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MAMONA AINDA ENFRENTA PROBLEMAS NO NORDESTE
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Foto: MDA Divulgação

Indicada como alternativa para produção de biodiesel, a cultura da mamona ainda depende da solução de alguns problemas para se consolidar no Nordeste, especialmente o relativo à comercialização. A região produz 95% da mamona do Brasil, multiplicando por quatro sua produção no intervalo entre os dois últimos censos agropecuários.

Fortaleza (Agência Prodetec) – De acordo com relatório elaborado pelo BNB-Etene, no intervalo entre os dois últimos censos agropecuários, a produção de mamona no Nordeste multiplicou-se por quatro. Passou de 14,5 mil toneladas, em 1996, para 58,8 mil toneladas, em 2006, o equivalente a 95% de toda a produção nacional (61,8 mil t). Nesse interstício, a área cultivada elevou-se bem menos, de 61,1 mil para 108,1 mil hectares, refletindo ganhos de 130% na produtividade que alcançou 544 kg/ha, em 2006.

O Censo de 2006 mostrou que a cultura da mamoneira é típica de pequenos agricultores, sendo cultivada em 23,7 mil estabelecimentos, dos quais 96% no Nordeste, com média de 4,7 hectares por propriedade. Desse total, 82% estão na Bahia que produziu 50,7 mil toneladas do total do país. O segundo maior produtor, o Piauí, alcançou 4,3 mil toneladas, seguindo-se Pernambuco e do Ceará: 2,2 e 1,2 mil toneladas, respectivamente.

Ainda de acordo com o relatório do Etene, comparativamente ao Censo de 1996, a produção nacional cresceu 297%, de 15,5 para 61,8 mil toneladas, desempenho fortemente influenciado pelo comportamento da safra baiana, cujo crescimento atingiu 383% no mesmo período. Entre os dois censos, a participação da Bahia na produção brasileira avançou 10 pontos percentuais, de 71,7% para 82%.

Perspectivas

Colocada como principal alternativa de matéria-prima para a produção de biodiesel, a cultura da mamona ainda depende da solução de alguns problemas para se consolidar no Nordeste. O maior deles diz respeito à comercialização, organização e capacitação do pequeno agricultor para lidar com a cultura, visto que a parte agronômica está sendo bem encaminhada com pesquisas voltadas para elevar seu rendimento.

Para os pesquisadores, mesmo com as adversidades existentes a mamona representa uma alternativa para o produtor nordestino, mormente se for garantida a comercialização. Segundo eles, esse ponto e o anúncio da ANP (Agência Nacional de Petróleo) sobre a impropriedade do óleo da planta para produzir biodiesel, em razão de sua alta viscosidade, fez a mamona perder posição como insumo do programa nacional de biodiesel, embora apresente um alto teor de óleo (50%) e vantagens sobre outras culturas.

Vale salientar que a partir da última década o governo incentivou a ricinocultura no país, especialmente no semiárido, com o objetivo de garantir matéria-prima para o programa nacional de biodiesel e proceder a inclusão social de milhares de agricultores familiares. As dificuldades nesse sentido mostram a necessidade de constituição de parcerias sólidas entre a indústria de esmagamento, refinadoras e os produtores visando à integração de suas ações dentro da cadeia produtiva.

Múltiplas aplicações

A mamona produz um óleo riquíssimo utilizado na indústria em mais de 500 diferentes aplicações (lubrificantes, cosméticos, tintas, plásticos, lentes de contato, próteses etc.), tendo mercado pujante, com demanda e preços crescentes. Além do óleo da semente, a planta proporciona a produção de biomassa, tecidos e de uma torta que serve como adubo orgânico para recuperar solos esgotados.

No Nordeste, a mamona é tradicionalmente cultivada em consórcio com milho, feião e arroz, servindo como complemento de renda para o pequeno agricultor. Muitos, entretanto, por tradição e falta de conhecimento adequado deixam de cultivar mamona por temer prejuízos aos animais, dada a fama tóxica que acompanha a planta e o seu sistema de exploração em pequenas roças mal cercadas.

Para o pesquisador George Alberto de Freitas, falta ao Brasil, que já é um dos grandes produtores, aproveitar as oportunidades e organizar-se, agregando valor ao óleo bruto, a fim de tornar-se, também, exportador de seus subprodutos.

