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LAVA JATO AMEAÇA INVESTIMENTOS DE QUASE R$ 100 BILHÕES NO NORDESTE

Estudo realizado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro informa que a deflagração e o desenrolar da Operação Lava Jato, ora conduzida pela Justiça Federal do Paraná, podem representar um grande impacto na continuidade de investimentos previstos para a infraestrutura e a indústria de petróleo e gás. No Nordeste, por exemplo, seriam afetados projetos como as refinaria Abreu e Lima, o estaleiro Atlântico Sul e a transposição do Rio São Francisco, no total de quase R$ 100 bilhões.

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Refinaria  Abreu e Lima, em Pernambuco.

AGÊNCIA PRODETEC - ΩΩ – Abril 2015

Rio de Janeiro – Os técnicos da área de economia da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) fizeram as contas e chegaram à seguinte conclusão: investimentos da ordem de R$ 423,8 bilhões correm o risco de não serem efetivados em todo o país devido às complicações derivadas da Lava Jato, a operação cata corrupto conduzida pela Justiça Federal do Paraná.

Esse montante estaria atrelado a 144 diferentes empreendimentos Brasil afora, a maioria na área de infraestrutura, além de grandes projetos no segmento industrial (refinarias de Pernambuco e complexo petroquímico do Rio de Janeiro, estaleiros navais, fábricas de fertilizantes, entre outros).

No caso do Nordeste, seriam afetados projetos a iniciar e outros já em execução, como a construção de estradas, equipamentos voltados para a mobilidade urbana, transportes, abastecimento de água, saneamento básico, fabricação de embarcações e outros de menor porte.

QUASE R$ 100 BILHÕES

Do total de investimentos em risco (R$ 423,8 bilhões), o estudo da Firjam indica R$ 97,8 bilhões apurados para o Nordeste, excluídas as inversões em projetos que beneficiam vários estados. Esses valores superam o Produto Interno Bruto do Ceará - de R$ 90,1 bilhões, em 2012, segundo o IBGE,- e representam o equivalente aos PIBs de Fortaleza (R$ 43,4 bilhões), Salvador (R$ 39,8 bilhões) e Maceió (R$ 13,7 bilhões), juntas.

O levantamento aponta Pernambuco como o estado mais afetado, com a paralisação ou atraso de projetos da ordem de R$ 73,5 bilhões. Em seguida aparecem Bahia, com R$ 21,3 bilhões; Ceará, com R$ 1,4 bilhão; Rio Grande do Norte, com R$ 1 bilhão; Alagoas, com R$ 600 milhões; e Maranhão, com R$ 400 milhões.

NORDESTE. INVESTIMENTOS AMEAÇADOS DEVIDO À LAVA JATO.

ESTADOS

VALOR EM R$ BI.

OUTROS ESTADOS

VALOR EM R$ BI.

Pernambuco

73,5

Rio

105,8

Bahia

21,3

São Paulo

78,2

Ceará

1,4

Pará

34,2

R. Grande do Norte

1,0

Rondônia

28,0

Alagoas

0,6

Esp. Santo

16,3

Maranhão

0,4

Minas

16,2

---

---

R. Grande do Sul

13,0

---

---

Goiás

8,0

---

---

Mato Grosso Sul

7,9

Fonte: Nota Técnica Firjan nº3.

Suspensão de contratos

De acordo com os autores, até a finalização do documento, as investigações da Operação Lava Jato já haviam provocado a suspensão formal de contratos, por parte da Petrobras, com 25 empresas, das quais 13 construtoras "envolvidas pelas mais importantes obras de infraestrutura do país e em grandes empreendimentos no setor de petróleo e gás".

Com o desenrolar da operação, outras empresas direta ou indiretamente relacionadas com as investigações sofrem impacto econômico e financeiro, fragilizando toda a cadeia de fornecedores do setor de P&G.

É o caso, por exemplo, dos estaleiros navais. O trabalho divulgado pela Firjan constatou que estão ameaçadas de paralisar "ao menos 109 obras de infraestrutura, duas gigantescas plantas de refino e duas de fertilizantes", além de 31 contratos de embarcações junto a 18 estaleiros.

Entre os maiores projetos sob risco é citado o da transposição de água do rio São Francisco para bacias do Nordeste setentrional, cujo impacto se espraia por mais de uma centena de municípios nordestinos. A obra, iniciada no primeiro governo de Lula da Silva, orçada hoje em volta de R$ 8,6 bilhões, tem previsão de entrega para 2017, conforme o Ministério da Integração.

Refinarias de petróleo

Outro empreendimento de grande porte que pode ser prejudicado – a refinaria Abreu e Lima já entrou em processo de produção, mas requer, ainda, muitas inversões para ser dado como concluído. Ainda em Pernambuco estariam ameaçadas as encomendas ao estaleiro Atlântico Sul, um projeto da ordem de R$ 25,5 bilhões.

Em relação às refinarias previstas para o Ceará e o Maranhão, que não foram incluídas no documento elaborado pela Firjan, a explicação da Petrobras foi de que a descontinuidade de ambas não foi consequência da operação Lava Jato, mas da reformulação do plano de negócios da estatal.

De qualquer maneira, os dois estados amargam prejuízos substantivos em função de despesas de pré-investimentos efetuadas para receber as sonhadas refinarias.

No caso cearense, o governo é controverso quanto ao total do investimento realizado, mas é unânime quanto à disposição de pedir ressarcimento pelo já gasto, coisas como aquisição do terreno próximo ao porto do Pecém, construção de cercas e acessos, indenização de posseiros e proprietários, estudos para energia e abastecimento de água, entre outros itens.

Em São Luís, o novo governador, o comunista Flávio Dino, ainda mantém esperança de que vingue seu apelo a presidente Dilma para que a refinaria maranhense não seja enterrada.

Além dos discursos de praxe, os parlamentares dos dois estados formaram uma comissão especial na Câmara dos Deputados, sob a relatoria do deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), para analisar os impactos sociais e econômicos do anúncio de cancelamento das refinarias premium I (Maranhão) e II (Ceará).

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