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Crédito na região: alta está de volta mesmo na crise

A intermediação financeira no Nordeste praticamente não foi afetada pela crise financeira internacional enquanto no Brasil seus efeitos já podem ser observados pelo retrovisor. Desde julho/09, o segmento começou a apresentar fortes sintomas de recuperação tanto nas operações de crédito quanto nos depósitos.

Na comparação julho 2008/julho 2009, os depósitos do sistema bancário nacional cresceram 12,6% em termos reais, totalizando R$ 2.024,2 bilhões. No Nordeste, a expansão foi de 34,2%, com saldos de R$ 110,6 bilhões. Os dados da outra ponta mostram que o crédito está de volta. No âmbito nacional, o avanço foi 20,6% no período já citado, alcançando R$ 1.311,4 bilhões ou 45% do PIB em jul./09 contra os 36,7% na posição de jul./08. No Nordeste, o incremento foi maior: 27,5%, com saldos de R$ 73,3 bilhões, exclusive desembolsos do BNDES na região. O volume equivale a 18,3% do PIB regional, acréscimo de três pontos percentuais em 12 meses.

Conforme o BNB/Etene, regionalmente, os bancos públicos, que respondem por cerca de dois terços das operações de crédito, foram os responsáveis por essa imunização à crise. Ampliando seus empréstimos, contribuíram para a manutenção das atividades econômicas da Região.

A boa notícia é que os bancos privados, depois de uma pequena retração no final de 2008, também voltaram a expandir suas operações de crédito no Nordeste, embora em patamares bem abaixo das taxas de captação. De fato, os depósitos dos bancos privados experimentaram crescimento de 46,3% contra 17,8% nos empréstimos, valendo lembrar que em âmbito nacional houve redução de 1,1%. Os bancos públicos, por sua vez, expandiram os empréstimos em 20,6%.

Distribuição espacial

Em termos de depósitos bancários, a Bahia responde por 27% do total regional, seguindo-se Pernambuco (25,6%), Ceará (19,6%) e Maranhão (5,6%), pela ordem, as maiores economias do Nordeste. Com relação aos créditos, a Bahia ficou com 31,9% do total realizado, Pernambuco, com 22,4%, Ceará, com 13,9% e Maranhão, com 6,8%. A expansão dos empréstimos foi liderada pelo Banco do Nordeste (41,4%) e Caixa Econômica (41,1 %). A Bahia também apresentou o maior crescimento das operações de crédito (45,7%), seguida de Piauí (29%), Maranhão (24,3%) e Rio Grande do Norte (24,1%). No caso da baixa participação das operações de crédito no PIB regional (18,3%), a leitura dos técnicos é de que a intermediação financeira ainda pode crescer muito dentro da economia nordestina e existe um amplo espaço de mercado a ser preenchido pela banca privada.

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