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AVANÇOS DO NORDESTE III - MUDANÇA NA PAISASEM

"O Nordeste está no limiar de uma explosão de desenvolvimento".

Financial Times -- 5 abr. 2008

Para quem imagina o Nordeste como terra de miséria e seca (ou, às vezes, inundações devastadoras), causa espanto constatar que a região – tida como sinônimo de pobreza e preconceito - aos poucos, mas de forma contínua, está se transformando. Seja pelos investimentos estrangeiros, pela retomada da oferta de crédito por parte de bancos oficiais, ou mesmo devido à política de incentivos fiscais nem sempre bem vista por outras regiões, o fato é que a nova face do Nordeste já é perceptível, embora ainda persistam contrastes e má distribuição de renda.

Não é à toa que o fato seja reconhecido por uma das bíblias do capitalismo mundial. De fato, o jornal Financial Times, de Londres, constatou isso em duas longas reportagens sobre o Nordeste, destacando empreendimentos em andamento, a exemplo de imóveis de alto padrão para ser vendidos também no exterior, bem assim o acréscimo da demanda decorrente da explosão de uma "classe média emergente" e sedenta de consumo. Para o tradicional diário inglês, "o Nordeste está no limiar de uma explosão de desenvolvimento".

Os exemplos dessa explosão estão por toda parte. A Bahia, o Rio Grande do Norte e o Ceará entraram definitivamente na rota do turismo internacional; o porto maranhense de Itaqui é a porta de saída para o mercado internacional do minério extraído em Carajás, para o alumínio produzido em São Luís e parcela dos grãos da zona conhecida por Mapito (partes do Maranhão, Piauí e Tocantins). O complexo petroquímico de Camaçari (BA) está sendo renovado, os polos têxteis e calçadistas de vários estados ganham musculatura e a produção agropecuária se consolida em regiões como o oeste baiano, o sul do Maranhão, o sudoeste do Piauí, os vales do São Francisco (BA/PE), do Açu (RN) e do Baixo Jaguaribe (CE). Isso sem falar no complexo industrial do porto de Suape (PE) e de megaempreendimentos em execução ou anunciados para vários estados – entre eles, gasodutos, três novas refinarias, siderúrgicas, dezenas de usinas de geração de energia (térmica, eólica, solar e hidrelétrica) e três ferrovias - Transnordestina, Norte-Sul e Leste-Oeste, esta última integrada também a um novo porto e aeroporto no sul da Bahia.

As novas opções econômicas bem-sucedidas, viabilizadas a partir do uso de tecnologias apropriadas e modernos processos de gestão, tanto abrangem atividades de pequeno porte de base local como o grande produtor rural e multinacionais de vários segmentos. Estes e aqueles explorando o potencial de competitividade de alguns setores que a partir do Nordeste conseguem hoje presença mais forte nos mercados internacionais e demonstram capacidade de competição.

Isso não significa que o Nordeste vá rivalizar em tecnologia de ponta com o resto do mundo, mas sim que se conscientiza de que para atuar globalmente precisa primar pela excelência no que for fazer. Se for embarcar no biodiesel a partir da mamona, por exemplo, deve procurar utilizar a mais sofisticada tecnologia nesse sentido. Idem no caso da aquicultura, da produção de mel ou do aproveitamento de suas frutas.

No Nordeste, mesmo no semiárido, há muitas possibilidades de evoluir com polos de softwares, de fármacos, de minerais não-metálicos e de produção audiovisual, para citar algumas áreas promissoras dentre 31 cadeias produtivas, cujo potencial foi levantado pelo BNB-Etene em trabalho coordenado pelo economista Luciano Coutinho (Políticas Produtivas para o Nordeste).

Grandes investimentos

Concretamente, os novos investimentos são bem mais que possibilidades, boa parte deles da iniciativa privada. Na Bahia, estado mais rico do Nordeste – em 2010, segundo o Etene, o PIB baiano deve somar R$ 132 bilhões contra R$ 62,1 bilhões, em 2002 –, um dos destaques foi a ampliação da fábrica de automóveis da Ford, em Camaçari, um projeto inicial de US$ 1,9 bilhão para produzir 250 mil unidades/ano, que agora conta com uma planta maior e um porto exclusivo para exportação dos veículos fabricados na Bahia, o que implicou inversões superiores a US$ 500 milhões.

