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IMPACTOS DO BOLSA FAMÍLIA NA RENDA E HORAS DE TRABALHO DAS FAMÍLIAS POBRES

As famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família têm menos horas dedicadas ao trabalho, devido ao chamado efeito preguiça, e também recebem menos renda proveniente do trabalho. Essas conclusões constam de trabalho apresentado hoje (7) por economistas do RN e PE no Fórum Regional de Desenvolvimento, em Fortaleza.

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AGÊNCIA PRODETEC Ω [ 07 NOV. 2014]

Fortaleza - Quatro pesquisadores das universidades federais de Pernambuco (UFPE) e do Rio Grande do Norte (UFRN) reservaram um bom tempo de sua agenda acadêmica, no começo deste ano, para averiguar os impactos regionais do Programa Bolsa Família (PBF) sobre a renda e horas de trabalho das famílias pobres.

A curiosidade deles era verificar tal efeito preguiça no âmbito do contingente atendido pelo PBF. Para tanto, colheram milhares de microdados do Censo de 2010 do IBGE e partiram para a análise dos mesmos, usando metodologia que permite verificar o efeito do Programa ao longo de toda a distribuição das horas trabalhadas e da renda do trabalho.

Na manhã desta quinta-feira, Jorge Luiz Mariano da Silva (PPGECO-UFRN), Daniella Medeiros Cavalcanti (PIMES-UFPE), Edward Martins Costa (PPGECO-UFRN) e Raquel Menezes Bezerra Sampaio (UFRN) submeteram o estudo aos participantes do Fórum BNB de Desenvolvimento e do XIX Encontro Regional de Economia que se realiza em Fortaleza.

Resultados obtidos

Conforme os resultados do trabalho, na comparação famílias não beneficiadas/famílias beneficiarias do PBF, estas possuem menos horas dedicadas ao trabalho (devido ao efeito-preguiça em alguns grupos familiares) e menos rendimento proveniente do trabalho em alguns grupos familiares.

Segundo os pesquisadores, esses efeitos foram diferenciados nas cinco regiões brasileiras, "sendo que o PBF influenciou mais fortemente o Nordeste e a zona rural, que mostraram um maior impacto negativo no mercado de trabalho".

Ao analisar a magnitude desse impacto, esclarece a economista Raquel Menezes Bezerra Sampaio (UFRN), o estudo mostra que na região Nordeste a diminuição das horas trabalhadas dos chefes de famílias beneficiados pelo PBF alcança quase dez horas a menos que os não beneficiados.

Para Edward Martins Costa (PPGECO-UFRN), "tal resultado torna-se mais alarmante quando se constata que, em média, as famílias residentes no Nordeste, beneficiárias ou não do PBF, trabalham duas horas a menos que a média brasileira". Ou seja, mesmo estando aquém da média nacional, "o Nordeste possui efeitos negativos mais fortes nas horas trabalhadas", com repercussão negativa em outros aspectos do mercado de trabalho, a exemplo da renda, explica ele.

Os resultados divergem da maioria de outros estudos de avaliação dos impactos do PBF, o que pode ser atribuído a fatores como metodologia diferente e banco de dados utilizados.

Renda menor

Além dos efeitos negativos nas horas trabalhadas de grupos específicos de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família, o estudo também indica uma menor renda do trabalho para os que recebem do Programa em comparação a famílias elegíveis e não contempladas. E segundo Daniela Medeiros, do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Pernambuco (PIMES-UFPE), é na zona rural, especialmente no Nordeste, onde ocorrem os maiores efeitos negativos na renda e nas horas trabalhadas ao contrário das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste nas quais os resultados se apresentam mais homogêneos.

Para a pesquisadora pernambucana, essa distinção estaria associada ao maior dinamismo econômico dessas regiões, conferindo ao Norte e Nordeste impactos negativos no mercado de trabalho.

Jorge Luiz Mariano da Silva (PPGECO-UFRN), outro integrante da equipe, sustenta que a diminuição nas horas trabalhadas pode ter contribuído para que as famílias beneficiadas do PBF "auferissem renda oriunda do labore inferior àqueles que não recebem a ajuda oficial. No entanto, esse efeito negativo na renda do trabalho poderia está influenciado por fatores não associados diretamente ao Programa, ou seja, pode ter características específicas do mercado de trabalho".

Na conclusão do trabalho, eles recomendam em trabalhos futuros, uma análise do tipo de ocupação dos beneficiários do PBF, com a finalidade de apontar motivos que expliquem o elevado hiato entre rendas oriundas do trabalho.

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