Anuncie Aqui

BANCO CENTRAL JÁ SINALIZA QUEDA PARA A ECONOMIA DO NORDESTE

(Agência Prodetec) - Embora mantendo crescimento acima da média nacional, os resultados do trimestre encerrado em fevereiro já sinalizam para a desaceleração da economia nordestina. É o que revela o estudo de conjuntura regional divulgado pelo Banco Central na última sexta-feira (15), em São Paulo.
Mesmo com o bom desempenho dos setores de serviços e, sobretudo, da agropecuária, o indicador do Bacen para o Nordeste (IBCR-NE) ficou em -0,1% no trimestre findo em fevereiro comparativamente ao anterior, encerrado em novembro.

No conjunto das demais regiões, o Centro-Oeste apurou expansão de 0,4% ante 0,3% no Norte e 0,2% no Sudeste. Por sua vez, a economia do Sul recuou 1,4%, refletindo o processo de ajuste da economia brasileira como um todo que experimentou declínio de 0,6% no trimestre encerrado em fevereiro, quase o mesmo índice do trimestre anterior (0,7%).

REGIÕES / BRASIL

DEZ2014-FEV15 (*)

SET.-NOV2014 (*)

BRASIL (IBC-BR)     

-0,6

0,7

 SUL   (IBCR-S)

-1,4

2,5

SUDESTE (IBCR-SE)

0,2

0,7

NORDESTE (IBCR-NE)

-0,1

?

 CENTRO-OESTE (INCR-CO)

0,4

0,6

NORTE (IBCR-N)

0,3

1,1

Fonte: Banco Central. Boletim Regional.
(*) Dados dessazonalizados e variação sobre o período anterior.

Perspectivas

De acordo com os técnicos do Banco Central, para os próximos trimestres, as perspectivas são mais positivas para o Nordeste em função do crescimento esperado para a safra de grãos e da maturação de importantes projetos de investimentos executados na região, com impactos sobre as cadeias de consumo e produção.

Do ponto de vista estadual, o panorama sinaliza perda de dinamismo da economia da Bahia e de Pernambuco nos primeiros meses deste ano, e avanço moderado no Ceará. No caso baiano, o desempenho está sendo afetado pelos níveis de atividade da indústria de transformação e da construção civil, tendo o índice de crescimento do estado (IBCR-BA) recuado 1,7% no trimestre findo em fevereiro último. Em 12 meses, o indicador aumentou 16% em fevereiro ante 2,7% em novembro de 2014.

Com relação a Pernambuco, o cenário é de moderação como reflexo do comportamento das atividades comerciais e industriais, bem assim do mercado de trabalho. O IBCR-PE diminuiu 0,2% no trimestre encerrado em fevereiro ante crescimento de 0,8% em novembro.

No Ceará, o índice IBCR-CE aponta uma pequena variação de 0,3% no crescimento durante o trimestre na comparação com o anterior quando a expansão alcançou 1,1%.

Indústria e Comércio

No plano regional, a indústria fechou com um recuo de 4,8% no trimestre analisado comparativamente ao acumulado em idêntico período anterior, quando a expansão foi de 1,4%. O resultado, bem inferior à média nacional, foi influenciado pelo desempenho negativo das áreas de fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (31,5%) e de metalurgia (9,1%).

A análise do Banco Central para o trimestre encerrado em fevereiro mostra que as vendas do comércio varejista do Nordeste recuaram 2,7% na comparação com o anterior quando cresceram 2,5%, com dados dessazonalizados. Destacaram-se as quedas de 9,6% nas vendas de móveis e eletrodomésticos e de 5,5% nas de tecidos, vestuário e calçados.

O comércio ampliado, por sua vez, recuou 3,6% no trimestre com quedas observadas nas vendas de veículos (5%) e de material de construção (1,7%).
Quanto ao setor de serviços, a receita nominal do período avançou 6,3% no Nordeste.

Trabalho e agropecuária

O mercado de trabalho perdeu dinamismo na região, com eliminação de 110 mil postos de trabalho no trimestre (contingente 4,5 vezes maior que no mesmo período de 2014), especialmente por parte dos setores de construção civil, comércio e serviços.

Considerados os dados referentes às regiões metropolitanas de Salvador, Recife e Fortaleza a taxa de desemprego do Nordeste atingiu 8,1% no trimestre encerrado em fevereiro, um pouco acima dos 7,5% registrados em igual período de 2014. Houve aumento de 6,8% da massa salarial e de 5,4% no rendimento real médio.

No âmbito do setor primário, a expectativa dos responsáveis pelo trabalho do Banco Central é de um crescimento de 20,3% para safra de grãos no Nordeste em 2015, em torno de 18,8 milhões de toneladas.

Eles ressaltam, em particular, o avanço aguardado de 26,4% na produção de soja, de 56,9% na de feijão e de 15,7% na cultura de milho.

Postada em 18 Maio 2015.

Voltar

 

A agência Prodetec é uma ferramenta voltada para divulgar artigos, estudos e pesquisas
sobre assuntos relacionados com o Nordeste

Imagine Comunicação Digital

Todos os direitos reservados. Reprodução do material permitida mediante citação da fonte.