Na mesma região onde se encontra a Ford, está o parque industrial da Monsanto, o maior fora dos EUA, que absorveu mais de US$ 500 milhões em investimentos para produzir matérias-primas para herbicidas. Um pouco além, em Feira de Santana, a multinacional Pirelli investiu mais de US$ 200 milhões. O Estado também registrou maciços investimentos da Petrobras, com relevo para a ampliação da refinaria Landulpho Alves e para o início da exploração de gás natural na bacia de Manati, no sul do Estado, bem assim de grupos privados do setor de papel e celulose.

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Segundo o governo baiano, somente entre 2008 e 2012, o volume global dos investimentos industriais previstos (R$ 74 bilhões) agrega 545 projetos de empresas de diversos setores com a intenção de investir no estado e que devem gerar 84 mil empregos diretos até 2012.

As inversões desde o início da década serviram para consolidar a posição baiana como sexta maior economia brasileira, cujo parque industrial continua atraindo novas unidades e projetos de ampliação. Além do trabalho interno, o governo abriu uma frente externa com a instalação de um escritório na China, para onde a Bahia já manda doces em compotas, geleia, mel, café e cachaça de Abaíra, mas também envia grãos, produtos químicos, celulose e muitos outros artigos.

As exportações baianas para o gigante asiático totalizam cerca de US$ 1 bilhão em 2009, 67% oriundos da agropecuária, cujo valor bruto de produção (VBP), estima o Etene, deve alcançar os R$ 18 bilhões em 2010.

As exportações totais da Bahia aumentaram de US$ 2,4 bilhões, em 2002, para US$ 8,1 bilhões em Nov/10, com destaque para soja, cacau, papel e celulose, autos, petróleo e derivados.

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TURISMO DE LUXO – Atividade tratada com muito cuidado pelas autoridades locais, o turismo na Bahia é fonte de muita riqueza e prestígio, tendo o New York Time incluído o Estado na lista dos 31 destinos mundiais a se visitar em 2010. A Bahia se consolida como o segundo maior polo nacional de turismo de lazer, disputando com o Rio de Janeiro as atenções de visitantes internos e externos.

De acordo com dados do BNB-Etene, a Bahia lidera as inversões privadas para o segmento hoteleiro, nos próximos sete anos com mais de US$ 5,8 bilhões, com repercussão, por exemplo, no número de apartamentos que saltaria dos atuais 44.500 para 68.000, em 15 anos. Entre os novos projetos, destaca-se o Resort Ilha de Cajaíba, com investimentos em torno de US$ 600 milhões.

A Bahiatursa, empresa gestora do turismo, zoneou o Estado em diferentes regiões de interesse e agora trabalha não apenas atraindo o turista, mas fazendo com que ele volte. Para isso, criou mecanismos que estimulam o retorno do visitante.

A empresa de turismo dividiu o imenso litoral baiano de acordo com suas características mais marcantes. Assim, surgiram as costas dos Coqueiros, da Baía de Todos os Santos, do Cacau, do Dendê, do Descobrimento e das Baleias. Espalhadas por essas áreas, diversos novos empreendimentos, entre hotéis, pousadas e resorts para lá de exclusivos. Ou seja, há atrativos para quem procura uma hospedagem simples e sem luxos, como há também sofisticados paraísos para quem procura campo de golfe de padrão internacional, esportes náuticos, SPAs de primeiro mundo e restaurantes finos.

Pelo menos nove grandes empreendimentos (somando 2.500 apartamentos) já foram ou estão sendo concluídos até o final de 2012, informa o governo baiano. Entre os destaques, o conjunto hoteleiro Iberostar, na Praia do Forte, do grupo espanhol de mesmo nome, que já consumiu mais de US$ 100 milhões. Outros cinco grupos portugueses estão construindo cinco resorts, quatro deles na Costa dos Coqueiros, ao norte de Salvador.

