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URUCUM COMO NOVA ALTERNATIVA PARA AGRONEGÓCIO DO NORDESTE

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As propriedades do urucum chamam a atenção do mercado internacional, que vem substituindo os corantes sintéticos por similares obtidos de fontes naturais, segundo as recomendações de organismos internacionais como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a FAO. A tradição no cultivo do urucuzeiro e a demanda crescente por corantes naturais tornam o urucum como alternativa rentável para a agricultura nordestina.

AGÊNCIA PRODETEC ∏∏ [marçO 2011]

Os novos usos do urucum na indústria e na farmacologia, aproveitando a nova tendência ecológica de valorização e procura por produtos naturais, podem representar oportunidades de negócios para a região, onde as condições edafoclimáticas são propícias ao urucuzeiro. A planta cresce praticamente em todo tipo de solo, possui razoável tolerância à seca, floresce e frutifica o ano inteiro, com safras maiores quando a chuva é bem distribuída.
A variada aplicação do urucum como fonte de corante natural na substituição dos corantes sintéticos é um divisor do mercado, especialmente por conta da demanda insatisfeita para a bixina. Trata-se de uma substancia encontrada na camada pigmentada que envolve a semente e que faz a planta ter grande importância econômica. A bixina é largamente empregada como corante, estimando-se que 70% de todos os corantes naturais usados em alimentos no Brasil são oriundos do urucum.
Seu consumo não é prejudicial à saúde, pois além de reduzir o colesterol, dispõe de altos teores de proteínas, aminoácidos essenciais, cálcio, potássio, ferro, fósforo e vitaminas A, B2 e C.
Boas perspectivas
Conforme a coordenadora da pesquisa, agrônoma Fátima Vidal, tanto o mercado brasileiro como o internacional apresentam boas perspectivas para o urucum em função de vários fatores. Ela destaca como os principais: a tendência mundial para uso de produtos ecologicamente corretos, as restrições que a FAO e a Organização Mundial da Saúde fazem ao uso de corantes artificiais no consumo humano e a nova maneira de conceber os produtos industrializados, isentos de aditivos, de grande aceitação em diferentes regiões do mundo, notadamente nos Estados Unidos, Japão e Europa.
Com isso, existe um amplo horizonte para plantas como o urucuzeiro, fonte de matéria-prima de corantes naturais, cujo consumo apresenta-se em crescimento com demanda insatisfeita dentro e fora do Brasil. Com um detalhe: entre os corantes naturais, o urucum se destaca por apresentar boa estabilidade, fácil aplicação e atoxicidade, daí o seu uso crescente na indústria de alimentos (queijos, cremes, manteiga, margarina, pó para refrescos/pudins/gelatina, sopa em pó, iogurtes, sorvetes, entre outros; massas e panificação; embutidos), bebidas (refrigerantes, vinhos, licores, sucos), rações para aves; na indústria farmacêutica, de cosméticos e têxtil. É utilizado ainda com fins medicinais e em produtos como tintas, vernizes, ceras para assoalho, graxas para sapato, etc. A planta também possui potencial para ornamentação.
Produção e produtividade
O Brasil produz em média 12.400 t/ano de grãos de urucum, mas apenas 20% destinam-se à indústria de corantes naturais, fato que estaria vinculado aos altos custos de sua produção, bem superior ao sintético. A maior parte da produção, que provem sobretudo da agricultura familiar, é direcionada para a fabricação de colorau (colorífico), amplamente consumido pela população brasileira.
A produção nordestina já foi uma das maiores do País, mas a partir do final da década passada experimentou quedas significativas, perdendo espaço para o Sudeste e o Norte. Entre 1999/08, a produção regional caiu de 6,2 mil para 2,4 mil toneladas, enquanto no Sudeste avançou 165% como conseqüência do esforço dos fabricantes de corantes, Preocupados em diminuir seus custos de transporte e em contar com grãos com maior teor de bixina, as empresas apoiaram a ampliação e modernização da atividade em São Paulo, onde se localizam as principais indústrias de corantes naturais do Brasil.
No Nordeste, os maiores produtores de urucum são os estados da Paraíba (1,1 mil t) e Bahia (924 t), este último com safras declinantes, média de 80% entre 1999 e 2008. No Maranhão, aconteceu o mesmo, com a produção caindo de 465 toneladas, em 2001, para apenas 70 toneladas, em 2008.
Quanto à produtividade, há uma grande variedade entre regiões e estados produtores, merecendo destaque o desempenho da cultura em Alagoas, cuja produção começou em 2003 com 293 kg/ha, passando para 1.387 kg/ha, em 2008, a maior observada no País.
Agroindústria
A grande limitação para o desenvolvimento da cultura do urucum no Nordeste é a ausência de indústrias para extração, processamento e exportação da bixina, deixando o mercado restrito à fabricação de colorau. A região dispõe apenas de uma pequena indústria nesse segmento que é concentrada em São Paulo, sob controle de grandes multinacionais.
A expansão dos cultivos no Nordeste, segundo recomenda o trabalho do ETENE, deve ser feita de forma mais empresarial, com cuidados quanto ao aprimoramento técnico-agronômico, difusão das tecnologias já existentes e construção de uma estrutura adequada de comercialização do produto.

