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DESEMPREGO NO NORDESTE ESTE ANO SUPERA O DAS DEMAIS REGIÕES

O desempenho do mercado de trabalho no Nordeste foi fortemente impactado pelo recuo da atividade econômica do país nos últimos meses. Em estados como a Bahia, principal centro industrial da região, o nível de desocupação alcançou 15,5%, o maior do país, um pouco maior que os apurados pelo IBGE para Pernambuco (13,3%) e Rio Grande do Norte (14,3%).

Foto de Mateus Quadros.
prodetec-desemprego-2016
Metalúrgicos contra o desemprego na fábrica da Ford, em Camaçari (BA). 

AGÊNCIA PRODETEC ΩΩΩ [MAIO 2016]

Rio de Janeiro (Agência Prodetec) – Os resultados da última PNAD Contínua, divulgados hoje pelo IBGE, indicam que a taxa de desocupação subiu em todas as grandes regiões brasileiras no primeiro trimestre. Em relação ao mesmo período de 2015, a média geral do Brasil ficou em 10,9%, com destaque para o Nordeste, onde ficou em 12,8% no primeiro trimestre do ano passado. Na sequência aparecem Sudeste, com 11,4%; Norte (10,5%), Centro-Oeste (9,7%) e Sul (7,3%).

No comparativo anual, entretanto, o Sudeste apresentou alta maior (3,4 pontos percentuais) do que a observada no Nordeste (3,2 pontos percentuais).

Outro ponto da pesquisa: a desocupação atinge principalmente os jovens. Na população de 18 a 24 anos, a taxa no Brasil, foi de 24,1% enquanto no Nordeste atingiu 27,4% (25,5% no Sudeste).

DESOCUPAÇÃO NO BRASIL - 1ºTRIMESTRE.2016/1ºTRIMESTRE.2015

REGIÃO

TAXA.2016

TAXA.2015

VARIAÇÃO*

Norte

10,5

8,7

1,8

Nordeste

12,8

9,6

3,2

Sudeste

11,4

8,0

3,4

Sul

7,3

5,1

2,2

Centro-Oeste

9,7

7,3

2,4

BRASIL

10,9

7,9

3,0

 Fonte: PNAD/IBGE. (*) Elevação em pontos percentuais.

 

Entre os estados brasileiros, os piores desempenhos foram registrados pela Bahia (15,5%) e Rio Grande do Norte (14,3%). Na comparação com o primeiro trimestre de 2015, a situação agravou-se bastante em todos os estados nordestinos, especialmente em Pernambuco onde a desocupação subiu 5,1 pontos percentuais (pp), passando de 8,2% para 13,3%.

Na Bahia, principal polo industrial do Nordeste a taxa de desocupação elevou-se de 11,3% no primeiro trimestre de 2015 para 15,5% no final de março deste ano.

O melhor desempenho verificou-se na Paraíba, com acréscimo de 0,9 ponto percentual no intervalo de um ano. De 9,1% no primeiro trimestre de 2015, a taxa de desocupação alcançou 10% agora em março. Em seguida aparecem os estados de Alagoas, com aumento de 1,7 pp, Maranhão e Piauí, ambos com 1,9 pp.

TAXAS DE DESOCUPAÇÃO NOS ESTADOS DO NORDESTE

ESTADOS

1ºTRI.2016

TRI.ANTERIOR

1ºTRI.2015

Maranhão

10,8

8,2

8,9

Piauí

9,6

7,2

7,7

Ceará

10,8

9,0

8,0

Rio G. do Norte

14,3

12,2

11,5

Paraíba

10,0

9,5

9,1

Pernambuco

13,3

11,0

8,2

Alagoas

12,8

11,3

11,1

Sergipe

11,2

9,9

8,6

Bahia

15,5

12,3

11,3

NORDESTE

12,8

10,5

9,6

 Fonte: PNAD/IBGE.

 

Nível de ocupação

Conforme a pesquisa, o nível de ocupação ficou em 54,7% no Brasil e 49% no Nordeste, enquanto nas demais regiões situou-se acima da média nacional: 59,8% no Sul, 58,6% no Centro-Oeste, 55,9% no Sudeste e 55% no Norte.

