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MANDIOCA NORDESTE. TRATAMENTO DA MANIPUEIRA PODE REDUZIR POLUIÇÃO

É o que informa trabalho realizado no interior de Alagoas com o objetivo de aproveitar esse resíduo para a produção de gás, minimizando os impactos da poluição ambiental provocada pelo descarte inadequado da manipueira oriunda do processo de fabricação da farinha de mandioca.

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A manipueira como fonte de energia também é estudada na Universidade Federal de Alagoas.

AGÊNCIA PRODETEC Ω [OUT. 2014]

Maceió - Um estudo realizado por alunos do Instituto Federal de Marechal Deodoro, em Alagoas, sugere a realização de programas educativos para os produtores de farinha de mandioca com o objetivo de leva-los a adotar novas práticas e reduzir a poluição ambiental provocada pelo descarte inadequado da manipueira, que possui elevada carga poluidora e efeito nocivo aos seres vivos.

Uma das saídas seria a digestão anaeróbica do resíduo e a produção de gás metano a partir desse processo. Com isso, haveria menos impacto sobre o ambiente da região do Agreste alagoano e ganhos financeiros para o produtor pelo uso do gás no lugar da lenha extraída da caatinga para alimentar o forno de torrar a farinha.

De acordo com os especialistas, o processo anaeróbico apresenta várias vantagens na comparação com o aeróbio, a exemplo do menor consumo de energia, necessidade de menor área para sua implantação de maior potencial de uso do biogás como combustível.

Reator anaeróbico

Para a pesquisa, os alunos construíram nas instalações do Instituto Federal de Alagoas um reator anaeróbio de fluxo ascendente de fases separadas, usando tubos de PVC.

O projeto estendeu-se por 150 dais no campus do IFAL em Marechal Deodoro, cidade distante cerca de 30 km de Maceió.

Vários cientistas indicam que em países tropicais como o Brasil, os processos anaeróbios são considerados uma alternativa segura e econômica para o tratamento de efluentes, dada a pouca variação climática, o que ajuda a manter a temperatura adequada para as bactérias.

Em alguns estados do Nordeste, a exemplo de Sergipe, a manipueira já é submetida à fermentação anaeróbica para eliminar o veneno nela contido e ser utilizada como complemento alimentar seguro para o gado.

No campus da Universidade Federal de Alagoas, o produto também é objeto de estudos com vistas ao seu aproveitamento como fonte de energia. Em Pernambuco, a CHESF tem projeto em andamento para produzir 0,2 megawatt de energia a partir da manipueira.

Relação gás/manipueira

Conforme a equipe de pesquisadores, durante todo o período de monitoramento do projeto em Marechal Deodoro foram quantificados diariamente a temperatura (média de 26º) e o volume de biogás produzido: 0,85 litros para cada litro do efluente tratado no sistema.

Embora trabalho não tenha calculado o potencial da manipueira para produção de biogás em Alagoas, uma conta simples mostra que ele é expressivo. Considerando a média de um litro de manipueira para cada 3 quilos de massa ralada, na safra deste ano, estimada em 235 mil toneladas de raiz, seriam descartadas cerca de 70 mil toneladas de manipueira.

Em Alagoas, a cultura de mandioca é a segunda maior do estado, depois da cana de açúcar, tendo grande relevância para a agricultura familiar. A safra deste ano de 235,3 mil toneladas registrou aumento de 5,6% sobre a de 2013 enquanto a área colhida cresceu 7,2%, para 18,7 mil hectares, com rendimento de 12.561 quilos por hectare, -1,6% abaixo da observada na safra anterior.

Em termos de valor bruto da produção (VBP) a queda alcançou 18,5%, passando de R$ 80.541 mil em 2013 para R$ 65.580 mil, este ano.

25 mil famílias

O Sebrae-AL estima que o cultivo e beneficiamento da raiz envolvam 25 mil famílias no estado e cerca de 600 casas de farinha. Na maioria delas são observadas práticas inadequadas quanto ao descarte da manipueira feito quase sempre em desacordo com as normas ambientais vigentes e com um agravante: no processo produtivo da farinha os agricultores lançam mão de madeira retirada da caatinga para alimentar os fornos, uso doméstico e venda.

Vale salientar que a manipueira, efluente resultante da prensagem da massa destinada à fabricação farinha de mandioca, possui alto teor de matéria orgânica, além de ácido cianídrico, substância altamente tóxica e prejudicial ao metabolismo de seres vivos, sendo causa de muitas mortes entre animais.

Para avaliar o seu impacto ambiental, basta lembrar que, segundo os entendidos, uma tonelada/dia do resíduo causa poluição equivalente à produzida por até 300 pessoas/dia.

Os pesquisadores

A equipe responsável pela pesquisa é integrada por Millane Barbosa dos Santos, Renato Menezes Barbosa de Miranda, Luiz Guilherme Abreu de Paula, Arestides Roberto Cavalcante Toledo e Vicente Rodolfo Santos Cezar, todos do Instituto Federal de Alagoas, Campus Marechal Deodoro.

SISTEMA GERAL DO EXPERIMENTO

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