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OPÇÃO DO CONSUMIDOR POR CORANTE NATURAL
FAVORECE UTILIZAÇÃO E VENDA DO URUCUM

 

Os índios costumavam se embelezar para suas festas utilizando o vermelho intenso obtido do urucuzeiro. As sementes piladas dão origem ao popular colorau, que tem condimentado e colorido a culinária de todo Brasil. Agora, as propriedades do urucum chamam a atenção do mercado internacional, que vem substituindo os corantes sintéticos pelos obtidos de fontes naturais, seguindo as recomendações de organismos internacionais como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a FAO.

Conforme estudo do ETENE, disponível no endereço www.bnb;gov.br/etene/publicacoes/consulta, a tradição no cultivo do urucuzeiro e a demanda crescente por corantes naturais tornam o produto uma alternativa agrícola rentável para o Nordeste, cujas condições edafoclimáticas são apropriadas ao desenvolvimento da cultura.
O problema maior à expansão dessa atividade na região é a falta de indústrias de processamento e exportação da bixina, o que deixa o mercado limitado à fabricação de colorífico de forma caseira e com baixo nível tecnológico, o que implica preços baixos pagos pela matéria-prima.
Multiuso na indústria e na cozinha
A bixina, corante extraído da polpa da semente, tem larga aplicação nas indústrias alimentícia, farmacêutica, cosmética e têxtil, dentre outras, alcançando altos preços no mercado. É utilizado ainda com fins medicinais e em produtos como tintas, vernizes, ceras para assoalho, graxas para sapato, além de ter potencialidade como planta ornamental.
Em 2007, por exemplo, o produtor recebia de R$ 0,80 a R$ 1,00 por ponto percentual de bixina, mas o quilo de bixina cristalizada (90%) corantes especiais atingia R$ 300,00. As demais formas de comercialização do corante natural de urucum recebem preço menor, porém bem superior ao pago pelo colorífico.
Vale salientar que no Brasil, apenas 20% da produção brasileira de urucum são direcionados hoje para a fabricação de corante natural. Esse desempenho estaria associado ao seu custo de produção, superior ao corante sintético.
Adaptação e resistência
A cultura do urucum pode trazer muitos benefícios aos municípios do semiárido nordestino, seja no âmbito econômico, social ou ambiental. Outra grande vantagem de exploração do urucuzeiro no Nordeste é sua adaptabilidade e resistência. Cresce praticamente em todo tipo de solo e possui razoável tolerância à seca.
Além disso, o arbusto floresce e frutifica o ano inteiro, com safras maiores quando a chuva é bem distribuída. O cultivo familiar é responsável pela maior parte da produção nacional, indicando que do urucum é fonte de renda representativa para o pequeno agricultor. Como o principal destino da produção é o mercado interno sob a forma de colorau (80%), a utilização do urucum como corante natural para os mais diversos tipos de indústria ainda se constitui potencial a ser explorado.
Produção e consumo
Além de maior consumidor, o Brasil é também o maior produtor mundial de urucum, com média anual em torno de 12,4 mil toneladas, seguido de Peru e Quênia. Todavia, não produz em quantidade e regularidade suficientes para atender o mercado externo.
A cultura perdeu terreno no Nordeste, com quebra de 61% na produção entre 1999 e 2008 ante um avanço de 165% no Sudeste provocado pelo esforço da indústria localizada em São Paulo, onde hoje se produz o melhor urucum do Brasil para abastecer grupos como Christian Hansen, grande fornecedor mundial de corantes naturais.
No Nordeste, os maiores produtores são Paraíba e Bahia, sendo que este estado apresentou queda de produção (80%) entre 1999/08, o mesmo acontecendo no Maranhão que de 465 toneladas, em 2001, caiu para apenas 70 toneladas, em 2008, por conta das dificuldades na comercialização.
No caso do mercado externo do urucum, os principais centros consumidores são os Estados Unidos, a Europa e o Japão, onde é mais intensa a exigência pela substituição dos corantes sintéticos. Isso aumenta a demanda pelo produto natural e abre perspectivas de um mercado promissor para a exportação de matéria-prima beneficiada em pasta ou concentrado, em vez da simples comercialização da semente.
Segundo o estudo do ETENE, esse panorama indica a atividade como uma excelente oportunidade de investimento no Nordeste, desde que explorada com rigor técnico e orientação comercial em vez de realizado de forma rudimentar como observado na maioria dos estados. A título de sugestão para o produtor interessado, o trabalho faz algumas recomendações relevantes para a expansão da atividade na região:
• Substituição gradativa das variedades de baixo teor de bixina por materiais mais produtivos;
• Apoiar a produção de mudas de boa qualidade;
• Incentivar o consórcio com outras culturas, de forma a diversificar as atividades e minimizar o risco;
• Apoiar a modernização das pequenas indústrias beneficiadoras do urucum e a diversificação dos produtos;
• Conscientizar os produtores dos benefícios da centralização da comercialização através de associações ou cooperativas, facilitando assim o fechamento de contratos com grandes grupos empresariais

Veja mais em: www.bnb.gov.br/publicacoes

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