Na Costa do Cacau, próximo a Ilhéus, um dos mais luxuosos resorts da Bahia tem padrão seis estrelas e inspiração nos estabelecimentos que existiam no sudeste asiático antes do tsunami de dezembro de 2004. São bangalôs com piscina privativa, além de casas com mordomo exclusivo, e média de sete empregados por hóspede.

Mas o forte fluxo de investimentos turísticos na Bahia não se limita às paradisíacas praias mais afastadas. Na capital, o grupo português Pestana restaurou o Convento do Carmo, edifício erguido no século XVI, para instalar ali um empreendimento sob a bandeira Pousadas de Portugal, a primeira fora do país de origem, contando, inclusive com um museu no local.

Com tantas opções e uma cultura popular fantástica, a Bahia é festa o ano todo, atraindo estrelas de todas as grandezas e de vários setores.

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Na rota de grandes projetos - Em Pernambuco, segunda maior economia regional, onde o PIB saltou de R$ 26,5 bilhões, em 2002, para R$ 65 bilhões em 2010, os nativos locais recuperaram sua autoestima - perdida na década anterior – e não cansam de cantar o florescimento econômico e social do chamado Leão do Norte a partir de maciços investimentos feitos em infraestrutura e no setor industrial.

Destacam-se muitos empreendimentos, começando pela duplicação da BR-232, entre o Recife e Caruaru, que serviu tanto para interiorizar a instalação de empresas e de centrais de distribuição quanto para dinamizar turismo e negócios em polos como Gravatá, Caruaru e Fazenda Nova.

O Complexo Industrial e Portuário de Suape também recebeu investimentos que garantem a atração de projetos estruturantes e fábricas de diversos tamanhos e ramos de atividades. Situada a 40 quilômetros de Recife, num dos pontos mais orientais da América do Sul, Suape tem localização privilegiada com relação às rotas de navegação e, ao longo de três décadas, até 2004, recebeu investimentos públicos federais e estaduais da ordem de R$ 400 milhões de procedência federal e estadual, cifra que quadruplicou até 2009.

Até 2006, os investimentos privados em Suape totalizavam US$ 2,5 bilhões na implantação de 81 empreendimentos, gerando 7,5 mil empregos diretos. Entre 2007 e 2010, conforme a direção do porto, o volume alcança US$ 17 bilhões, correspondendo a capitais privados de várias origens e provocando uma mudança radical no perfil da economia estadual.

Alegria, alegria - Projetos de geração de energia, como a TermoPernambuco, com investimento de US$ 420 milhões e capacidade de 520 MW; as fábricas de poliéster e resina PET (previsão de investimento superior a US$ 1bilhão); os estaleiros navais – quase uma dezena deles – entre nacionais e estrangeiros já instalados e com projetos anunciados; a siderúrgica (US$ 1,5 bilhão) e a nova fábrica da Fiat (R$ 3 bilhões), com capacidade para produção de 200 mil veículos, deixam a economia de Pernambuco com uma perspectiva sem precedentes em sua história. A alegria pernambucana só é maior ante a expectativa de concretização do maior dos empreendimentos previstos, com capacidade de provocar a redefinição da economia estadual e a duplicação do PIB em poucos anos: a refinaria Abreu e Lima, com inversões da ordem de R$ 23 bilhões, segundo a última previsão da Petrobras, que tem como sócia no empreendimento a venezuelana PDVSA, com participação de 40%.

Na área de fármacos, o polo farmacoquímico de Goiana anuncia a montagem de duas empresas âncoras, totalizando investimentos superiores a US$ 500 milhões - uma fábrica de hemoderivados, a cargo da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (orçada em R$ 540 milhões), e uma de vacinas da Novartis (R$ 700 milhões).

De acordo com a AD-Diper, agência encarregada de fomentar investimentos industriais no Estado, o polo vai contribuir para reduzir a importação de remédios para o tratamento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), comprometendo atualmente cerca de R$ 800 milhões anuais.