Mais uma vez, estados do Nordeste ficaram com os piores desempenhos nesse indicador, que reflete a parcela da população ocupada ante a população em idade de trabalhar no país. Os níveis de ocupação mais baixos ocorreram em Alagoas (42,8%), Rio Grande do Norte (46,7%) e Ceará (47,2%).

O contingente de pessoas desocupadas elevou-se uma enormidade no estado de Pernambuco (66,1%) em relação ao primeiro trimestre de 2015, estimando-se em 542 mil os indivíduos nessa condição.

Na Bahia, a população desocupada subiu 35,9%, para 1,1 milhão de pessoas, a mesma taxa observada no Ceará (403 mil pessoas).

NORDESTE. POPULAÇÃO EM IDADE DE TRABALHAR, OCUPADA, DESOCUPADA E NIVEL DE OCUPAÇÃO – 1º TRI.2016

ESTADOS

Pop. em idade de trabalhar

População ocupada

Nível de Ocupação %

População desocupada/Var.% s/1ºTri.2015

Maranhão

5.145.000

2.572.000

50,0

  312.000 (+22,8)

Piauí

2.544.000

1.319.000

51,8

  139.000 (+22,3)

Ceará

7.073.000

3.340.000

47,2

  403.000 (+35,9)

Rio G. do Norte

2.778.000

1.297.000

46,7

  217.000 (+24,4)

Paraíba

3.145.000

1.544.000

49,1

   172.000 (estável)

Pernambuco

7.519.000

3.539.000

47,1

  542.000 (+66,1)

Alagoas

2.606.000

1.116.000

42,8

164.000 (+16)

Sergipe

1.806.000

912.000

50,5

  116.000 (+27,9)

Bahia

12.020.000

6.214.000

51,7

1.142.000 (+35,9)

NORDESTE

44.636.000

21.852.000

49,0

3.267.000 (+33,7)

 Fonte: PNAD/IBGE. Elaboração Agência Prodetec.

 

A população ocupada no país foi estimada em 90,6 milhões, 1,5% abaixo do contingente do ano passado, o equivalente a 1,4 milhão de pessoas. O número de desempregados totaliza 11.089 mil, alta de 39,8% na mesma base de comparação.

Renda

No caso do rendimento, o Nordeste também cravou a menor média entre as demais regiões brasileiras, ficando, inclusive, aquém da média nacional de R$ 1.966,00.

No Sudeste, o rendimento médio do trabalhador no primeiro trimestre alcançou R$ 2.299,00 ante R$ 2.200,00 no Centro-Oeste, R$ 2.098,00 no Sul, R$ 1.481,00 no Norte e R$ 1.323,00 no Nordeste. O trabalhador brasiliense registrou o maior rendimento, com R$ 3.598,00, bem acima daquele apurado no Ceará (R$ 1.285,00), Piauí (R$ 1.263,00) e Maranhão (R$ 1.032,00), os três piores resultados do país.

RENDIMENTO MÉDIO DO TRABALHADOR NO NORDESTE - EM R$ 1,00.

ESTADOS

1ºTRI.2016

TRI.ANTERIOR

1ºTRI.2015

Maranhão

1.032,00

1.048,00

1.048,00

Piauí

1.263,00

1.258,00

1.243,00

Ceará

1.285,00

1.261,00

1.271,00

Rio G. do Norte

1.439.00

1.556,00

1.496,00

Paraíba

1.287,00

1.334,00

1.402,00

Pernambuco

1.520.00

1.473,00

1.717,00

Alagoas

1.301,00

1.310,00

1.355,00

Sergipe

1.441.00

1.431,00

1.563,00

Bahia

1.331,00

1.329,00

1.369,00

NORDESTE

1.323,00

1.323,00

1.386.00

 Fonte: PNAD/IBGE. Elaboração Agência Prodetec.

