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AGRICULTURA. PRODUÇÃO DE GRÃOS DO NORDESTE CAI 29,2% E REGRIDE DEZ ANOS

A queda prevista para a safra de grãos do Nordeste, este ano, é uma das maiores da história recente da agricultura regional. A estimativa do IBGE é de quase um terço abaixo da produção apresentada no ano passado. Com isso, a safra nordestina de 11,7 milhões de toneladas volta ao patamar de 2008.

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Retrocesso na safra atinge mais os grandes produtores de grãos.

Rio de Janeiro (Agência Prodetec) – Em sua sexta estimativa de safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas divulgada hoje, o IBGE rebaixou a produção do Nordeste para 11,7 milhões de toneladas, em 2016, queda de 29,2% em relação à safra de 2015. É um dos maiores retrocessos ocorridos nos últimos 20 anos, consequência, sobretudo, da irregularidade das chuvas em todos os estados da região.

Em âmbito nacional, o recuo ficou em 8,4% totalizando 191,8 milhões de toneladas para uma área a ser colhida de 57,3 milhões de hectares, especialmente com arroz, milho e soja. Os três produtos juntos representam 92,4% da produção e 87,4% da área.

Por região, o Centro-Oeste continua como o maior celeiro do país (79,9 milhões de toneladas, queda de 11,1%), seguido do Sul (74,2 milhões de toneladas, queda de 2,2%), Sudeste (19,7 milhões de toneladas, alta de 1,9¨% sobre 2015), Nordeste (11,7 milhões de toneladas, queda de 29,2%) e Norte (6,3 milhões de toneladas, queda de 17,8%).

Com a queda de quase 30% prevista para este ano, a produção nordestina de grãos experimenta um retrocesso de dez anos, quando se situava abaixo de 10 milhões de toneladas.

Nos últimos dez anos, a safra regional tem-se comportado à moda gangorra, com subidas e descidas ao longo do período, como mostra a tabela abaixo.

ANO

SAFRA TOTAL 1.000 T

ANO

SAFREA TOTAL 1.000 T

2006

9.828,4

2011

12.466,6

2007

12.570,4

2012

11.993,0

2008

11.682,9

2013

16.800,7

2009

11.973,5

2014

16.643,2

2010

15.997,9

2015

11.213,5

Fonte: Conab. 

Área em queda

Conforme o IBGE, na comparação com 2015, houve decréscimo de 2,8% na área a ser colhida no Nordeste, passando de 7.710 mil hectares para 7.493 mil hectares, em 2016, o equivalente a 13% da prevista para o país.

Dos três maiores produtores de grãos do Nordeste, o Maranhão apresentou a maior redução da área a ser colhida (-10,2%), seguido do Piauí (-7,8%) e da Bahia (-6,6%).

No Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco a área a ser colhida elevou-se, respectivamente, 169%, 821% e 69,4%. Esse desempenho está associado mais à base de comparação pequena do que propriamente do esforço dos produtores locais.

As lavouras de arroz (21,2%), algodão (12,8%) e mandioca (3,9%) foram as que mais perderam área no Nordeste quando confrontados os espaços ocupados em 2015 e 2016. As áreas com milho e soja declinaram menos, respectivamente, 1% e 0,9%.

NORDESTE. ÁREA SER COLHIDA (HA) ESTIMATIVA DE JUNHO EM RELAÇÃO À DE 2015.

 

PRODUTO

Área NE.2015

Área NE.2016

VAR.%

Área BR.2016

VAR.%

Algodão herbáceo (em caroço)

368 808

321 756

-12,8

1 018 950

-2.7

Arroz (em casca)

341 854

269 254

-21,2

1 939 397

-9.4

Cacau (em amêndoa)

458 763

488 409

6.5

655 257

 5.4

Café (em grão) - T

174 127

 174 091

-0,0

2 004 080

1.1

Cana-de-açúcar

1 144 547

1 130 892

-1.2

9 803 290

-3.5

Cebola

11 012

11 392

3.5

56 362

-0.1

Feijão (em grão)

1 429 193

1 446 602  

 1.2

2 865 256

-1.8

Mamona

104 406

 109 089

4.5

110 448

5.1

Mandioca

555 893

534 136

-3.9

1 499 363

1.5

Milho (em grão)

2 451 303

2 426 340

-1.0

15 326 098

-1.2

Soja

2 866 051

2 839 650

-0,9

33 021 828

 2.8

Fonte:/LSPAjun.16.