ANOTE

  • Índia e China são os principais concorrentes do Brasil na produção de mamona
  • A mamona pode ser vendida na forma de baga e de óleo bruto ou refinado
  • A melhor forma de exploração é comercializar seus derivados, dentre eles o óleo desidratado ou hidrogenado, opção ainda pouco explorada no Brasil.
  • O preço da mamona no mercado internacional é bastante instável sendo determinado mais pela oferta do que pela demanda, que é inelástica.
  • O preço médio do óleo bruto em Roterdã (2011) alcançou US$ 2 mil por tonelada
  • Preço médio pago ao produtor brasileiro: R$ 90,7 a saca de 60 kg (Conab, agosto 2011).
  • Em 2011, Conab aponta alta de 31,9% da produção, 23,7% da área cultivada e 6,9% na
  • produtividade média da mamona.
  • O custo por hectare varia segundo a produtividade (de R$ 1.177,00 a R$ 1.385,00, em 2009).
  • O valor da receita também varia muito, a depender da escala (média de R$ 774,00 a R$ 1.365,00 por hectare).
  • O alto preço dos fertilizantes e corretivos, que chega a representar 25% das despesas, é o grande vilão da disparidade entre receita e custo.

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TRÊS FOCOS E UM SÓ OBJETIVO

Os focos da atuação do BNB no Programa do Biodiesel (PNPB) estão centrados no tripé desenvolvimento tecnológico, financiamento e política de desenvolvimento territorial. Como resultado, a instituição quer fortalecer as premissas do Programa e vencer os desafios, especialmente em termos de desenvolvimento das energias renováveis com garantia de inclusão social. Dada a sua relevância e magnitude, o PNPB passou a compor a carteira de projetos prioritários do BNB a partir de seu lançamento.

Para o sucesso do Programa do Biodiesel é necessário olhar todas as outras etapas do processo, a exemplo da questão da logística para o recebimento da produção, do acompanhamento das condições de comercialização, da implantação das unidades de beneficiamento para extração do óleo bruto, melhoria da produtividade, expansão do zoneamento agrícola, inclusão do PROAGRO MAIS para os beneficiários do PRONAF B e melhor aproveitamento dos subprodutos derivados do beneficiamento da mamona, possibilitando a geração de renda adicional para o produtor.

Um dos pontos a colocar em prática é o incentivo para que o agricultor familiar reunido na forma de associações e cooperativas possa instalar pequenas unidades de esmagamento, de forma a agregar valor à atividade.

Tecnologia e Crédito - Preocupado com a questão tecnológica, o Banco lançou em 2006 aviso específico para seleção de projetos de pesquisas focados na produção de biodiesel, particularmente quanto aos seguintes aspectos: desenvolvimento de tecnologia para novos produtos a partir da glicerina, difusão de tecnologia para a produção de mamona, apoio à instalação de infraestrutura laboratorial, desenvolvimento de implementos agrícolas relacionados à mamona e identificação de processos para a desintoxicação e aproveitamento da torta de mamona. Paralelamente, apoiou 45 outros projetos de pesquisa para os quais foram desembolsados R$ 2,8 milhões.

No caso do crédito, o BNB definiu como estratégia a realização de parcerias com empresas integradoras, garantindo ao agricultor contrato específico para entrega da produção, assistência técnica, fornecimento de sementes, definição prévia de preços remuneradores para os produtores e remuneração por produtividade, dentre outros pontos. Nesse particular, a direção do Banco ultima as providências para a assinatura de convênios específicos no valor de R$ 50 milhões destinados a custear a produção e compra de matéria-prima a partir da organização da cadeia produtiva.

O produtor também será beneficiado por mecanismos de defesa, como o seguro agrícola (PROAGRO MAIS) e o selo social criado para estimular as empresas esmagadoras a adquirir a produção oriunda da agricultura familiar.

Agentes de desenvolvimento – Além do crédito, o BNB também mobiliza sua rede de Agentes de Desenvolvimento para identificar o potencial dos territórios onde atua e agilizar a realização de negócios e parcerias com foco no desenvolvimento sustentável. Trata-se de funcionário destacado e treinado especificamente para dar suporte à estruturação de atividades econômicas e propiciar maior acesso ao crédito.

Em 2006, esses agentes identificaram 700 grupos produtivos, dos quais 218 estão recebendo prioridade quanto à mobilização dos parceiros (governos, empresas e organizações sociais), identificação de entraves à consolidação das atividades e planejamento estratégico. (Mar/2007).

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