O setor do agronegócio atrai gigantes como Sadia, que anunciou a construção de fábricas em Vitória de Santo Antão, com inversões de R$ 250 milhões, e a Perdigão que pretende aplicar R$ 280 milhões numa planta em Bom Conselho, o que irá propiciar 2,1 mil empregos diretos.

O Vale do São Francisco, principalmente nas cidades de Petrolina e Lagoa Grande, também é uma das grandes apostas do agronegócio pernambucano. Devido às características climáticas de grande insolação e baixo nível de precipitação pluviométrica, a irrigação feita com a água do rio São Francisco garante a colheita de mais de duas safras de uva por ano, inclusive da variedade sem sementes, além de outras frutas, cuja exportação pode ser viabilizada com a ampliação da pista do aeroporto de Petrolina, hoje a segunda maior do Nordeste, com 3,25 km de extensão, com capacidade suficiente para receber cargueiros de grande porte que levam as frutas do Vale diretamente para supermercados europeus.

Para alem das frutas, o Vale do São Francisco abrigou uma zona vinícola em condições inigualáveis, que tem atraído tradicionais casas brasileiras e estrangeiras, além de empresários locais. Caso da paulista Expand, por exemplo, que se associou a capitais portugueses e pernambucanos para lançar no mercado o primeiro vinho de produção própria. Ali já está instalada a Vinícola Miolo, originária do Rio Grande do Sul, além de empresas pernambucanas como a Vinícola do Vale do São Francisco (vinhos Botticelli), a Adega do Vale e a Garziera. Hoje, o Vale do São Francisco responde por 15% da produção de vinhos do Brasil (ver Box)

Enfim, como diz a professora Tânia Bacelar, Pernambuco detém hoje um conjunto de vantagens competitivas para sediar um importante polo de empresas da cadeia de petróleo, gás, offshore e naval. A presença de uma refinaria de petróleo e de vários estaleiros atesta esse potencial.

BANCO APOIA PRODUÇÃO DE UVA E VINHOS NO NORDESTE

O Banco do Nordeste está consagrando sua atuação no suporte à atividade vinícola no Vale do São Francisco, no sertão pernambucano. A região é a maior produtora de uvas de mesa no Brasil, respondendo por 98% da exportação brasileira de uvas. Só em 2005, o valor da produção de uvas atingiu R$ 505 milhões, respondendo a região do Vale por mais de 90% do total.

O apoio do BNB à atividade não se dá apenas no crédito à fruticultura irrigada de uvas, mas também em investimentos envolvendo vinícolas regionais para produção e comercialização de vinho. Ao longo dos últimos oito anos, foram financiadas dezenas de projetos nos setores rural e industrial, e oferecido suporte a investidores interessados em se instalar na região.

Devido ao clima e à agricultura irrigada, o Nordeste é a única região do mundo capaz de produzir duas safras e meia de uvas por ano. O Vale do São Francisco tem aproveitado isso e está se firmando como o maior produtor de uva vinífera e de vinho do Nordeste brasileiro, com vinhos premiados em concursos nacionais e internacionais. A produção de vinho do Vale (espumante, branco e tinto) já estaria em torno de 10 milhões de litros anuais, podendo dobrar até o meio da próxima década, conforme previsão da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Paraíba (Codevasf).

Para incentivar mais os produtores, os vinhos locais estão recebendo a Indicação Geográfica (IG). Trata-se de um certificado que atesta a produção em condições ambientais, características e qualidades originais.

O BNB vem reforçando suas ações de fortalecimento na sustentabilidade da atividade no polo Petrolina/Juazeiro, de onde saem praticamente 95% da uva nordestina (245 mil toneladas, em 2006). A fruticultura irrigada proporcionou uma significativa mudança na estrutura econômica regional, sendo atualmente um grande gerador de empregos. O BNB atua no sentido de integrar empresas e instituições públicas para abrir novos caminhos para o desenvolvimento nordestino, esclarecem os dirigentes da instituição em Pernambuco.

A área do polo Petrolina/Juazeiro apresenta um diferencial climático muito favorável ao cultivo irrigado de frutas que se estende por 120 mil hectares. Estima-se que são gerados, em média, dois empregos por hectare irrigado, o que dá um total de 240 mil empregos diretos e 960 mil empregos indiretos com a atividade frutícola.

