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AGRICULTURA NO NORDESTE. A DECADÊNCIA DA CULTURA DO ARROZ NO MARANHÃO

O estado já foi o segundo maior produtor de arroz do Brasil, mas perdeu posição ao longo dos anos e hoje já não produz o suficiente para garantir o abastecimento interno, embora continue como o segundo maior polo arrozeiro do Nordeste com safra estimada pelo IBGE, em 210 mil toneladas, em 2016.

AGÊNCIA PRODETEC ππ [AGOSTO 2016]

São Luís – Presente na economia maranhense desde o século XVI quando seu cultivo foi introduzido no estado por desbravadores açorianos, o arroz segue perdendo importância na agricultura do Maranhão.

Em duas décadas, de acordo com a Conab, a área plantada decresceu de 621 mil para 178 mil hectares enquanto a produção retrocedeu mais ainda, de 808 mil toneladas, em 1996, para 254 mil toneladas, em 2015, total insuficiente para o autoabastecimento local.

O Maranhão já foi o segundo maior produtor nacional de arroz, participando com quase um quinto da safra do país, mas perdeu espaço a partir dos anos oitenta quando os pequenos produtores dos vales férteis do Estado foram alijados da produção em benefício dos grandes projetos agropecuários.

Atualmente, é o quarto maior produtor de arroz do Brasil com safra estimada pelo IBGE, em 210 mil toneladas, em 2016, quantidade insuficiente para o abastecimento do estado que importa o produto de outros centros produtores (TO, GO e RS) e do Mercosul.

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Queda geral

Na verdade, o Maranhão apresentou taxa negativa de crescimento para a produção, área colhida e produtividade do arroz, no período 1975–2010 afirmam os agrônomos João Batista Zonta, doutor em Fitotecnia pela Universidade Federal de Viçosa e pesquisador da Embrapa Cocais, e Fabrício Brito Silva, doutor em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e professor da Universidade Ceuma.

Cultivado em mais de 200 municípios maranhenses, embora apenas 14 deles respondam por um quarto da produção, o que evidencia a alta concentração da produção estadual, a produção de arroz apresenta muitas fragilidades no Maranhão. 

Segundo os dois pesquisadores, o quadro atual requer maior intervenção do governo, principalmente na forma de políticas de incentivo ao cultivo, que podem ser desde a doação de sementes, prática já adotada pela Secretaria Agricultura, até a compra e cessão de maquinário para uso comum dos pequenos produtores, a redução na taxa de juros no crédito agrícola ou mesmo a isenção de impostos para os produtores. 

Baixa tecnologia 

Para os especialistas o grande problema da rizicultura maranhense está nas condições de exploração do grão. Conforme os engenheiros agrônomos José de Ribamar Gonçalves Fahd e Olavo Oliveira Silva, excetuandose o sistema de cultivo de várzea com irrigação controlada e alguns plantios pontuais mecanizados em terras altas, predomina no estado o plantio consorciado ou solteiro com baixa tecnologia e assistência técnica deficiente. Essa situação, dizem eles, leva o estado a um sistema de produção de arroz de subsistência, o que caracteriza a baixa qualidade produto.

O panorama descrito pelos técnicos refletese no levantamento sobre o rendimento da cultura do arroz no estado. Ao longo de 20 anos, a produtividade avançou muito pouco e hoje sequer alcança a média regional em torno de 1.600 kg por hectare em 2014. Na safra de 2014, o IBGE (LSPA jul.2015) calculou o rendimento do arroz maranhense em 1.507 kg por hectare, a sexta do Nordeste, atrás de Sergipe (7,2 mil quilos), Pernambuco (5,6 mil quilos), Alagoas (5 mil), Ceará (3 mil) e Rio Grande do Norte (2,3 mil quilos por hectare), Segundo a mesma fonte, no chamado Meio Norte, em 2015, o rendimento ainda foi muito baixo: 1.418 quilos no Maranhão e 1.442 quilos por hectare no Piauí, superando apenas o registrado na Paraíba (695 kg/ha). 

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Ao comentar em trabalho recente o problema da tecnologia da cultura, os agrônomos Batista Zona e Fabrício Brito sugerem a adoção de programas de incentivos à sua tecnificação, com o envolvimento das instituições públicas de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Para eles, a mobilização de empresas e universidades e o apoio dos governos em diferentes níveis são essenciais para superar o quadro atual da oriziultura maranhense, até porque o portfólio de tecnologias específicas para a área, no Maranhão, ainda é incipiente.

Valor de produção em declínio 

A decadência da rizicultura maranhense pode ser aferida também pelo seu retrocesso na participação relativa (%) no valor total das lavouras temporárias.
Em 1990, o arroz do Maranhão entrava com 32,6% do global, participação que mantinha em 2000. Todavia, em 2011 perdeu espaço para a soja (37,1%) e para a mandioca (16,2%), ficando com participação reduzida a 15,8%. 

Para mais detalhes a respeito dessa participação o leitor pode consultar o artigo "Especialização produtiva e mudança estrutural na agricultura nordestina (1990–2011)", de Kelly Samá Lopes de Vasconcelos e Monaliza de Oliveira Ferreira, na revista de Política Agrícola, Ano XXIII – N. 2 – Abr./Maio/Jun. 2014.

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