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BRASIL DE COADJUVANTE A PROTAGONISTA MUNDIAL NO MERCADO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

Nordeste participou da evolução do agronegócio nacional, dobrando a produção de grãos entre 2002 e 2007 e triplicando suas exportações, cujo montante alcançaram US$ 6,6 bilhões, no ano passado, dos quais cerca de 90% provenientes de 14 produtos

 

Em pouco mais de cinco anos, com a adoção de uma nova política externa e a diversificação de mercados, especialmente em países emergentes, o Brasil abandonou o papel de coadjuvante para se transformar em protagonista no comércio internacional de produtos agropecuários.

Em 2008, as exportações do agronegócio brasileiro alcançaram a marca histórica de US$ 71,8 bilhões, quase o triplo dos US$ 24,8 bilhões conseguidos no final de 2002, com superávit recorde de US$ 60 bilhões ante US$ 20 bilhões há seis anos. No mesmo intervalo, a safra de grãos: evoluiu de 97 milhões (2002) para 144 milhões de toneladas

Conforme o agrônomo Jose Ayrton Sabóia Valente Junior, do BNB-Etene, esse desempenho é reflexo do avanço dos investimentos públicos e privados no segmento que propiciaram a modernização, expansão e diversificação do setor agropecuário brasileiro, e o surgimento de uma classe empresarial agroindustrial.

Para Ayrton Sabóia, dois aspectos principais pesaram nessas transformações. Em primeiro lugar, o país detém vasta extensão de terras cultiváveis e dispõe de água, diversificação de clima, solo e vegetação, um litoral extenso, que facilita o intercâmbio internacional, além de dedicada força de trabalho e empreendedores competentes. Ao lado disso, as políticas públicas voltadas para a melhoria das áreas de pesquisa, assistência técnica, crédito rural e abastecimento ajudaram a aumentar produção e produtividade, colocando o Brasil como grande player mundial do agronegócio.

Grande player

Hoje, o País é o maior produtor e o maior exportador de café, açúcar, etanol de cana-de-açúcar e suco de laranja. Lidera o ranking das vendas externas de carne bovina, carne de frango e tabaco e se consolidou como o principal pólo de biocombustíveis derivados da cana. Destaca-se ainda na produção e exportação de algodão, milho, frutas frescas, cacau, carne suína, castanhas, couros e peles, entre outros.

Em outras palavras, o País soube converter seu enorme potencial agrícola em realidade e liderança, sendo hoje o terceiro maior exportador agrícola do mundo, atrás somente da União Europeia (bloco econômico formado por 27 países) e dos Estados Unidos.

Há 50 anos, mais da metade das exportações brasileiras era constituída de café destinado aos países desenvolvidos. E, embora esteja inserido no comércio internacional desde o século 16, quando iniciou a venda de corante de tecidos para a Europa, até o final dos anos noventa o Brasil concentrava seus negócios basicamente nos Estados Unidos e países europeus.

Posicionamento do Nordeste

O Nordeste também participou do crescimento da agropecuária brasileira na atual década. Sua safra de grãos dobrou de volume entre 2007 e 2002, passando de 6,3 milhões para 12,6 milhões de toneladas. As exportações do agronegócio triplicaram: de US$ 2,2 bilhões em 2002 pularam para US$ 6,6 bilhões, no ano passado, o equivalente a 42,5% de toda a pauta regional, deixando saldo da ordem de US$ 4,8 bilhões na balança comercial.

Levantamento realizado pelo BNB-Etene mostra que o Nordeste exportou 83 produtos agropecuários, em 2008, dos quais 14 responderam por 91,2% dos negócios, com destaques para celulose, açúcar, álcool, soja, frutas frescas, algodão, couros e peles, cacau e derivados, castanha e pescado.

Um desses produtos, inclusive, assumiu a liderança na pauta exportadora regional. De fato, o capítulo da NCM relativo a sementes e frutos oleaginosos, grãos etc. saltou da sétima para a primeira posição nos oito primeiros meses deste ano, com vendas de US$ 777 milhões. Outro exemplo de vigor nessa área é o volume de vendas da Bunge, conhecida multinacional do setor de alimentos. Sozinha, ela exportou nesse período cerca de US$ 400 milhões, mais do que obteve a maioria dos estados nordestinos computando todos os produtos negociados no mercado internacional.

Pesquisa como fator decisivo

Essa face nordestina do agronegócio teve muito a ver com as pesquisas empreendidas a partir da década de oitenta, tendo como atores principais o Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundeci), vinculado ao BNB-Etene, e a Embrapa. O primeiro financiando e o segundo executando pesquisas decisivas para a região diversificar a produção e aumentar a produtividade.

É o caso da adaptação de variedades que permitiram a ocupação de áreas pioneiras como as dos cerrados da Bahia, Maranhão e Piauí. Ou da criação de novas opções agrícolas para o semiárido como se observa hoje no pólo Juazeiro (BA)/Petrolina (PE), na Chapada do Apodi e vale do Açu (RN) e na região do Baixo Jaguaribe, respeitados centros de fruticultura. Ou, ainda, da viabilização de atividades como o cultivo de peixes, camarão e abelhas em larga escala, além do algodão orgânico e da floricultura.

Desafios a vencer

Em que pesem os êxitos, os especialistas indicam a persistência de muitos empecilhos no caminho do agronegócio nordestino. Um deles, no entendimento de José Ayrton Valente, é fazer com que as exportações se traduzam em crescimento interno, com reflexo na geração de emprego e renda e no desenvolvimento tecnológico, aliando-se pujança econômica com preservação ambiental. Para isso, além de matérias-primas, a pauta deve incluir também produtos da agroindústria e da tecnologia genética.

Outro ponto importante é fortalecer as cooperativas, melhorar a assistência técnica, aumentar a renda dos agricultores familiares da região e oferecer-lhes condições para que se insiram nas cadeias produtivas em condições vantajosas. Nesse sentido, ele sustenta a necessidade de rompimento com a estrutura fundiária do Nordeste, que, particularmente do semiárido dificulta a inserção desse contingente de produtores e a estruturação de atividades agropecuárias em bases comerciais.

Cerca de um terço dos estabelecimentos agropecuários do Nordeste tem menos de 100 hectares e ocupam 14% da área total. É mais ou menos a mesma participação detida pelos que possuem 0,1% das propriedades, com tamanho superior a 1.000 hectares e que, em muitos casos, são subutilizadas em termos de produção.

Essa estrutura fragmentada e concentrada ao mesmo tempo traz problemas à melhoria da agropecuária. De um lado, a limitação de área. Como ressalta o agrônomo Otomar de Carvalho, um dos maiores pesquisadores do semiárido no Brasil, nessa região do país, uma propriedade com menos de 100 hectares, de solo raso, carente de água e explorada com tecnologias tradicionais não gera excedentes que possibilitem ao seu proprietário sair da linha da pobreza. Do outro, o latifúndio subutilizado que, ao concentrar a posse da terra, estimula seu uso mediante parceria, arrendamento e ocupação, obtendo evidentes vantagens econômicas.

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