Térmicas e indústrias - Alagoas (PIB de R$ 16 bilhões por valor adicionado bruto, em 2007) também atraiu investidores industriais nos últimos anos. Além de termelétricas e de uma unidade de processamento de gás natural, o Estado recebeu alguns empreendimentos de porte, mas aposta mesmo é na vinda de um estaleiro orçado em R$ 1,5 bilhão do grupo German Efromovich (dono de empresas como Avianca, Energy, estaleiros Mauá e Eisa), provavelmente o maior da América Latina, e que empregaria 22,5 mil pessoas, direta e indiretamente.

A Paraíba, por sua vez, absorveu mais de 80 empreendimentos novos na área industrial, com mais de US$ 2 bilhões em investimentos, quase um quinto de seu PIB em 2007 (R$ 19,9 bilhões). Um deles de iniciativa do grupo catarinense Karsten possibilitou o lançamento no mercado mundial da primeira toalha felpuda de banho feita com algodão geneticamente colorido, variedade desenvolvida com tecnologia nordestina, hoje sucesso no mundo inteiro. Grandes empresas do setor têxtil e de calçados (Alpargatas, Cambuci, Camello, Coteminas) produzem artigos de qualidade internacional.

Em Fortaleza, o ex-governador Lúcio Alcântara assegura que, durante sua gestão, a cada período de seis dias uma nova indústria foi instalada no Ceará, totalizando 194 unidades, o que se somou ao bom desempenho do turismo, serviços e do agronegócio, segmento em que o Estado é, atualmente, o primeiro exportador brasileiro de melão e abacaxi e o segundo em rosas.

A luta pela implantação de uma siderúrgica no complexo portuário do Pecém, projeto bilionário com a participação da Vale, do BNDES, do Estado e de um grupo coreano ainda não foi de todo resolvida. Se vingar, de fato, vai revolucionar o PIB estadual, que saltou de R$ 28,9 bilhões para R$ 60,8 bilhões entre 2002 e 2009 (valor corrente a preços de mercado). De olho no empreendimento, a MPX toca uma nova usina termelétrica na área (Pecém), movida a carvão mineral, e um de seus executivos, o engenheiro Marco Antônio Vieira, sustenta que a siderúrgica de Pecém será um marco divisor da história cearense, pela sua representatividade econômica e social e poder de repercussão sobre a atividade econômica.

Fruto de uma agressiva política de atração de investimentos, o Ceará conseguiu trazer para a Região Metropolitana de Fortaleza e para o interior empreendimentos de variados portes e setores (turismo, têxteis, bebidas, óleos vegetais e biocombustíveis; e, sobretudo, energia, segmento em que a capacidade instalada já supera o consumo do Estado). Enquanto não saem megaprojetos como aquele relativo ao aproveitamento do urânio/fosfato da mina localizada em Santa Quitéria, a 230 km de Fortaleza, existe perspectiva de instalação de dezenas de empreendimentos de menor porte.

Uma das últimas grandes empresas a manifestar interesse em se instalar no Ceará foi o estaleiro Promar que acabou desistindo devido a divergências com a Prefeitura de Fortaleza. Contudo, o governo estadual informa que já tem outro estaleiro em vista, embora de menor porte. De quebra, o governo estadual empenha-se em viabilizar uma refinaria de petróleo no Estado, em terreno dentro do complexo industrial do porto do Pecém, um dos mais modernos do Brasil. A conclusão do projeto de engenharia da refinaria está prevista para 2017, conforme o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, par quem a refinaria cearense deve abranger investimentos em torno de R$ 40 bilhões.

No âmbito das Parcerias Público-Privadas (PPPs), já regulamentadas pela Assembléia Legislativa do Ceará, o governo estadual espera investimentos superiores a US$ 2 bilhões, dos quais boa parte oriunda do setor privado em empreendimentos como a arena esportiva do Castelão, estádio que vai sediar jogos da Copa do Mundo de Futebol; um aquário gigante na Praia de Iracema e um novo centro de eventos, todos em Fortaleza.

