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CRIAÇÃO DE AVESTRUZ REQUER CADEIA PRODUTIVA ORGANIZADA, TECNOLOGIA E EXPERTISE NA COMERCIALIZAÇÃO

Novidade ainda no agronegócio brasileiro, a atividade registra avanços, direcionada para um pequeno nicho de mercado.

Fortaleza - O veterinário Antônio Nogueira Filho, pesquisador do BNB/ETENE com especialização em Agribusiness e Mestrando em Ciências Avícolas, prova na ponta do lápis que criar avestruz é muito mais rentável que investir em boi ou ovinos. A carne vermelha lembra o filé mignon em textura, aparência e sabor, com uma diferença: é mais saudável, pois apresenta menos calorias e colesterol que a carne de frango, por exemplo, e muito mais cara que um filé. A pluma é cobiçada – preços entre 30 e 100 dólares – e o couro, verdadeira especiaria. Usado em peças de vestuário e acessórios da moda, com larga demanda internacional, é dez vezes mais caro que o couro bovino, perdendo apenas para o de crocodilo em termos de valorização. Cascos, ossos, cílios, gordura, casca do ovo e córneas também são passíveis de aproveitamento.

Agora, isso não quer dizer que a cultura do avestruz virou panacéia ou saída rápida e segura para quem procura lucro e diversificação na agropecuária, adverte Nogueira Filho, com a autoridade de autor de vários trabalhos sobre o assunto e de quem pesquisa a atividade há quase dez anos. Pelo contrário, o agronegócio do avestruz é uma coisa nova no Brasil, sendo direcionado para um pequeno nicho de mercado.

No Nordeste, a fase atual ainda é a de formação de rebanhos e requer muita especialização. Até porque sua história como animal doméstico é muito recente e os estudos genéticos, escassos. A Região apresenta potencialidade para a estrutiocultura, com bom nível de rentabilidade, mas existem ainda muitos entraves e barreiras.

Nogueira Filho alinha alguns na nova edição de seu livro sobre o assunto (Documentos do Etene, em fase de conclusão): altos preços de reprodutores e matrizes, indisponibilidade de insumos de qualidade e específicos para avestruz, ausência de estrutura de abate e processamento, de coordenação da cadeia produtiva e de estratégias de comercialização e marketing, falta de estudos de mercados, falta de abatedouros específicos com fiscalização estadual ou federal, barreiras sanitárias (doenças) e falta de tradição na exportação de produtos derivados do avestruz.

Sertão afora

O sertão nordestino já abriga alguns pólos de criação da ave. As próprias características do animal animam o nordestino a investir nele. Originário das savanas sul-africanas, o avestruz se ambienta bem em climas quentes e secos como o semi-árido. Segundo os especialistas, é o animal mais rústico do mundo, depois do camelo. "Aqui, não é preciso investir na construção de galpões para abrigar os filhotes, a exemplo do Sudeste, onde faz frio", afirma Maurício Lupifieri, dirigente do grupo Aravestruz, de Araçatuba (SP), que está investindo também no Nordeste, onde constrói os frigoríficos, fornece matrizes e se compromete a comprar a prole por um preço mínimo.

Ceará, Bahia e Pernambuco despontam como os pólos principais de criatórios no Nordeste. Há poucas semanas, a diretoria do Banco aprovou um projeto de grande porte para um grupo paulista, já presente no Maciço de Baturité (CE), se instalar também no município de Sobral, Zona Norte do Estado, a 180 km de Fortaleza. O grupo é liderado pelo empresário Maurício Lupifieri, com larga experiência na condução de empreendimentos de estrutiocultura implantados em outros Estados.

O investimento total é de cerca de R$ 18 milhões, compreendendo, entre outros itens, obras de construção civil, instalação da estrutura de criação, da fábrica de ração e de abatedouro, compra de máquinas, veículos e equipamentos, além de criação de 800 avestruzes, na forma de casais, cujas matrizes deverão apresentar produção média per capita de 20 filhotes, a partir do segundo ano.

A propriedade de 1,2 mil hectares no distrito de Caracará vai hospedar todas as fases do projeto: reprodução, incubação dos ovos, hospedagem dos animais, alimentação com ração de fábrica própria e o desenvolvimento de filhotes até atingirem cerca de 100 kg, aos 12 meses de idade, quando serão abatidos em frigorífico a ser construído pela empresa, também no local. As obras começam até o início de outubro, conforme os empreendedores. O frigorífico será construído no próximo ano. Cerca de 70% da produção de carne e couro do projeto sobralense serão destinados ao mercado internacional.

Escola e cartilha

A criação de avestruz na região de Baturité envolve a empresa, a prefeitura local, a empresa de assistência técnica do Estado (Emater) e o próprio BNB, que abriu linha no montante de R$ 300 mil para custeio e investimento aos pequenos produtores, previamente treinados nas atividades de cria, recria, engorda e finalização, respeitado o limite individual de no mínimo dois e no máximo 10 casais de avestruzes. A fazenda funciona como uma escola de aprendizado para os produtores interessados em ingressar na atividade.

Para difundir o avestruz no Nordeste, além de abrir linha de crédito, o Banco lançou uma cartilha abordando vários aspectos e a avaliação econômica da cadeia produtiva do avestruz. Esgotado rapidamente, o estudo está sendo reimpresso, após atualização pelo autor, Antônio Nogueira Filho.

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