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MANDIOCA NORDESTE. CARTILHA ENSINA USO DA MANIPUEIRA NA AGRICULTURA

A manipueira tem uma grande variedade de usos, desde complemento alimentar para os animais a arma eficiente para combater pragas e doenças na agricultura, fabricar sabão e vinagre e fortificar o solo, podendo, ser usada como adubo e fonte de produção de gás.

AGÊNCIA PRODETEC Ω [OUT. 2014]


Resíduo até há pouco tempo quase totalmente descartado no processo de fabricação de farinha e fécula da mandioca, a manipueira está saindo do ostracismo para ganhar prestígio como insumo agrícola, mostrando seu potencial como pesticida, adubo e fonte de energia, entre outros usos.

Ver a sua utilização ampla e cotidiana pelo agricultor nordestino foi uma das batalhas travadas pelo professor José Júlio da Ponte, um dos mais experientes fitossanitaristas do país. Até sua morte, em fevereiro de 2013, aos 78 anos de idade, dos quais 50 dedicados à ciência, o cientista cearense elaborou centenas de estudos e pesquisas nessa área.

Ainda hoje um dos trabalhos mais requisitados, a sua "Cartilha da Manipueira", publicada pelo Banco do Nordeste, reúne em linguagem simples e acessível, o resultado de numerosos experimentos científicos conduzidos por ele ao longo de sua vida.

Segundo ele, a Cartilha nasceu das preocupações da Universidade Federal do Ceará, onde lecionava, com o uso abusivo de agrotóxicos no Brasil e os riscos e prejuízos que isso acarreta para o meio ambiente e a saúde de pessoas e animais, dada a elevada toxidade da maioria dos compostos à venda no mercado nacional.

Opção ao agrotóxico industrial

A manipueira surgiu, então, como opção de defensivo agrícola não convencional capaz de substituir o material químico industrializado, favorecendo todos aqueles agricultores interessados em não trabalhar mais com agrotóxicos.

O consumo desses produtos no Brasil é o mais elevado entre as grandes potências agrícolas do mundo, desde 2008, tendo crescido cerca de 200% entre 2000 e 2009, conforme informação da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). De outro lado, as empresas produtoras de agroquímicos no país duplicaram nos últimos cinco anos, o que não impediu o nível das importações, quase 400%.

O professor da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Luiz Claudio Meirelles, aponta um agravante: no Brasil se utiliza agrotóxicos já proibidos em outros países, alguns dos quais altamente perigosos para a saúde humana.

Multiplicidade de usos

De acordo com a Cartilha do professor José Júlio da Ponte a manipueira pode funcionar como inseticida, nematicida, acaricida, fungicida, bactericida, herbicida e adubo, entre outros usos. Ele sustenta que o produto "pode ter uma serventia bem mais ampla, conforme indicam os resultados de pesquisas recentes, coordenadas por outros autores".

É o caso de seu emprego nas áreas farmacêutica e de alimentos, na produção de álcool, na indústria da borracha e da construção civil, além do tradicional emprego na culinária, especialmente do Nordeste e do Para, na fabricação de vinagre e da tiquira, a aguardente derivada da mandioca, muito conhecida e consumida no estado do Maranhão.

"Este leque de utilidade é bem um atestado da potencialidade industrial que a manipueira encerra e que não vem sendo, até hoje convenientemente explorado", afirma o professor em seu trabalho. 

Um dos problemas para uso direto da manipueira como inseticida e adubo foliar é a sua indisponibilidade o ano todo. Subproduto da fabricação da farinha de mandioca, em geral a manipueira é muito abundante na época da farinhada e escassa à medida que as chuvas se intensificam, justamente quando se faz mais requisitada para combater as pragas e doenças que incidem no ciclo de desenvolvimento das culturas.

Entre as sugestões dele para superar o problema da disponibilidade do produto está na sua transformação em pó - uma alternativa prática, que pode ser viabilizada via liofilização sem prejuízo para a qualidade do composto pois o processo mantém, todos os seus componentes químicos,sejam os macro e micronutrientes que lhe garantem a excelência como adubo, sejam os cianetos que, como principais ingredientes ativos, garantem sua vigorosa ação pesticida, explica o documento.

Segundo o documento, a manipueira em pó anularia a principal limitação do produto líquido, imposta pela sazonalidade da indústria de farinha, bem assim aspectos como a perecibilidade, o transporte e comercialização do produto.

"Em forma de pó, ela estará disponível a qualquer época, pois independe do imediatismo da fabricação da farinha de mandioca", diz o documento elaborado por José Julio. Alem de sua disponibilidade a qualquer tempo, a manipueira em pó teria longevidade bem maior e seu transporte e comercialização mais facilidades, por força do menor volume, pois cada 100 litros do composto líquido gera de 6 a 8 kg de manipueira em pó.

Para conhecer a Cartilha acesse o endereço http://pt.scribd.com/doc/69767674/manipueiraCARTILHA
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