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PESQUISADORES FAZEM SUGESTÕES PARA FOMENTAR PRODUÇÃO DE CACHAÇA NO NORDESTE

Eventos como a Copa e os jogos olímpicos podem ser aproveitados para divulgar mundialmente a cachaça brasileira e reforçar sua exportação para a Europa e os Estados Unidos, onde as bebidas destiladas latinas gozam de enorme popularidade. O segmento é um dos mais importantes do agronegócio brasileiro com vendas expressivas no mercado interno e a exportação de 10,6 milhões de litros para mais de 50 países.

O desenvolvimento da cadeia produtiva de cachaça no Nordeste e norte mineiro passa pela realização e difusão de pesquisas de variedades de cana mais adequadas à fabricação do produto, bem assim dos resultados de estudos acerca do sistema produtivo. Depende, também, de ações voltadas para capacitar o produtor, ampliar o crédito e a assistência técnica, estimular o associativismo como forma de acessar o mercado, induzir novas práticas de gestão, comercialização e produção agrícola, e instalar engarrafadoras regionais que preservem o caráter artesanal da produção de cachaça.

As recomendações nesse sentido constam de um relatório recente realizado do BNB-Etene sobre a atividade que, nos últimos anos, firmou-se como importante item do agronegócio brasileiro com vendas expressivas no mercado interno e exportação de 10,6 milhões de litros para mais de 50 países. Hoje, a cachaça é a terceira bebida destilada mais consumida no mundo, após a vodca russa e o soju coreano.

De acordo com os pesquisadores do BNB, a produção de cachaça na região apresenta boas oportunidades, com potencial de expandir mercado entre consumidores de maior poder aquisitivo e no mercado externo. Segundo eles, eventos como a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e os jogos olímpicos de 2016, podem ser aproveitados para divulgar mundialmente a cachaça brasileira e reforçar sua exportação para a Europa e os Estados Unidos, onde as bebidas destiladas latinas gozam de enorme popularidade.

Panorama

Depois de São Paulo, a maior produção de cachaça se concentra nos estados de Pernambuco, Ceará e Rio de Janeiro, onde o forte é o segmento industrial representado por empresas de médio e grande portes que conseguem escala de produção. Em Minas Gerais, outro grande produtor, predomina a fabricação e exportação da chamada cachaça de alambique.

De acordo com o relatório do BNB-Etene, apesar do destaque de algumas marcas, que conseguem preços elevados, a cachaça artesanal se caracteriza pela presença de pequenas unidades e por questões relacionadas com a informalidade, falta de infraestrutura, utilização de conhecimentos empíricos e alta carga tributária.

A esse quadro somam-se problemas como os elevados custos de comercialização, distribuição e exportação, baixo volume de produção, e a falta de padronização, especificamente no caso do pequeno produtor. Para os pesquisadores, são dificuldades que dificultam em muito a consolidação da cachaça no mercado externo e também interno.

Mas o segmento da cachaça artesanal, no geral, contribui para a fixação do homem no campo e gera muita ocupação e renda no interior, estimando-se que a produção de cada 10.000 litros de cachaça de alambique garanta dois empregos diretos.

Dificuldades e recomendações

Em termos gerais, os pesquisadores alinharam os principais problemas enfrentados pelo setor produtivo de cachaça no Nordeste, fazendo, ainda, sugestões para o seu equacionamento: alto grau de informalidade, custos elevados, falta de capital de giro, inexistência de variedades de cana adequadas à produção de cachaça, massificação da venda a granel de produto de baixa qualidade; ausência de controle de custos, acesso ao crédito, baixo nível tecnológico, falta de qualidade e padronização do produto, inexistência de empresas produtoras de máquinas e equipamentos de qualidade, forte concorrência do Sudeste do País, principalmente de São Paulo; produtos com baixo valor agregado devido às atuais condições de produção; carência de pesquisa e de sua difusão, degradação ambiental pela queima de lenha e descarte de vinhoto no solo, falta de dados concretos sobre produção e comercialização, preconceito histórico contra a cachaça, elevada carga tributária, assistência técnica, exportação a granel para envasamento no exterior e pirataria das marcas registradas.

