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CONSUMO DO NORDESTINO DEVE SUPERAR R$ 700 BILHÕES EM 2015

Como no Brasil como um todo, também no Nordeste o consumo das famílias cresce mais no interior do que nas capitais, devendo agregar o equivalente a US$ 60 bilhões em novas compras até 2020, segundo estudo da BCG, uma consultoria multinacional. Essa tendência foi verificada igualmente em pesquisa da IPC Marketing, segunda a qual a região nordestina já é o segundo maior polo de consumo do país, após o Sudeste, com participação 19% do total.

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Compras: uma atividade comum entre todas às classes.

A nova edição do IPC Maps, índice elaborado pela IPC Marketing Editora, indica que o potencial de consumo dos nordestinos deve alcançar R$ 708,7 bilhões este ano ante R$ 3.730 bilhões dos brasileiros como um todo. O total equivale a 19% do consumo nacional, atrás apenas da região Sudeste, com 49%.

O trabalho da IPC Marketing já é realizado há 20 anos e tem como base dados secundários, atualizados e pesquisados em órgãos como o IBGE. Utilizando metodologia própria, este é o primeiro estudo de potencial de consumo lançado para o mercado, que traz as mais recentes modificações introduzidas, em termos de valores monetários e classificação econômica, assegura Marcos Pazzini, diretor da editora.

A projeção de crescimento nominal para o Brasil foi de R$ 468 bilhões ou 14,3 % sobre o ano passado quando chegou a R$ 3.262 bilhões.

De acordo com o estudo, que abrange os 5.570 municípios brasileiros, o fenômeno da interiorização do consumo se manteve como tendência para 2015, superando a participação das capitais no conjunto da economia do país.

Panorama regional

A região Nordeste registrou uma queda de meio ponto percentual (pp) no seu potencial de consumo na comparação com o ano anterior. O Sudeste permanece na liderança, embora tenha acusado também perda de 0,2 pp no consumo nacional (de 49,2 % para 49% entre 2014 e 2015). Caíram, igualmente, as participações do Norte (0,1 pp) e do Centro-Oeste.

Na região Sul ocorreu pequena variação positiva na participação: de 16,8% para 17,7%, mas insuficiente ainda para ultrapassar o Nordeste, conforme mostra a tabela abaixo.

PARTICIPAÇÃO DAS REGIÕES (%) NO POTENCIAL DE CONSUMO EM 2015

REGIÃO

PARTICIP. (%) EM 2015

PARTICIP. (%) EM 2014

Norte

5,9

6,0

Nordeste

19,0

19,5

Sudeste

49,0

49,2

Sul

17,7

16,8

Centro-Oeste

8,4

8,5

Fonte: IPC Maps.

Liderança baiana

Entre os 50 maiores mercados consumidores brasileiros identificados pela pesquisa, apenas dez municípios estão localizados no Nordeste – as capitais e Jaboatão dos Guararapes (PE). Do ranking nacional de dez, aparecem somente Salvador, quinto maior mercado consumidor do Brasil, e Fortaleza, oitavo lugar.

No caso da capital baiana, o potencial de consumo no biênio 2014/15 saltou de R$ 52,5 bilhões para R$ 58,3 bilhões, o maior crescimento em termos absolutos. O de Fortaleza permaneceu praticamente inalterado no mesmo período, de R$ 42 bilhões para R$ 42,6 bilhões.

A projeção para o mercado do Recife prevê acréscimo de R$ 923 milhões em 2014 relativamente ao ano anterior, embora tenha caído uma posição no ranking nacional, da décima para a décima primeira.

Vale salientar que São Luís, Natal e João Pessoa ganharam posição no ranking nacional na comparação com 2014, com destaque para as duas últimas que avançaram cinco pontos percentuais, cada.

A capital maranhense pulou do 17º para o 15º lugar e prevê consumo de R$ 18,8 bilhões este ano ante R$ 17,3 bilhões no ano anterior. No caso de Natal, o acréscimo estimado é de R$ 3 bilhões, quase o mesmo montante esperado para João Pessoa (R$ 3,3 bilhões).

O quadro abaixo relaciona os dez maiores mercados consumidores do Nordeste em 2015 e 2014 e sua participação no ranking nacional.

10 MAIORES MERCADOS CONSUMIDORES DO NORDESTE.

Município

Ord.Nac.

Potencial consumo 2015 – R$ Milhões

Potencial consumo 2014 – R$ Milhões

Ord.Nac.

Salvador

5

 58.290

52.659

5

Fortaleza

8

42.655

42.021

8

Recife

11

30.477

29.554

10

São Luís

16

18.868

17.380

17

Natal

18

17.678

14.599

23

João Pessoa

24

16.641

13.352

29

Maceió

26

16.448

16.880

19

Teresina

35

13.694

12.838

31

Aracaju

38

13.192

13.334

28

Jaboatão Guararapes

50

10.144

9.933

44

Fonte: IPC Maps. Elaboração Agência Prodetec.

 

Distribuição por estrado de renda

Pelos dados do IPC Maps 2015 o quadro de consumo do Brasil concentra-se na chamada classe B -- cuja renda média domiciliar varia entre R$ 8,6 mil (B1) e R$ 4,4 mil (B2). Esse estrato responderia por 43,2% do consumo total e 35,4% dos domicílios urbanos do país.

Já a classe média, que compreende o maior contingente de domicílios urbanos do país (47,9%), representaria 33,7% do consumo nos dois segmentos de renda que a compõem: C1 (R$ 2,4 mil) e C2 (R$ 1,4 mil). Por sua vez, a classe D/E (renda média de R$ 0,6 mil e 26,6% dos domicílios urbanos), responderia por 10,2% do consumo. .

