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FAMILIA NORDESTINA MUDA EM TERMOS DE RENDA, CONSUMO E DESPESA

Agência Prodetec

Abril de 2011

Como estão consumo, gastos e rendimentos da família nordestina e em que grau houve melhorias nesses indicadores entre 2002 e 2008? Com base nos dados do IBGE relativos às últimas duas pesquisas de orçamentos familiares (POF), o BNB-Etene mostra que esse período experimentou importantes mudanças nos níveis de renda e pobreza e no consumo familiar.

O relatório a respeito, colocado à disposição dos interessados em www.bnb.gov.br/etene/publicacoes, indica aspectos e indicadores de bem-estar não contemplados por outras pesquisas domiciliares. É o caso, por exemplo, da proporção de pobres, menor quando calculada com base na POF do que na PNAD. No caso do Nordeste, o contingente fica cerca de um terço menor.

Conforme a autora do trabalho, economista Jacqueline Nogueira Cambota, a explicação para a diferença diz respeito aos rendimentos não monetários capturados pela POF, provenientes, principalmente, de economias de subsistência em áreas rurais.

Rendimento e despesa familiar

O rendimento médio familiar no Nordeste aumentou 16,7% em termos reais, saltando de R$ 1.468,36 para R$ 1.712,88 no espaço das pesquisas (2002/2003 e 2008/2009), valendo registrar que apenas Ceará e Alagoas não apresentaram evolução nesse indicador. No Brasil, o avanço foi menor (9,2%), de R$ 2.420,17 para R$ 2.641,63. No Nordeste, o maior rendimento ficou em Pernambuco (R$ 1.914,20) e o menor no Maranhão (R$ 1.496,41).

O trabalho continua como a maior fonte de rendimento da família brasileira e nordestina, mas as transferências (basicamente programas sociais, aposentadoria/pensão, bolsa de estudo) ganharam destaque, especialmente no Nordeste (aumento de 18,4% para 23,2% no período).

No quadro de despesas, o incremento real foi de 9,2%, passando de R$ 2.404,45 para R$ 2.626,31 no Brasil enquanto no Nordeste foi um pouco maior (10,8%), de R$ 1.534,11 para R$ 1.700,26. Como a renda aumentou mais durante o período, a família nordestina superou o déficit de R$ 65,75, em 2002, construindo uma situação de poupança (média de R$ 12,62, em 2008).

De acordo com Jacqueline Cambota, os gastos com consumo representam o principal item nas despesas das famílias do Nordeste: 86,3% e 83,9% do total em 2002 e 2008, respectivamente. No caso de "outras despesas" (impostos, contribuições trabalhistas, serviços bancários, pensões, mesadas, doações e outras despesas correntes) o aumento foi de 35,5%. Também se elevaram em termos reais, gastos com a aquisição e reforma do imóvel (ativo familiar) e com pagamentos de empréstimos e de financiamento de imóvel (passivo).

Consumo familiar

O relatório elaborado pelo BNB-Etene destaca que no caso nordestino, além da habitação e alimentação, os itens transporte e assistência à saúde, passaram a ocupar parcela maior no consumo das famílias, declinando a parcela da renda destinada à educação. E que no caso da alimentação, a proporção de gastos é mais elevada no Nordeste e Norte do que nas demais regiões do país. Entretanto, o quadro revela melhoria nesse particular: no intervalo entre as duas POFs o total de famílias que se declara satisfeita com a quantidade de alimentos ingerida subiu de 39,2% para 50,1%.

"É um avanço – destaca a economista Jacqueline Cambota --, mas não o suficiente considerando que metade das famílias do Nordeste ainda não consume a quantidade suficiente de alimentos, situação somente melhor que a observada na região Norte em que essa parcela é de 48,5%".

No Nordeste, as maiores proporções de famílias com ingestão insuficiente de alimentos se encontram no Maranhão e no Piauí.

Poupança de nordestino cresce mais

O trabalho indica ainda que a família nordestina já poupa quase o mesmo montante que a família brasileira como um todo, embora o rendimento médio desta seja 53% maior. O acréscimo médio desse rendimento foi maior que o nacional e do Sudeste, tendo as transferências um papel ainda relevante na composição da renda, a segunda maior participação entre as demais regiões.

A partir das informações captadas pela Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), no primeiro levantamento, a situação era de déficit: R$ 65,75, a preços de jan.2009. Em 2008, já apresentava uma poupança média de R$ 12,62 ante os R5 15,00 da família brasileira, quantia que praticamente não se alterou durante o intervalo entre as duas sondagens feitas pelo IBGE.

Conforme o relatório do BNB-Etene, à disposição dos interessados em www.bnb.gov.br/etene/publicacoes, a evolução do rendimento médio do trabalho no Nordeste foi quatro pontos percentuais acima da observada em escala nacional (16,8% contra 12,5%) e um pouco maior que a do Sudeste (10,2%). Isso contribuiu para reduzir um pouco as disparidades em termos de renda do trabalho no país. Todavia, os técnicos encarregados do trabalho afirmam que a diferença continua grande, pois no Sudeste o rendimento médio das famílias alcançou R$ 3.193,05 contra R$ R$ 1.712,88 no Nordeste.

O relatório mostra que as transferências, segunda maior fonte de rendimentos da família nordestina, tiveram um papel importante na redução dessas desigualdades. Os aportes dos programas sociais representaram 2,4% dos rendimentos quase quatro vezes mais da participação encontrada para o Brasil (0,7%). Indica, também, melhoria na ingestão de alimentos, embora na região esteja o segundo menor percentual de famílias com ingestão suficiente de alimentos. Segundo o trabalho, a percentagem das despesas destinadas aos gastos com alimentação é mais elevada entre as famílias do Norte e Nordeste.

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