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NORDESTE: CENÁRIOS, RISCOS E PANORAMA DA CULTURA DO FEIJÃO

A produção brasileira de feijão é a maior do mundo, mas o país exporta pouco porque o consumo interno continua elevado, embora o consumo per capita venha caindo nas últimas décadas. A cultura pode melhorar com iniciativas como a agregação de valor ao produto via desenvolvimento de alimentos semiprontos, incentivo ao mercado de orgânicos, adoção de práticas de cultivos mais modernas e estímulo à comercialização do feijão verde, produto de grande aceitação regional.

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Sebastião Leal – Secom (PI)

Pequenos produtores de feijão no sertão piauiense

AGÊNCIA PRODETEC ∏∏ [ABRIL 201O]

Os preços para o feijão apresentam-se firmes nesse início de trimestre em virtude da baixa oferta do produto, provocada por problemas climáticos. O excesso de chuvas no Centro-Sul do País e a estiagem no Nordeste afetaram o rendimento e a qualidade da primeira safra, reduzindo a oferta do produto de melhor qualidade.
Até fevereiro último, a cotação do feijão carioca apresentava queda anual entre 24%, na Bahia, e 10% em São Paulo, contra 38% do feijão preto. No início de março, essas perdas já tinham sido praticamente anuladas para o caso do tipo carioca, com aumento em torno de 22% nas praças baianas (Barreiras e Irecê) e de 67% em São Paulo. Para o feijão preto, a alta foi de 15%.

A produção brasileira de feijão na safra 2009-10 é estimada em 3.546 mil toneladas, queda de 11,1% sobre a anterior, das quais 921 mil toneladas a cargo do Nordeste, com destaque para Bahia (360 mil t) e Ceará (158 mil t). O Nordeste possui a maior área plantada do País, mas produtividade muito baixa (408 kg/ha) por conta das características de produção do feijão: centrada em pequenos minifúndios sob responsabilidade de um agricultor familiar sem assistência técnica e baixo emprego de tecnologia que, em sua maioria, explora a atividade para atender ao próprio consumo. A produtividade mais alta em estados como a Bahia (615 kg/ha) deve-se ao uso da irrigação e à entrada de grandes produtores e tecnologia na atividade.

Análise setorial
Numa análise sobre a cultura, disponível em (www.bnb.gov.br/etene/publicacoes/consulta), o ETENE informa que o consumo per capita de feijão entre os brasileiros (17 kg/ano), decresceu e tende a continuar em queda nos próximos anos. Isso ocorre, em especial pela mudança nos hábitos alimentares, mais voltados para a aquisição de produtos elaborados e semiprontos, que não demandam tempo de preparo como ocorre com o grão seco.
Para o coordenador do trabalho, o economista maranhense Wendell Araujo Carneiro, isso não chega a preocupar. Primeiro, porque o feijão continua sendo um alimento básico na dieta do brasileiro, tendo ainda um número muito grande de apreciadores. Depois, porque é cada vez maior a preocupação do consumidor daqui e de fora com produtos mais naturais e saudáveis.
Segundo o pesquisador, isso abre caminho para elevar o consumo do produto in natura, sobretudo o cultivado organicamente, bem assim a maiores esforços no sentido de estruturar melhor a cadeia produtiva do feijão no País. Hoje, a obsolescência na atividade é elevada, não pela falta de tecnologia adequada e sim pela descrença do agricultor quanto a vantagens de seu uso.
Para Vladimir Sena, outro pesquisador do ETENE envolvido com o trabalho, essa situação mostra a necessidade de uma política diferenciada de incentivo à produção e comercialização do feijão por parte dos pequenos agricultores, "que assim poderiam se inserir no mercado e ampliar as condições de autossustentação", explica.
Recomendações
A análise feita pelo ETENE abrange análise de risco, panorama da atividade dentro e fora do Brasil e aspectos relativos ao financiamento do feijão no Nordeste. Entre as recomendações para a cultura, destacam-se as seguintes:
 Manter as políticas de aquisição de alimentos do governo, com a organização dos produtores visando a melhor negociação dos preços.
 Estimular o consumo via agregação de valor ao produto (desenvolvimento de alimentos semiprontos, o que diminui o tempo de preparo);
 Incentivar o mercado de orgânicos como opção, principalmente para agricultores familiares, o que implica assistência técnica qualificada para treinar e esclarecer o produtor sobre tratos culturais alternativos e legislação de orgânicos;
 Adotar práticas de cultivos mais modernas, como irrigação e uso de variedades melhoradas;
 Desenvolver pesquisas visando à redução do tempo de cocção do grão do feijão, fator que tem influenciado negativamente em seu consumo;
 Estimular a comercialização do feijão verde, produto de grande aceitação regional, apresentado a vantagem de ter cozimento mais rápido e maior valor comercial;

Para saber mais:
www.bnb.gpv.br/etene/publicacoes/consulta.

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