Anuncie Aqui

AGRICULTURA. FATOR CULTURAL DIFICULTA EXPLORAÇÃO DO GIRASSOL NO NORDESTE

A opção histórica dos produtores nordestinos pelas culturas alimentares tradicionais é um dos gargalos para a introdução do cultivo do girassol na região, especialmente no segmento da agricultura familiar.

FOTO-WLSON

AGÊNCIA PRODETEC Ω [MAIO 2014]

Petrolina - Três pesquisadores da Embrapa Semiárido uniram esforços e conhecimento com o objetivo de viabilizar a cultura do girassol na Chapada do Araripe, em Pernambuco. A partir dos experimentos realizados eles concluíram que dois genótipos, em particular, apresentam grande potencial para cultivo na região: o "CF 101" e o "GNZ Ciro", com produtividade acima de 2,5 mil quilos por hectare em condições de sequeiro.
No caso do primeiro, o rendimento alcançado, da ordem de 2.765,2 kg/ha, situa-se bem superior do obtido tanto no Nordeste como no Brasil como um todo.
Além desses dois, os seguintes genótipos mostraram também potencialidade de cultivo na Chapada do Araripe: GNZ Neon, HLA 44-64, HLA 44-49, V.70004, BRS G29, M 734 (T), HLS 60050, HLS 60066, QC 6730, HLA 05-62 e EXP 1463. Todos proporcionaram rendimento acima da média nacional, hoje em torno de 1,5 mil quilos por hectare.

Condições

Os pesquisadores Welson Lima Simões, Marcos Antonio Drumond e
Anderson Ramos de Oliveira, todos com doutorado e pertencentes aos quadros da Embrapa Semiárido, chamam a atenção para o cultivo do girassol em regiões de sequeiro.
Segundo eles, é de grande relevância selecionar o material genético mais apropriado às condições edafoclimáticas locais, adotar técnicas e práticas culturais favoráveis à cultura. É o caso do uso de sementes de boa qualidade, plantio no tempo certo segundo as recomendações dos técnicos, controle fitossanitário, adubação e correção do solo conforme recomendação de análise de solo. "Todas estas medidas e cuidados devem ser cumpridos para que o genótipo selecionado possa expressar sua máxima produtividade", explicam os pesquisadores.
Produção
De acordo com o IBGE (LSPA), a produção de girassol no Brasil alcançou 111 mil toneladas, em 2013, ante 121,4 mil toneladas no ano anterior. A área plantada não ultrapassou 70 mil hectares, basicamente no Centro-Oeste.
No Nordeste, onde o produto é relativamente desconhecido a safra foi muito pequena. Passou de 7 toneladas para 113 t, aumento de 1.514% no biênio 2012/2013, sendo cultivado, sobretudo no Rio Grande do Norte e Ceará.
O girassol apresenta grande diversidade de uso (ração, silagem, óleo comestível, biodiesel), o que pode levá-lo a se expandir mais nos próximos anos, já se constituindo opção econômica no sistema de rotação, consórcio e sucessão de cultuas nas regiões produtoras de grãos.
Alternativa relevante
Para os pesquisadores Wilson Lima Simões, Marcos Antonio Drumond e Anderson Ramos de Oliveira no contexto do programa de fomento ao biocombustível nacional o girassol é visto como uma das principais fontes de óleo vegetal no Brasil.
À vista de seu teor de óleo - de 30% a 50%, dependendo do genótipo e das técnicas culturais empregadas no cultivo -- o grão apresenta excelentes características físico-químicas, podendo ser utilizado para a produção de biodiesel com viabilidade técnica e ambiental.
Pelas suas características agronômicas, com ciclo de vida curto, resistência a fatores abióticos (seca, frio e calor), elevada qualidade e bom rendimento de óleo, o girassol representa uma importante alternativa para o semiárido brasileiro e seu plantio em áreas como a Chapada do Araripe (PE) pode contribuir para incrementar a renda e estimular a permanência da população nas áreas rurais.

Fator cultural

Entretanto, a introdução do girassol e de outros produtos não tradicionais no Nordeste esbarra em questões culturais. Para o economista George Alberto de Freitas, pesquisador dos quadros do BNB-Etene, a razão principal é a preferência, por parte dos agricultores, pelo plantio "de variedades que lhes foram passadas hereditariamente. Nesse sentido, incentivos governamentais tendem a causar maior impacto, como foi o exemplo da mamona".
Segundo ele, as qualidades do girassol são evidentes. Fornece óleo de excelente qualidade, pode ser consorciado e integrado com outras culturas, a exemplo da apicultura. "Contudo – acrescenta George Freitas -, a falta de organização da cadeia produtiva e dos próprios agricultores, representa gargalos que impedem a profissionalização da atividade e consequentemente o seu retorno econômico".
Quatro outros pesquisadores - I. M. S. Correia, G. S. Araújo, J. B. A. Paulo e E. M. B. D. de Sousa, todos do Programa de Pós-graduação em Engenharia Química da Universidade Federal do Rio Grande do Norte -- concluíram estudo recente mostrando que o girassol produzido no estado apresenta um alto rendimento em óleo e reúne características que possibilitam a sua aplicação como insumo em diversos processos industriais, a exemplo da produção de biocombustíveis.

Safra 2014

O último levantamento divulgado pela Conab em maio não indica estimativa de produção para a safra nordestina de 2014, embora informe o plantio de 200 hectares.
Em escala nacional, o destaque é a produção esperada no Centro-Oeste, em torno de 250,3 mil toneladas ante 91,9 mil toneladas na safra anterior.
Esse crescimento substantivo decorre, em especial, da redução da área de milho em favor do girassol, algodão e da soja. A área plantada no Centro-Oeste evoluiu de 55,2 mil hectares, em 2013, para 122,7 mil hectares, este ano, enquanto a produtividade do girassol saltou de 1.666 kg/ha para 2.040 kg/ha.
O destaque é o estado do Mato Grosso que responderá por 86% da produção nacional do grão.

GIRASSOL-NORDESTE-CEN

Voltar

 

A agência Prodetec é uma ferramenta voltada para divulgar artigos, estudos e pesquisas
sobre assuntos relacionados com o Nordeste

Imagine Comunicação Digital

Todos os direitos reservados. Reprodução do material permitida mediante citação da fonte.