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, entre 2003 e 2009 a atração de investimentos na área industrial atingiu R$ 5,8 bilhões, beneficiando 178 diferentes projetos, dos quais 31 de iniciativa de grupos estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos, China, Itália, França e Portugal.
Três setores, em especial, se destacam nesse processo: têxtil, metal-mecânico e calçadista. Nos últimos dez anos, foi quase uma centena de empresas coureiro-calçadistas em todo o Estado, com mais de 40 mil novos empregos, investimentos superiores a US$ 150 milhões e forte repercussão no desempenho das exportações cearenses. Segundo o BNB-Etene, o setor coureiro-calçadista lidera as exportações cearenses, atingindo o patamar de US$ 297 milhões, em 2009, contra US$ 255 milhões, em 2002.

No setor energético, o Ceará possui duas termelétricas instaladas: a Termoluma, com capacidade para 270 MW, adquirida pela Petrobras ao bilionário Eike Baptista, e outra maior, com capacidade de 310,7 MW, do grupo espanhol Endesa. Outras quatro estão em processo de instalação. Em termos de energia renovável, os parques eólicos instalados (cinco) e previstos vão responder pela geração de boa parte das necessidades energéticas do Estado.

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A força do agronegócio - No Piauí, o investimento é maior no agronegócio e no turismo. A Bunge, que, a exemplo de outras multinacionais, já atua nas regiões de Balsas (MA) e Barreiras (BA), investiu pesado no vale do Uruçuí, localizado a 600 quilômetros ao sul de Teresina: foram mais de US$ 156 milhões aplicados numa esmagadora de soja com capacidade para quatro mil toneladas/dia, armazéns para 400 mil toneladas de grãos e farelo, refino e envasamento de óleo, fábricas de gorduras hidrogenadas e margarinas, de lecitina de soja e de rações. A produção de farelo, estimada em 20 mil toneladas mensais, vai ser exportada pelo porto de Itaqui (MA). Grupos como Cotrirosa, SLC e Ioschpe também estão presentes na região, o mesmo acontecendo com a Brasil Ecodiesel.

De carona na onda dos novos investimentos, a Suzano Papel e Celulose anunciou o plantio de eucalipto no Piauí com o objetivo de abastecer sua unidade industrial. O projeto prevê inversões de US$ 2,3 bilhões, com previsão de começar a produzir em 2014. Enquanto se prepara para entrar no promissor mercado de celulose, o Piauí batalha pela construção de cinco novas hidrelétricas no rio Parnaíba e esbanja cuidados com a cultura orgânica de mel, tendo se transformado no maior produtor mundial do item.

No interior do Estado, a Infraero sinaliza para breve a conclusão de dois importantes aeroportos. O de São Raimundo Nonato, para incentivar o turismo científico em torno do Parque Nacional da Serra da Capivara; e o de Parnaíba, para servir de porta de entrada de visitantes para os polos turísticos do Delta do Parnaíba, Lençóis Maranhenses e praia de Jericoacoara.

Turismo também é o forte do Rio Grande do Norte. A atividade explode em Natal. A via costeira da capital entrou mesmo no gosto dos países nórdicos. Finlandeses, noruegueses e suecos já viraram figuras frequentes nas praias, onde bandeiras sinalizam áreas de concentração dessas nacionalidades.

A indústria camaroneira potiguar já bateu recordes em produção e exportação e a indústria de petróleo e gás melhora os níveis de produção. Do parque industrial estadual saem produtos têxteis em condições de concorrer com os da China. Com a termelétrica de Açu, onde foram aplicados mais de US$ 300 milhões, o Rio Grande do Norte se torna praticamente autossuficiente em energia. O Estado tem ainda um terço de todas as usinas de energia eólica do Brasil e uma refinaria de petróleo de porte médio, empreendimento de responsabilidade da Petrobras.

