agência Prodetec

A cadeia produtiva do milho no Nordeste se apresenta desestruturada em relação a outras regiões brasileiras, requerendo esforços para atingir dinamização e eficiência, o que seria possível a partir da derrubada de obstáculos hoje presentes no segmento. Um estudo recente do BNB-Etene traça o diagnóstico da cadeia produtiva do milho, analisando suas oportunidades e fraquezas, pontos fortes e ameaças. Com expressiva relevância socioeconômica no Brasil, o grão tem uma grande representatividade na expansão e competitividade de setores como avicultura e suinocultura. No entanto, segundo os técnicos, a cadeia produtiva do milho está fragilizada sob o ângulo organizacional, desestimulando tanto a entrada de novos produtores quanto os que nele já atuam, frente a outras opções de mercado.

Para vencer as dificuldades, o trabalho do Etene sugere o desenvolvimento e difusão de: novas variedades adaptadas ao Nordeste, pesquisas para melhorar a qualidade do produto, técnicas adequadas de plantio, com menores impactos ambientais, bem assim a melhoria da assistência técnica e o acompanhamento para que os pequenos produtores consigam bons resultados em suas atividades. A esse conjunto de desafios, soma-se o problema da inadimplência, atualmente em patamares que dificultam o acesso a novos créditos e conseqüente crescimento do setor.

Conforme os pesquisadores, como o sucesso da cadeia produtiva depende, em grande parte, da eficiência na sua coordenação, a baixa eficiência desestimula a produção nordestina de milho. Eles sugerem não só mecanismos de crédito, como os já existentes, mas, também, acompanhamento técnico, do plantio à fase de comercialização, com estímulos a novos produtores com vistas a elevar a concorrência e o nível de tecnologia utilizada. Lembram, igualmente, a importância de políticas públicas para melhorar aspectos como infraestrutura, pesquisa e extensão rural, inclusive quanto aos outros elos da cadeia, a exemplo da suíno-avicultura, visando à obtenção de um produto mais competitivo.

Pontos positivos

O Nordeste apresenta uma série de vantagens para a produção de milho: terras a custo acessível, em alguns casos em áreas apropriadas à mecanização da lavoura; crédito; infraestrutura satisfatória para escoamento da produção; clima favorável para utilização do sistema de sequeiro, principalmente na área de cerrados; e a existência de instituições de pesquisa voltadas para o desenvolvimento do setor.

Atualmente, a produção regional de milho ocorre de forma bastante pulverizada e, em sua maioria, em pequenas propriedades, à base de tecnologias tradicionais. Entretanto, em regiões como os cerrados da Bahia, Maranhão e Piauí já se observa o uso de técnicas modernas no cultivo do grão. Na safra 2009/2010, a produção regional somou 4,2 milhões de toneladas, com destaque para o estado da Bahia, que responde por 52,7% do total, mas apenas por 4% da safra nacional.

A safra regional representou somente 7,5% da produção nacional, apesar de o Nordeste possuir 20,2% da área (2,6 milhões de ha plantados, dos quais 780 mil ha, na Bahia). Os outros destaques da produção regional são Sergipe (723 mil toneladas), Maranhão (562 mil toneladas) e Piauí (354 mil toneladas). Para a safra 2010/2011, a estimativa é que a produção regional alcance 4,4 milhões de toneladas, 5,2% acima da anterior.

Produtores e custos

A maior produção regional de milho concentra-se em áreas de cerrado da Bahia, Piauí e Maranhão, fato que pode implicar a futura migração da avicultura e da suinocultura para essas regiões onde as atividades apresentariam menores custos. O Oeste da Bahia é o principal polo do grão, com destaque para os municípios de São Desidério, Formosa do Rio Preto, Barreiras, Correntina, Jaborandi, Luís Eduardo Magalhães e Adustina. Ainda na Bahia, destacam-se Paripiranga, Richão das Neves e Jeremoabo, enquanto em Sergipe, os produtores mais importantes são Carira, Simão Dias, Frei Paulo, Nossa Senhora Aparecida e Pinhão. Outros municípios nordestinos se sobressaem pela produção de milho: Mauriti (CE), Loreto e Santa Luzia (MA), Uruçuí e Baixa Grande do Ribeiro (PI).

Segundo dados do BNB, a cultura do milho na região do cerrado baiano apresentou a melhor relação custo/receita, variando de 29% em termos de níveis tecnológicos baixos a 37% e 36% para os níveis tecnológicos médio e alto, respectivamente. Em Uruçuí (PI), microrregião do Alto Parnaíba, verifica-se a utilização da adubação química e mecanização das lavouras, propiciando um bom rendimento. Os maiores índices da relação custo/receita foram apurados na região de Açailândia (MA).

Veja mais em: www.bnb.gov.br/etene/publicacoes

Voltar

 

A agência Prodetec é uma ferramenta voltada para divulgar artigos, estudos e pesquisas
sobre assuntos relacionados com o Nordeste

Imagine Comunicação Digital

Todos os direitos reservados. Reprodução do material permitida mediante citação da fonte.