A classe C vai consumir quase R$ 1,2 trilhão ante R$ 1,5 trilhão da classe B, R$ 447 bilhões da classe A e R$ 352 milhões da classe D/E.

Essa distribuição reflete de forma clara as disparidades sociais e econômicas existentes no Brasil. Com mais de um quarto dos domicílios urbanos, o potencial de consumo do estrato base (D/E) não chega a 80% da participação do topo (A), que corresponde a apenas 2,3% dos domicílios.

BRASIL. POTENCIAL DE CONSUMO POR ESTRATO SOCIOECONÔMICO - 2015

ESTRATO

VALOR R$ BI

PART. (%)

RENDA MEDIA DOMICILIAR – R$ 1,00

PART. (%) NOS DOMICÍLIOS URBANOS

A

447,5

12,9

20.272,56

2,3

B

1.497,5

43,2

B1: 8.695,88
B2: 4.427,36

35,4

C

1.169,0

33,7

C1: 2.409,01
C2: 1.446,24

47,9

D/E

352,0

10,2

639,78

26,6

  Fonte: IPC Maps.

Distribuição espacial

Bahia, Pernambuco e Ceará os três maiores Produtos Internos Brutos (PIBs) e os estados mais populosos do Nordeste também respondem pela maior parcela do consumo estimado para 2015.

A maior presença refere-se ao mercado baiano, sexto lugar do país, com participação de 5,49%, o que equivale a um potencial de consumo no montante de R$ 201,12 bilhões.

Pernambuco aparece em seguida, com participação de 3,45% e R$ 125,1 bilhões, oitavo polo consumidor nacional. Por sua vez, o mercado do Ceará (10º lugar) absorveria 2,96% do potencial de consumo do país, com R$ 106,7 bilhões.

NORDESTE. MAPA DO CONSUMO POR ESTADO. ESTIMATIVA 2015

Estado

Total 2015 – Em R$ Bilhões

Part.(%) no Brasil

Maranhão (14)*

67,62

1,81

Piauí (21)*

36,74

0,98

Ceará (10)*

106,73

2,86

Rio G. do Norte (17)*

49,23

1,32

Paraíba (16)*

54,57

1,46

Pernambuco (8)*

125,10

3,35

Alagoas (20)*

37,72

1,01

Sergipe (22)*

30,61

0,82

Bahia (6)*

201,12

5,39

Fonte: IPC Marketing (www.ipcbr.com). Elaboração Agência Prodetec. 
 (*) Refere-se à participação no ranking nacional.

Força do interior

O estudo da IPC confirma uma tendência já identificada em outras fontes: a força das cidades do interior no mapa do consumo nacional que já alcança cerca de 70% do total. As capitais registram queda ao longo dos últimos anos, devendo alcançar 30% em 2015, ante 32,5% em 2014 e 34,5% em 2010.

Segundo o trabalho, os 50 maiores municípios brasileiros responderão por 40,3% do consumo este ano, contra 42,6% no ano anterior, 44% em 2011 e 45,8%, em 2010. Entre os dez maiores mercados as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza, Goiânia, Recife.

Um estudo do Boston Consulting Group, baseado em sondagem com quase quatro mil pessoas, indica que, embora o consumo tenda a desacelerar no geral, consequência de instabilidades na economia do país, as cidades do interior do Brasil apresentam crescimento na demanda.

Segundo seus autores, até 2020, os consumidores nas regiões do interior deverão ser responsáveis por mais de 45 por cento de crescimento no setor de varejo, agregando cerca de US$ 60 bilhões em novas compras.

Eles asseguram que poucos varejistas do país estão preparados para capitalizar estas oportunidades de expansão, em grande parte porque eles concentraram suas atenções e esforços quase exclusivamente nas cidades costeiras.

Segundo o trabalho (www.bcgperspectives.com), existe um grande descompasso entre a localização de lojas de varejo atuais e os locais de futuro crescimento da demanda. Falta, por exemplo, pontos de venda e serviços no interior em qualidade e quantidade, tanto o trabalho identificou cerca de 1.400 cidades, com mais de cinco mil famílias residentes, sem supermercados ligados as 20 maiores cadeias varejistas do país.

Com as mudanças observadas no comportamento do consumidor do interior – acrescentam - os varejistas devem determinar a forma de alcançar esses mercados de forma lucrativa.

MAIS DADOS SOBRE O PERFIL DO MAPA DE CONSUMO DO BRASIL

  • População do país deve chegar a 204,5 milhões de pessoas (51% de mulheres), concentrada na zona urbana (84,7%. 173,2 milhões).
  • Consumo urbano per capita anual de R$ 20.013,43.
  • Consumo da população rural (R$ 263,4 bilhões ou R$ 8.428,81 per capita).
  • Itens como manutenção do lar (26,7%) lideram o consumo (incorporam despesas com aluguéis, impostos, luz-água-gás).
  • O item alimentação deve absorver 17,1% (11,9% no domicílio e 5,2% fora dele e 1,2% com bebidas).
  • Dispêndios com; transportes alcançam 7,5%, ante 7,1% com saúde, medicamentos, higiene pessoal e limpeza.
  • O consumo de vestuário e calçados (4,6%) quase empata com materiais de construção (4,4%).
  • Itens como recreação e viagens (3,2%); eletrônicos-equipamentos (2,3%),
  • Educação (2,2%), móveis e artigos do lar (1,9%) também absorvem gastos consideráveis.
  • Consumidores com 60 anos ou mais já somam 23,9 milhões (ou 12%) contra 27,2 milhões de jovens e adolescentes dos 10 aos 17 anos.
  • O Brasil registra 18,7 milhões de empresas, em 2015, 11% mais que 2014, das quais metade no Sudeste, 18,4% no Sul.

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