Ações a desenvolver

● Incentivar e apoiar a realização de pesquisas científicas junto a Universidades, Embrapa e demais centros de pesquisa, para seleção de variedades de cana-de-açúcar mais produtivas para a fabricação de cachaça, no intuito de potencializar a sua exploração econômica. Seria importante selecionar materiais adaptados a cada região produtora;

●Disseminar os resultados das pesquisas concluídas e em andamento sobre o
sistema produtivo da cachaça, desenvolvidas nos centros de pesquisa da Região Sudeste do País;

●Apoiar o Curso Superior de Tecnologia em Produção de Cachaça, da Escola
Agrotécnica Federal de Salinas, por meio de financiamento a projetos de pesquisa agronômica e também na parte de processos;

●Destinar recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) à capacitação dos trabalhadores rurais para o aperfeiçoamento do manejo da cultura e a melhoria da qualidade do produto;

●Expandir a assistência técnica e viabilizar a capacitação e sensibilização dos produtores com relação à gestão, comercialização e produção agrícola de cachaça;

●Estimular a criação de associações e cooperativas como ferramenta mais adequada para o pequeno produtor se inserir no mercado;

●Implantação de engarrafadoras regionais que preservem o caráter artesanal da produção de cachaça;

●Viabilizar linhas de crédito para investimento (modernização dos engenhos) e capital de giro.

Sobre a cachaça

  • Cachaça é a denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica entre 38 a 48%, com características sensoriais peculiares.
  • É obtida a partir da destilação do mosto fermentado de cana-de-açúcar, podendo ser adicionada de açúcares expressos em sacarose em até seis gramas por litro.
  • A maioria dos produtores de cachaça no Brasil é de micro e pequeno portes, utilizam pouca tecnologia, produzindo pequenos volumes comercializados localmente. Coexistem no Brasil dois modelos de produção: industrial (coluna) e artesanal (de alambique).
  • O segmento artesanal ocupa um espaço aproximado de 20% da produção total de aguardente de cana no Brasil.


Três empresas (Muller, Pitu e Ypioca) monopolizam as exportações brasileiras, sendo que em termos regionais Sudeste (50%) e Nordeste (24%) respondem por três quartos do total.

Pernambuco responde por 20% do total do Brasil e 86% do Nordeste.

Os principais destinos da cachaça brasileira são Alemanha, Paraguai, Portugal e Estados Unidos.

A Alemanha comprou 2,8 milhões de litros em 2010 (6,4%), sendo também principal importadora do Nordeste (71,7% do volume total).

Pernambuco recebe os menores preços, o que pode estar relacionado ao fato de realizar exportação do produto a granel. O Ceará tem conseguido preços bem superiores nos últimos anos, atingindo em 2010 valores semelhantes à cachaça produzida em Minas Gerais.

Os melhores preços no mercado internacional são obtidos pela cachaça produzida em Minas Gerais, o que está associado ao tipo (artesanal de boa qualidade) e por destinar-se a nichos de mercado mais exigentes.

No mercado externo, o consumidor prefere a cachaça branca que está indissociavelmente relacionada com a caipirinha, cuja popularidade é a crescente.

No Brasil, mercado de cachaça é altamente pulverizado, com muitas marcas regionais e poucos com distribuição nacional. Quatro cachaças industriais dominam o mercado (51, Velho Barreiro, Pitu e Ypióca), tendo unidades de engarrafamento nos maiores centros consumidores do País.

A cachaça artesanal formalizada e de melhor qualidade conseguem ser comercializadas em todas as regiões brasileiras em supermercados, bares, lojas de conveniências, mas enfrentam dificuldades para se inserir no mercado.

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