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MANDIOCA COM GERMINAÇÃO E RESISTÊNCIA À SECA NO SEMI-ÁRIDO

Projeto seleciona as mais adaptadas e estáveis, considerando aspectos como variação de clima, solo e diferentes manejos usados pelos agricultores.

São João não é apenas o santo amplamente festejado pelo sertanejo nas festas juninas no Nordeste. É, também, o nome de uma variedade de mandioca preferida pela maioria dos agricultores do Sertão Central do Ceará em função de características como rendimento de raiz e massa verde, teor de matéria seca e de farinha nas raízes. Mas, são duas outras as variedades que ganharam a preferência do agricultor do semi-árido nordestino numa pesquisa feita pela EMBRAPA para o Banco do Nordeste: a BGM 549, também conhecida como "Amansa Burro", e a BGM 538 ou "Macaxeira Preta".

A constatação veio da análise dos dados relativos a provas participativas em propriedades de agricultores do Ceará, Sergipe, Pernambuco e Bahia. A pesquisa foi realizada entre 1996 e 1998, sob a coordenação do Centro Nacional de Pesquisas de Mandioca e Fruticultura, com o apoio financeiro do Banco do Nordeste do Brasil, através de seu Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Dela participaram, de forma integrada, pesquisadores, extensionistas e agricultores.

Segundo a coordenadora do projeto, Wânia Fukuda, em cada prova foram plantados nove clones melhorados (50 plantas por clone) mais a variedade local. Ao longo do processo foram sendo identificados os principais critérios de seleção de variedades de mandioca utilizados pelo agricultor, permitindo estabelecer o nível de aceitação a partir do desenho de matrizes de preferência e recomendar as variedades mais adequadas.

Boa germinação e resistência à seca

A variedade BGM 549, eleita como preferida pelos agricultores em 27 diferentes ambientes do semi-árido nordestino, se caracteriza por apresentar boa capacidade de germinação e resistência à seca com boa produção de massa verde (folhas), maniva de qualidade para plantio, além de produção razoável de raiz, matéria seca e farinha.

Para a pesquisadora, a participação dos agricultores na avaliação e seleção das variedades geradas pelo projeto é fundamental para se agilizar o processo de adoção e difusão das novas variedades melhoradas e, em conseqüência, gerar os impactos esperados pelo uso da nova tecnologia.

A pobreza do solo e a grande variação, numa mesma área, dos níveis de elementos como fósforo e potássio afetam o rendimento e o comportamento das variedades de um modo geral, com reflexo maior no semi-árido como um todo. Isso se justifica porque, além de resistência à seca e a pragas, uma variedade deve apresentar boa estabilidade às variações de fertilidade dos solos da região.

Demanda constante por novas variedades

Conforme os pesquisadores, tais fatores dificultam a definição de uma variedade de mandioca com adaptação ampla às condições do semi-árido e representam mais uma razão para se oferecer maior diversidade genética ao produtor de mandioca. Cada vez mais, ele busca novas variedades em função de dois pontos: novas opções de uso do produto e perda de diversidade genética nas lavouras de mandioca ocasionada pelas secas sucessivas.

Estima-se que a substituição de variedades tradicionais por novas variedades, resistentes à seca, contribuiria para a sustentabilidade do produtor do semi-árido do Nordeste, embora a experiência demonstre que o simples fato der se gerar, selecionar e recomendar novos genótipos de mandioca não é suficiente para a adoção dos mesmos e a geração de impactos. Tanto que o desenvolvimento de clones promissores não implicou a substituição de variedades tradicionais. A falta de uma maior integração entre pesquisadores, extensionistas e produtores e de uma metodologia de transferência de tecnologia mais adequada explica, em parte, a falta de adoção de novas variedades de mandioca.

A metodologia da pesquisa participativa, em larga medida, contribui para superar entraves à geração de maiores impactos socioeconômicos por parte desse tipo de trabalho no sistema produtivo. A razão principal é a integração que ocorre, durante o processo, entre os atores do sistema produtivo.

Ações futuras

As ações futuras do projeto prevêem colheitas de provas participativas, seleção de variedades para recomendação no semi-árido, multiplicação das sementes das variedades preferidas pelos produtores do semi-árido, recomendação de variedades e publicação.

A cultura da mandioca é um dos principais componentes da agricultura e da cultura nordestina, representando excelente fonte de carboidratos e proteína na alimentação animal e humana. Por sua baixa exigência de água e insumos, a mandioca é o produto mais cultivado no Nordeste.
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