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NORDESTE PERDE RECURSOS PARA REGIÕES RICAS

A drenagem é estimada em R$ 24 bilhões anuais (6,2% do PIB regional), média das transferências entre dez./07 e dez./09. Considerada a relação depósito/operação de crédito no Nordeste, de 137 reais captados, apenas 100 são aplicados internamente. O restante segue para outras áreas, comprovando que o sistema financeiro nacional ajuda a concentrar renda em termos espaciais.

Agência Prodetec ∏∏ [JUNHO 2010]

O Banco do Nordeste acaba de divulgar estudo sobre a drenagem da poupança regional para áreas mais ricas do país, por intermédio do sistema bancário. Parcela significativa dos recursos do Nordeste flui para financiar as operações de crédito do Sudeste. Considerada a relação depósito/operação de crédito, a média no período 2007/09 ficou em 1,37 na região. Significa que para R$ 137 captados no Nordeste apenas R$ 100 são aplicados internamente. O restante segue para outras áreas.

Com base nesse parâmetro, o estudo indica que o Nordeste continua sendo a região mais penalizada pelo funcionamento da intermediação financeira, seguida do Norte, onde a média alcançou R$ 1,19. De fato, a média do Sudeste ficou em 0,86, a do Sul em R$ 1,05 e a do Centro-Oeste em R$ 0,91.
Em outras palavras, o déficit interno de recursos do Sudeste e do Centro-Oeste é coberto, sobretudo por Norte e Nordeste, justamente as regiões mais pobres do Brasil. Essa contribuição do sistema bancário brasileiro à concentração espacial de renda é uma realidade pouco conhecida do grande público, embora venha ocorrendo há muitos anos.
Segundo o coordenador do trabalho, Airton Sabóia Valente Junior, essa drenagem pode ser explicada pelo fato de não existir barreira interna que impeça os capitais de fluírem livremente de uma região para outra na busca de melhores oportunidades de investimento, maiores ganhos e menores riscos. Ele destaca ainda que enquanto a maioria dos bancos com atuação no Nordeste capta mais depósitos do que aplica na região, com o BNB dá-se o oposto.
Perdas relevantes
Para Airton Valente, na média 2007/09, as perdas do Nordeste corresponderam a 6,27% de seu PIB, cerca de R$ 24 bilhões na média anual. Se comparados com o saldo de aplicações do FNE, os prejuízos são ainda maiores e socialmente injustos: as transferências corresponderam a 109,67% do saldo de empréstimos do FNE, que hoje é a principal fonte de recursos de longo prazo do Nordeste.
Dito de outra forma, os recursos aplicados pelo FNE na Região sequer chegaram a compensar as saídas decorrentes das transferências de recursos do Nordeste para outras áreas.
Para o economista Francisco Ferreira Alves, o outro autor do trabalho, essa situação credencia as lideranças políticas e empresariais a requererem do Governo Federal uma reforma do sistema financeiro nacional, de forma que os bancos possam contribuir com o desenvolvimento regional do País. Alternativamente, acrescenta ele, o Nordeste "necessita de tratamento diferenciado ou políticas públicas compensatórias, tendo em vista que a dotação de recursos do FNE não é suficiente para compensar essas perdas".

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Para saber mais: www.bnb.gov.br/etene/publicacoes/consulta.

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