Ferro e grãos - No Maranhão, o governo do Estado lançou mão de incentivos fiscais para atrair capitais nacionais e estrangeiros, acenando com outras vantagens competitivas, a exemplo da existência do complexo portuário de São Luís (que inclui Itaqui e os portos privados) e de vastas extensões de terra inexploradas nos cerrados. Além de mais próximo dos Estados Unidos e da Europa, relativamente aos demais terminais brasileiros, Itaqui está entre os mais modernos portos de águas profundas do mundo. Significa dizer que ele pode receber navios de grande calado, reduzindo com isso o custo do frete.

O porto público maranhense vai contar com um terminal de grãos em 2012. Incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e orçada em R$ 280 milhões na primeira fase, a obra tem capacidade de embarcar até 15 milhões de toneladas anuais de grãos e derivados, sendo um terço já nessa etapa inicial do projeto, ora em fase de licitação.

Nos últimos anos, ancoraram no Estado grupos como Coca-Cola, Cayman, Agroserra, Batavo, Ceval, SLC e Alumar, esta duplicando sua fábrica de alumínio para a produção de 1,3 milhão de toneladas anuais.

Ao lado do Piauí, o Maranhão representa hoje a nova grande fronteira para a indústria de celulose. O grupo Suzano vai instalar uma planta industrial no Piauí e outra no Maranhão, totalizando investimentos de quase US$ 5 bilhões, sendo que a unidade maranhense, localizada no sul do Estado, deve entrar em operação até o final de 2013, segundo o presidente da empresa, Antônio Maciel Neto.

Petróleo e gás - Devon Energy, Vale, Petrobras e OGX são alguns dos gigantes interessados na exploração de petróleo e gás nas áreas do Estado que integram as bacias de Barreirinhas, Pará-Maranhão e Parnaíba. O grupo EBX, que também constrói uma termelétrica a carvão nas proximidades de São Luis (capacidade de 360 MW e investimento superior a R$ 1 bilhão), já anunciou a descoberta de gás no interior maranhense com volume suficiente para atender a todo o Nordeste.

A refinaria Premium, da Petrobras, por sua vez, sai do papel com o anúncio da aceleração das obras de terraplenagem, drenagem e obras de acesso na área da refinaria, iniciadas em julho de 2010, e contratação do projeto de engenharia da refinaria que prevê inversões de US$ 23 bilhões e oferta de 30 mil empregos diretos, com capacidade de produção de até 600 mil barris diários, a maior da América Latina.

Enquanto aguardam a refinaria e ouvem promessas quanto a uma siderúrgica, seguem, os maranhenses seguem apostando no agronegócio como alavanca de transformação econômica, com unidades de beneficiamento de grãos como a de Porto Franco, no sul do estado, recentemente inaugurada -- inversões da ordem de R$ 220 milhões e geração de 1.200 empregos – e a ampliação das áreas de plantio (crescimento de 12% ao ano) nas macrorregiões do Sul, Sudeste e do Baixo Parnaíba.

Somadas as estimativas de investimentos somente em grandes projetos dos setores de petróleo, gás, minero-metalúrgico e outros, as cifras são bilionárias: totalizam cerca de R$ 100 bilhões, nos próximos cinco anos, segundo o governo do Maranhão. Empresas como a Petrobras, Vale, Ambev, Suzano, OGX, Alcoa, Jaguar Mining e Aurizona já informaram que pretendem realizar novas obras ou ampliar suas plantas instaladas no Estado. Isso representa 3,5 vezes o PIB do Maranhão de 2007, calculado pelo IBGE em R$ 28,3 bilhões, o que, certamente vai se refletir na melhoria da qualidade de vida da população.

Em Sergipe, além dos projetos da Petrobras, o grupo Votorantim realiza investimentos superiores a R$ 200 milhões para transformar sua unidade localizada na pequena cidade de Laranjeiras na base brasileira de exportação da companhia.

Outras cadeias produtivas tradicionais apresentam boas perspectivas com repercussão na economia local, destacando-se a citricultura, a criação de camarão, a piscicultura, a produção de mel e a ovinocaprinocultura.

É, de fato, um novo Nordeste. Ainda menor que o antigo, é fato, mas bem diferente.

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