Anuncie Aqui

PESQUISADORES DIVERGEM SOBRE CRESCIMENTO DO PIB DO MARANHÃO

Enquanto técnicos vinculados à Secretaria de Planejamento do Estado estimam crescimento nominal de 4,1% para o PIB maranhense, em 2017, pesquisadores do Banco Itaú Unibanco acreditam que o Produto Interno Bruto estadual sofra redução de 0,2% ao ano, em termos reais, entre 2015 e 2020. Conforme o trabalho do banco paulista, o PIB do Maranhão deve alcançar R$ 100,7 bilhões, em 2020, com participação de 1,3% no conjunto do país e de 9,2% no produto da região Nordeste.

AGÊNCIA PRODETEC ππ SÃO LUÍS - [AGOSTO DE 2016]

– Dois relatórios a respeito da economia maranhense, divulgados recentemente, chegaram a conclusões diferentes quanto às perspectivas de crescimento do estado.

Os técnicos do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), vinculado à Secretaria de Planejamento, asseguram que o Produto Interno Bruto (PIB) do estado deve crescer 4,1% em 2017, em termos reais, nada obstante o tamanho da crise no país e em muitos países.

Os pesquisadores do Banco Itaú, entretanto, têm outra visão quanto ao crescimento da economia timbira. A expectativa deles, conforme o Relatório Estadual Maranhão, lançado em junho, é de que o PIB estadual apresente recuo médio em torno de 0,2% ao ano, em termos reais, entre 2015 e 2020, em linha com a média nacional no período (0%).

Estimando em R$ 75,6 bilhões o Produto Interno Bruto maranhense em 2016, cerca de 1,2% do nacional e 9% do regional, o trabalho do Itaú aponta para um PIB de R$ 100,7 bilhões, em 2020, com participação de 1,3% no conjunto do país e de 9,2% no produto da região Nordeste.

Otimismo exagerado?

O otimismo dos pesquisadores maranhenses do Imesc está associado aos resultados das ações contracíclicas do governador Flavio Dino para incrementar o "crescimento do Maranhão em meio ao cenário de crise". Para eles, os principais indutores de expansão do PIB em 2017 são a retomada "do ritmo da produção agrícola – que deve crescer 16,5%; e a recuperação da indústria e do setor de serviços no estado".

A situação atual é periclitante, mas um pouco mais leve que a de muitos estados brasileiros. Não faltam motivos para o estresse da economia maranhense. As transferências correntes recuaram cerca de R$ 1,3 bilhão no intervalo entre janeiro de 2015 e junho de 2916. O Minha Casa, Minha Vida e outros programas federais tiveram retrocesso. O clima não ajudou a safra e o agronegócio registrou queda na produção e na renda rural, com reflexos na ocupação da mão de obra. A estimativa do IBGE é de uma queda acima de 35% na produção de grãos do Maranhão na safra 2015/2016, sobretudo de soja, principal produto da pauta de exportação local. A projeção mais recente da Conab aponta para perdas de 41,2% do grão, de 2.069,6 mil toneladas na safra passada para 1.216,3 mil toneladas, na atual. A retração do consumo e da construção civil, com reflexos no setor de comércio e serviços, completa o panorama.

Com tantos fatores negativos, o grupo de conjuntura econômica do Imesc projeta queda de 3,2% para o PIB maranhense em 2016, dos quais 1,9% é resultado da retração de 14,3% da produção agrícola, que tem grande expressão no produto estadual, ao lado da área de serviços. No ano passado, o recuo foi de 3,3%.

Nem por isso, o governo maranhense entrou em depressão. O presidente do Imesc, Felipe Holanda, mantém o otimismo quanto aos desafios de médio e longo prazos, com destaque para a continuidade de investimentos importantes e o fomento aos setores agroindustrial, de energia renovável e "uso de logística privilegiada para acelerar o adensamento das cadeias produtivas locais".

Do lado empresarial, um bom indicativo é a elevação do índice de confiança da indústria maranhense, aferido pela CNI-Federação local, que passou de 38,7&, em março, para 44%, em abril, chegando aos 48 pontos em junho.

EVOLUÇAO DO PIB MARANHENSE ENTRE 2010/2017 – EM R$ MILHÕES.

DATA

VALOR NOMINAL EM R$ MILHÕES

VARIAÇÃO (%) - CRESCIMENTO REAL /ANO

2010

46.314

--

2011

52.173

6.1

2012

60.466

4,0

2013

67.593

4,8

2014*

77.860

3,4

2015*

84.325

-3,3

2016*

87.341

-3,2

2017*

96.377

4,1

 

 

 

Fonte: IBGE e IMESC. (*) Previsão IMESC. 

Relatório Itaú

O relatório sobre a economia maranhense divulgado pelo Banco Itaú Unibanco é menos otimista e prevê uma perspectiva de crescimento em alinhamento com o PIB nacional, nos próximos anos. A expectativa dos pesquisadores do Departamento de Pesquisa Macroeconômica banco paulista é de que o PIB do Maranhão apresente recuo médio em torno de 0,2% ao ano entre 2015 e 2020, em linha com a média nacional no período (0%).

A estimativa deles para o PIB estadual de 2016 é da ordem de R$ 75,6 bilhões ou 1,2% do PIB do país. Para 2020, acrescentam, o PIB maranhense deve chegar a R$ 100,7 bilhões, com participação de 1,3% da riqueza nacional. Segundo o trabalho, em 2016, o Maranhão seria responsável por 9% do PIB do Nordeste, ante 9,2%, em 2020.

Hoje, o PIB do estado é o 17ª maior do país, equivalente a pouco mais de 1% na média apurada entre 2009 e 2013, mas sua composição difere da observada em âmbito nacional por ter maior representatividade do setor agropecuário e de serviços e menor do setor industrial.

A evolução do PIB do Maranhão cravou a média anual de 6,5%, em termos reais, de 2003 a 2008, mas a projeção dos técnicos do Itaú para o período 2009/2014 é de apenas 3,7% contra -0,2% para o período 2015/2020.

NORDESTE. PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS NO PIB REGIONAL – MÉDIA 2009/2013

ESTADO

PARTICIPAÇÃO (%) NO PIB

Maranhão

9,1

Piauí

4,4

Ceará

15,1

Rio Grande do Norte

7,1

Paraíba

6,4

Pernambuco

19,2

Alagoas

5,3

Sergipe

5,0

Bahia

28,5

Fonte: IBGE/Banco Itaú.

Voltar

 

A agência Prodetec é uma ferramenta voltada para divulgar artigos, estudos e pesquisas
sobre assuntos relacionados com o Nordeste

Imagine Comunicação Digital

Todos os direitos reservados. Reprodução do material permitida mediante citação da fonte.