 

Força de trabalho

De acordo com o IBGE, a PNAD Contínua indica ainda que no Brasil, durante o primeiro trimestre de 2016, 38,6% das pessoas em idade de trabalhar estavam fora da força de trabalho, ou seja, não trabalhavam nem procuravam trabalho. E a maior parcela dessas pessoas (43,9%) estava localizada na região Nordeste
Segundo o trabalho, a população fora da força de trabalho era composta em sua maioria por mulheres, que, no 1º trimestre de 2016, representavam 66,1% desse contingente. Pouco mais de um terço (35,9%) era composta por idosos e 28,2% correspondiam a jovens com menos de 25 anos de idade e 35,9% aos adultos, com idade entre 25 e 59 anos.

A distribuição por grau de instrução mostra que 52,6% da população fora da força de trabalho não concluiu o ensino fundamental enquanto 26,6% havia concluído pelo menos o ensino médio.

A pesquisa levantou ainda a forma de inserção no mercado de trabalho. Nesse particular, Norte (33,6%) e Nordeste (31,9%) possuem os maiores contingentes de pessoas que trabalham por conta própria na comparação com as demais regiões. Mas quando se trata da proporção de empregados com carteira assinada no setor privado, Norte (63,5%) e Nordeste (63,1%) apresentam os piores patamares, inferiores aos das demais regiões. A média brasileira foi de 78,1%.

NORDESTE. EMPREGADOS NO SETOR PRIVADO - 1ºTRI.2016.

ESTADOS

COM CARTEIRA ASSINADA

VAR. (%) S/1ºTRI.2015

SEM CAREIRA ASSINADA

VAR. (%) S/1ºTRI.2015

Maranhão

410.000

-11,6

371.000

+15,2

Piauí

268.000

estável

236,000

estável

Ceará

891.000

-8,1

584.000

-9,0

Rio G. do Norte

4000.000

estável

167.000

estável

Paraíba

370.000

estável

276.000

estável

Pernambuco

1.126,000

-9,8

530.000

estável

Alagoas

335.000

    estável

147.000

estável

Sergipe

252.000

estável

102.000

-12,5

Bahia

1.690.000

-7,7

962.000

estável

NORDESTE

5.742.000

-7,3

3.364.000

-4,2

 Fonte: PNAD/IBGE. Elaboração Agência Prodetec.

 

Em âmbito dos estados, Maranhão (52,5%), Piauí (53,3%) e Paraíba (57,3%) apresentaram os menores percentuais de empregados no setor privado com carteira assinada enquanto Santa Catarina (89,1%), Rio de Janeiro (86,3%) e São Paulo (85,5%) apresentaram os maiores.

No Nordeste, é grande a participação do grupamento 'Agricultura, pecuária, produção de florestas, pesca e aquicultura' (16,3%) entre as pessoas ocupadas, a segunda maior do país depois da região Norte. No caso da indústria, a taxa chegou a apenas 9,1%, metade da participação verificada no Sudeste (18,2%).

QUADRO GERAL DO EMPREGO NO NORDESTE. EM MIL PESSOAS.

INDICADORES (MIL PESSOAS)

1ºTRI.2015

1ºTRI.2016

VARIAÇÃO (%)

Pop. em Idade de Trabalhar

44.109

44.636

1,2

-Força de trabalho

25.088

25.059

-0,1

--Pop.ocupada

22.689

21.852

-3,7

--Pop.desocupada

2.399

3.207

33,7

Pop.fora da força de trabalho

19.021

19.577

2,9

EMPREGADO NO SETOR PRIVADO COM CARTEIRA (exclusive trabalhadores domésticos)

6.193

5.742

-7,3

EMPREGADO NO SETOR PRIVADO SEM CARTEIRA (exclusive trabalhadores domésticos)

3.510

3.364

-4,2

TRABALHADOR DOMÉSTICO

1.498

1.469

-2,0

EMPREGADO NO SETOR PÚBLICO (inclusive servidor estatutário e militar)

3.072

2.916

-5,1

EMPREGADOR

676

623

-7,9

CONTA PRÓPRIA

6.732

6.964

3,4

TRABALHADOR FAMILIAR AUXILIAR

1.006

774

-23,1

Postada em 19 maio 2016.

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