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AGRICULTURA IRRIGADA: NORDESTE TEM BOAS CONDIÇÕES PARA EXPLORAR 25 DIFERENTES CULTURAS

O Nordeste brasileiro tem reconhecidamente as melhores condições para produção de frutas e hortaliças em todo o mundo, o que abre grandes possibilidades para o desenvolvimento da agricultura irrigada na Região. Esta é uma das conclusões de estudo sobre o agronegócio nordestino, feito no âmbito do projeto “Novo Modelo de Irrigação”. Nele foram identificadas condições favoráveis para desenvolvimento, durante todo o ano, de mais de 25 diferentes culturas com bons níveis de produtividade, conforme quadro abaixo.

Com uma área superior a 600 mil hectares irrigados, dos quais cerca de 30% relativos a áreas públicas, a irrigação transformou-se em grande vetor de crescimento do Nordeste. Basta ver as alterações ocorridas em regiões como Petrolina/Juazeiro, Mossoró/Assu, norte de Minas Gerais, sul do Maranhão e oeste da Bahia. Ali, a agricultura irrigada vem contribuindo para a redução da pobreza e do êxodo rural, bem assim para a geração de empregos, considerando-se que cada hectare irrigado proporciona até 2,4 empregos diretos e indiretos. Somente o semi-árido tem potencial de área apta para irrigação superior a 2,4 milhões de hectares.

Conforme os autores do trabalho, os projetos de irrigação públicos e privados promoveram aumento significativo de renda e emprego a montante e a jusante deles, com efeitos altamente positivos sobre as economias regional e locais. A par das vantagens representadas pela irrigação, o estudo identificou também muitos pontos que limitaram o seu desenvolvimento, ligados, sobretudo, às áreas de produção, crédito,pesquisa, comercialização, marketing, capacitação e descontinuidade administrativa, no caso específico de irrigação em perímetros públicos.

geração de emprego e redução do êxodo rural

Segundo os especialistas, a cada emprego na produção agrícola corresponderia outro no restante do agronegócio. Os dados mostram o seguinte: de cada 100 pessoas empregadas no Nordeste, 83 estariam vinculadas ao segmento.

Essa capacidade de geração de emprego vem contribuindo e poderá contribuir mais ainda para reduzir o êxodo rural desordenado no Nordeste, que atingiu cerca de 4,3 milhões de nordestinos entre 1991/99, ou 40% da migração rural brasileira no período. Como paga salários competitivos, mesmo quando se compara aos de grandes centros urbanos, a agricultura irrigada tem condição de reter a população no meio rural e nas cidades vinculadas à agricultura.  

Culturas tradicionais do Nordeste, como algodão, cana-de-açúcar, feijão e mandioca, estão em declínio, em termos de área plantada e produção, conforme mostra levantamento realizado para o período 1990/98. Isso significa que o abastecimento desses produtos está sendo complementado com produção de fora, fazendo com que parte da poupança regional seja drenada para outras áreas mais ricas.

participação pública vital

De outro lado, essa situação abre perspectivas para o mercado regional, em especial para a agricultura irrigada, e para a diversificação da produção. Através da irrigação e favorecido pelas condições de luminosidade e temperatura, o Nordeste tem condições de produzir de forma competitiva, desde que se promova o desenvolvimento tecnológico naquelas culturas para elevar os níveis de produtividade.

Neste sentido, continua relevante a presença oficial na atividade, como, aliás, ocorreu entre 1970/1998, período em que essa participação foi responsável por 28% do incremento da área total irrigada no Nordeste.

Essa participação traz uma série de vantagens para o Estado e a iniciativa privada:

a)Revela as viabilidades técnica e econômica dos projetos, por estudos de solo e água, realizados pelas instituições;

b)Permite que áreas irrigáveis distantes de fontes d’água possam ser incorporadas, a exemplo de Jaíba (MG) e do projeto Nilo Coelho (PE);

c)Permite a formação estratégica de água, via barragens e açudes, em áreas com sérios problemas de abastecimento, a exemplo do Castanhão (CE) e Janaúba (MG).

d)Cria condições para que a iniciativa privada conheça e teste a aplicação de tecnologia de ponta na redução do risco tecnológico e no desenvolvimento de cultivos de maior densidade e valor econômico.

