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NORDESTE AGRICULTURA. VALOR DA SOJA É QUASE DUAS VEZES O DA CANA

Brasília (Agência Prodetec) – De acordo com a última estimativa do Valor Bruto de Produção (VBP) da agricultura brasileira, no Nordeste a lavoura da soja já representa quase duas vezes a de cana-de-açúcar em termos de valores gerados da porteira para dentro.

Pelos dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e do IBGE, o VBP da soja para 2014 deve alcançar R$ 8.227 milhões contra R$ 4.283 milhões do previsto para a cana. Em âmbito nacional, a proporção é mais vantajosa para o grão: R$ 99.397 milhões ante R$ 45.305 milhões.

A cultura da soja, sozinha, responde por um quarto do Valor Bruto de Produção (VBP) da agricultura do Nordeste, embora seja cultivada em apenas três estados. A proporção está um pouco aquém do agregado nacional no qual o grão entra com 34%.

A cana, por sua vez, participa com 12,9% do VBP da agricultura do Nordeste, um pouco aquém da representatividade no conjunto nacional (15,5%).

NE EST VBP 2014

Bahia: R$ 4 bi

A renda proporcionada pela produção de soja na Bahia procede majoritariamente das áreas de cerrado a oeste de Salvador. Se confirmados os cálculos do MAPA, o VBP da lavoura chegará aos R$ 4.033 milhões, mais do que o proporcionado pelas lavouras principais dos demais estados nordestinos, exceto o Maranhão e a própria Bahia.

No caso dos outros dois produtores do grão, mantidas as condições atuais de crescimento de área e produtividade, Maranhão e Piauí, juntos no chamado Meio Norte, deverão ultrapassar a Bahia na próxima safra.

A previsão para 2014 é de que o VBP da soja no Piauí deverá atingir R$ 2.175,4 milhões, um pouco acima do estimado para o vizinho Maranhão (R$ 2018,4 milhões).

Cana-de-açúcar

Nos últimos dez anos, exceto em 2006, quando ameaçou retomar a posição, o VBP da cana de açúcar sempre ficou aquém do registrado para a cana-de-açúcar.

Para este ano, como já destacado, a cada unidade de valor gerado pela cana, a soja contribuiu com 1,9 unidade. Essa proporção foi bem menor em 2013 quando o VBP da cana atingiu R$ 4,5 bilhões contra R$ 5,8 bilhões da soja.

Ao contrário da soja, a produção de cana está presente em todos os estados do Nordeste, com destaque para Alagoas e Pernambuco. Despontam também com safras significativas os estados da Bahia e Paraíba.

NE VBP AGRO 2014

Expansão contínua

Esse panorama da sojicultura no Nordeste não é diferente daquele observado em termos mundiais. Um estudo recente da ong WWF indica que nas últimas décadas, a expansão da soja foi maior do que a de qualquer outro cultivo mundial, ocupando hoje mais de um milhão de quilômetros quadrados. A previsão da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) é a duplicação dessa área até 2050.

Em 50 anos, a colheita mundial do grão elevou-se dez vezes. Em 2012, a produção atingiu 270 milhões de toneladas, das quais 93% em apenas seis países: Brasil, Estados Unidos, Argentina, China, Índia e Paraguai. Na América Latina, a produção cresceu 123% entre 1996 e 2004.

De acordo com o estudo da WWF, essa expansão contínua deve-se à demanda por alimentos, visto que 79% da soja mundial destinam-se à indústria de ração animal direcionada, sobretudo, para produção de carne de frango e suíno que, nos 40 anos anteriores a 2007, registrou aumento de 711% e 294%, respectivamente. Outros 6% são consumidos diretamente pelos humanos e o restante destinado à elaboração de óleo (margarina, óleo culinário, gorduras, biocombustível, etc.).

Demandas e temores

Conforme os técnicos, essa demanda não tende a regredir. Pelo contrario, deve se elevar com a melhoria dos níveis de desenvolvimento econômico dos países e consequente aumento no consumo de proteína animal.

Pelos dados da ONU/FAO, haverá um aumento para 515 milhões de toneladas na produção de soja até 2050, para abastecer mercados como os da China (consumo de para 55 milhões de toneladas em 2009), África e Oriente Médio, entre outros.

Para o Brasil, as projeções do Ministério da Agricultura são de elevar de 23 milhões de hectares, hoje, para 26.5 milhões de ha até 2018-19, a área colhida de soja, ocupando especialmente as áreas de cerrados e da Amazônia.

O temor da rede WWF-Brasil é de que essa expansão permanente ocasione danos ao meio ambiente, especialmente no cerrado onde a organização estima já sejam cultivados entre 13 e 15 milhões de hectares, cerca de 7% do bioma, uma área do tamanho da Inglaterra.

Desse total, o Nordeste participa com pouco mais de dois milhões de hectares (safra de 2011/12), dos quais metade corresponde aos plantios da região Oeste da Bahia.

Segundo a ONG, mantido o nível alteração da vegetação entre 2 e 3 milhões de hectares/ano, observado em 2004, "o ecossistema natural do Cerrado poderá virtualmente desaparecer nas próximas três décadas" caso não se promovam esforços no sentido de integrar desenvolvimento agrícola e conservação ambiental.

Para saber mais ver o relatório "o crescimento da soja - impactos e soluções" no sitio www.wwf.org.

Postada em 10 Mar 2014.

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