Soja em baixa

A derrocada da safra nordestina de grãos pode ser debitada, em grande parte, ao baixo desempenho da soja, que é o produto mais representativo da agricultura regional.

A falta de chuvas no ciclo final das lavouras trouxe grandes perdas aos produtores do Oeste da Bahia, do Maranhão e do Piauí.

De acordo com o IBGE, no comparativo com 2015, as perdas somaram 37,4% no Maranhão, 63,7% no Piauí e 30,3% na Bahia.

O rendimento médio da lavoura decresceu 38,6%, caindo de 2.924 quilos por hectare, em 2015, para estimados 1.796 quilos na atual safra. Em termos nacionais, a queda ficou em 3,4%, de 3.027 quilos para 2.924 quilos por hectare.

NORDESTE AGRICULTURA. PRODUÇÃO DE GRÃOS (T) 2015/2016 E VARIAÇÃO. PRODUTOS SELECIONADOS.

PRODUTO

SAFRA NE.2015

SAFRA NE.2016

VAR.%

SAFRA BR.2016

VAR.%

Algodão herbáceo (em caroço)

1 337 600    

1 045 757

-21,8

3 705 171

-9.6

Arroz (em casca)

494 412

382 424

-22.7

10 807 381

-12.2

Cacau (em amêndoa)

135 507

136 017

0.4

263 539

 3.3

Café (em grão) - T

220 395

 226 620

2,8

2 925 437

 10.5

Cana-de-açúcar

67 226 167

64 563 709

-4.0

726 684 707

-3.1

Cebola

297 768

 364 303

22,3

1 562 402

9.9

Feijão (em grão)

660 962

646 831

-2.1

2 913 777

-6.6

Mamona

75 989

83 368  

9.7

85 038

11.4

Mandioca

1 481 907

1 337 656

-9.7

22 528 392

-1.1

Milho (em grão)

5 992 082

4 773 527

-20.3

70 109 794

-18.0

Soja

8 379 606

5 100 574

-39.1

96 569 646

-0.6

Fonte: IBGE-LSPAjun16.

Variações dos produtos

Entre os principais produtos da agricultura nordestina apenas quatro apresentaram alta na estimativa de produção em relação a 2015: cacau em amêndoa (0,4%), café (2,8%), cebola (22,3%) e mamona (9,7%),

Os demais produtos registraram variação negativa: algodão herbáceo em caroço (-21,8%), arroz em casca (-22,7%), cana-de-açúcar (-4%), feijão (-2,1%), mandioca (-9,7%), milho (-20,3%) e soja (-39,1%).

Em âmbito estadual, as maiores quebras de produção devem ocorrer nos estados do Piauí (-53,1%), Maranhão (40%) e Bahia (-26,3%). No caso da Bahia isso corresponderia a cerca de 2,3 milhões de toneladas de grãos menos que a safra de 2015. As perdas maranhenses ficariam em torno de 1,5 milhão de toneladas contra 1,6 milhão do Piauí.

NORDESTE. ESTIMATIVA DE SAFRA DE GRÃOS EM 2016.

ESTADOS

PRODUÇÃO PREVISTA (t)

VAR.(%) SOBRE 2015

Maranhão

2 347 506

 -40.0

Piauí

1 430 383

 -53.1

Ceara

326 425      

   45.1

Rio Grande do Norte

30 215

170,9

Paraíba

104 441

 457.0

Pernambuco

154 112

 143.4

Alagoas

63 900

32.7

Sergipe

845 766

 59.3

Bahia

6 443 799

26.3

NORDESTE

11 746 550

 -29.2

Fonte: IBGE LSPAjun16.

 

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) é uma pesquisa mensal de previsão e acompanhamento das safras dos principais produtos agrícolas, cujas informações são obtidas por intermédio das Comissões Municipais (COMEA) e/ou Regionais (COREA); consolidadas em nível estadual pelos Grupos de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias (GCEA) e posteriormente, avaliadas, em nível nacional, pela Comissão Especial de Planejamento Controle e Avaliação das Estatísticas Agropecuárias (CEPAGRO) constituída por representantes do IBGE e do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA).

Os levantamentos para cereais (arroz, milho, aveia, centeio, cevada, sorgo, trigo e triticale), leguminosas (amendoim e feijão) e oleaginosas (caroço de algodão, mamona, soja e girassol) foram realizados em colaboração com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão do MAPA, continuando um processo de harmonização das estimativas oficiais de safra das principais lavouras brasileiras, iniciado em março de 2007.

Postada em 7 Jul 2016.

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