Os projetos públicos correspondiam, em 1998, a uma área de 169 mil hectares, dos quais 107,4 mil efetivamente em produção, e o restante em processo de licitação para venda de lotes. A estimativa para este ano é que dos 660 mil hectares da área irrigada no Nordeste, 30% sejam de iniciativa pública, ocupando sobretudo a região do Vale do São Francisco.

CULTURAS IRRIGADAS PARAO NORDESTE E NORTE MIDE MINAS, FAIXA DE PRODUTIVIDADE OBSERVADA EM CULTURAS BEM CONDUZIDAS E PRODUTIVIDADE MAIS OBSERVADA EM CULTURAS BEM CONDUZIDAS EM CONDIÇÕES NORMAIS.

Cultura

Produtividade (t/ha) em cultura irrigada bem conduzida em condições comerciais

Faixa observada

Valor mais observado

Abacaxi

Algodão

Arroz

Milho(grãos)

Feijão (Phaseolus Vulgaris)

Uva

Manga

Limão

Coco

Tomate Industrial

Melancia

Melão

Batada-doce

Banana-prata

Banana-pacovan

Banana-nanica

Goiaba

Cebola

Maracujá

Caju *

Mamão-papaia

Pinha

Cenoura

Cana-de-açúcar

Acerola

Pimentão industrial **

35-75

1,7-240

4,5-8,0

4,5-8,5

1,8-2,4

30-50

15-30

25-35

25-42

50-90

25-45

18-28

20-35

35-52

25-40

45-90

20-35

18-50

15-22

26-38

19-30

15-25

10-28

85-140

18-32

2,5-5,0

50

2,0

6,0

6,5

2,0

35

25

32

35

65

35

22

25

40

30

60

25

30

18

32

26

18

25

120

25

4,0

 





FONTE: PLENA Consultoria de Engenharia Agrícola.

* Pedúnculo in natura; ** Produção seca

Propostas apresentadas

O estudo sobre um novo modelo para fomentar a agricultura irrigada regional foi direcionado para promover e modernizar a irrigação comercial com foco na exportação, bem assim a irrigação familiar com o objetivo de minimizar os níveis de pobreza regionais, frente à realidade imposta pela globalização dos mercados.

Realizado por um consórcio selecionado em concorrência internacional, o estudo, sob a coordenação do Banco do Nordeste, propõe o desenvolvimento, validação e estabelecimento das bases estruturais, conceituais, regulatórias, operacionais e financeiras do modelo, com enfoque na região nordestina.

No geral, a pretensão é de que o novo modelo contribuirá para estimular o investimento público e privado em todas as fases da cadeia produtiva; orientar a produção para as oportunidades e características do mercado (produção por encomenda); redirecionar a participação do governo, passando-se a priorizar os papéis de indução, orientação, regulação e promoção; gerar sinergia entre a iniciativa privada e as três esferas de governo (federal, estadual e municipal); e identificar novas fontes e modelagens de financiamento.

O trabalho aborda, ainda, a eficiência no uso e na gestão da água para irrigação, e propõe mecanismos e/ou legislação para controle dos impactos ambientais e sociais.

setor privado e infraestrutura

No caso do Nordeste e norte de Minas, o Governo deve estimular maior participação do setor privado no desenvolvimento da agricultura irrigada, inclusive nos investimentos de infraestrutura de uso coletivo nos projetos de irrigação de maior porte ou complexidade.

O estudo propõe, também, estímulo à implantação, nos perímetros irrigados, de sistemas de monitoramento da irrigação e de política tarifária, aplicáveis ao Nordeste e norte mineiro, visando ao uso racional da água, ou seja, considerando-se a sustentabilidade ambiental, econômica e social.

Outras sugestões elencadas no estudo:

• Contribuir para a geração de informações que facilitem a tomada de decisões dos atores públicos e privados, segundo uma visão de cadeia produtiva;

• Orientar o desenvolvimento da produção agrícola irrigada, tendo como base as oportunidades e exigências dos mercados interno e externo;

• Permitir ao governo reordenar sua atuação, com ênfase no papel que cabe ao Estado moderno (orientação, regulação, promoção, dentre outros), inclusive fortalecendo as parcerias entre a iniciativa privada e o governo, no âmbito das três esferas: federal, estadual e municipal.

Fonte: Estudo "Modelo geral para otimização e promoção do agronegócio da irrigação do Nordeste", da série "Políticas e estratégias para um novo modelo de Irrigação".

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