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NORDESTE EMPURRA FERNANDO HADDAD PARA O SEGUNDO TURNO DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

A eleição presidencial de 2018 só terá segundo turno devido à força proporcionada pelo nordestino ao candidato petista.  Mais uma vez, a região empurrou o PT para a decisão final, tal como aconteceu nos pleitos desde 2002, sem que isso resultasse maiores compromissos dos eleitos com o Nordeste.  Pelo contrário.  Verdadeiro peão do jogo eleitoral, a região nordestina foi prejudicada pelos últimos governos petistas e agora vira objeto de cobiça dos dois candidatos. 


AGÊNCIA PRODETEC -  FORTALEZA – 11 OUTUBRO 2018
Somente agora, na reta final da campanha, é que o presidenciável Jair Bolsonaro resolveu direcionar mensagem específica aos nordestinos. Talvez por lembrar o peso eleitoral da região e constatar um avanço de Fernando Haddad entre os eleitores nordestinos, dos quais vem conquistando votos em boa proporção.
Dentre as novidades, anuncia o 13º salário para o pessoal do Bolsa Família que, no Nordeste, abrange quase 7 milhões de famílias.
Com 27,6% dos eleitores do país (39,2 milhões) contra 43,3% do Sudeste, o Nordeste tem-se constituído, desde a primeira eleição de Lula, como um reduto tradicional petista, cobrindo a defasagem que o partido observou em sua participação no Sudeste. No primeiro turno, o Nordeste voltou a oferecer ao candidato petista o suporte necessário para levá-lo à disputa final com Jair Bolsonaro. Dos votos válidos, a região assegurou a Haddad 51% contra 26% de Bolsonaro.
Conforme o TSE, no segundo turno da eleição de 2002, o PT já obtinha no Nordeste 25% dos votos, o mesmo percentual do PSDB. No pleito seguinte, o petista levou 77,1% dos votos válidos do Nordeste contra 22,9% de Geraldo Alkmin. Em 2010, Dilma Rousseff ganharia com 33% dos votos dos nordestinos ante 18% atribuídos a José Serra. Na reeleição, em 2014, 37% do total de votos que ela recebeu no segundo turno vieram do Nordeste, enquanto a participação de Aécio Neves limitou-se a 16%. Nada menos que 71% dos eleitores nordestinos votaram nela, com vitória folgada nos nove estados da região.
O gráfico abaixo mostra a evolução do desempenho petista na região, comparativamente ao obtido pelo PSDB.


 
Muito capital para poucos benefícios
Contudo, todo esse capital eleitoral não resultou maiores benefícios para o Nordeste. Muito pelo contrário. Além de sofrer com os ataques preconceituosos dos derrotados/inconformados com a reeleição de Dilma, o Nordeste recebeu de presente o cancelamento, por parte da presidente, de uma série de investimentos programados para a região, aí incluídos os projetos e ações da Petrobras, a paralisação da Transnordestina e da transposição do Rio São Francisco, dentre outros.
Vale salientar que, em 2018, o preconceito voltou a se repetir pelas redes sociais sem sofrer qualquer condenação por parte do candidato vitorioso no primeiro turno. Aliás, apesar das juras de amor recentes aos nordestinos, Bolsonaro dedica pouca atenção ao Nordeste em seu programa de governo.
O documento, de 81 páginas, menciona o Nordeste quando trata da política de energia, indicando que a região pode se transformar numa potência energética.
“Com Sol, vento e mão de obra, o Nordeste pode se tornar a base de uma nova matriz energética limpa, renovável e democrática. Expandindo não somente a produção de energia, mas de toda a cadeia produtiva a ela relacionada: produção, instalação e manutenção de painéis fotovoltaicos; parceria com as universidades locais para o desenvolvimento de novas tecnologias; surgimento ou instalação de outras indústrias que sejam intensivas no uso de energia elétrica, etc.”
O plano de Bolsonaro não aborda o tema das desigualdades – talvez o problema mais gritante do país --, a não ser quando explica as consequências do desequilíbrio fiscal que “gera crises, desemprego, inflação e miséria. Inflação é o maior inimigo das classes mais desamparadas, pois não apenas empobrece o trabalhador, mas também aumenta a desigualdade de renda, piorando a situação dos mais pobres”.
Faz, ainda, alusão à agricultura, destacando que no setor “há espaço para trazer o conhecimento de Israel. Inclusive, Jair Bolsonaro pôde iniciar conversas sobre parcerias nesses países”. 
No plano de Fernando Haddad a palavra Nordeste é igualmente escassa, não havendo referência a programas específicos voltados para a região. É mais do mesmo. Propostas genéricas sob o guarda-chuva do combate à pobreza e à desigualdade e de uma Política Nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial – PDRT, cujo objetivo é interiorizar “as oportunidades de inclusão produtiva a todos e redução das desigualdades”.
Essa política, contudo, requereria “um novo aparato institucional competente, iniciativas contextualizadas e sistêmicas, ampla participação e diálogo em todos os níveis”, envolvendo o setor produtivo tradicional, cooperativas e associações, universidades e sistema financeiro oficial, dentre outros atores.
Mas todas as boas intenções da PDRT pode esbarrar na própria condicionante à sua execução. Segundo o Plano de Governo do PT, “a recuperação da capacidade de investimentos do Estado, o combate às desigualdades e a expansão das oportunidades no Brasil não serão obtidas apenas com políticas sociais de combate à pobreza. Exigem também que os mais ricos, sobretudo os que obtêm grandes ganhos financeiros, paguem mais impostos”.
O ofertado pelos dois candidatos é muito pouco para uma região tida como estratégica na eleição presidencial. Quase nada, na verdade.
Como já afirmei em outras oportunidades, teoricamente, o deslocamento da geografia do poder do Sul-Sudeste para o Norte/Nordeste, era para ter fortalecido essas regiões enquanto patrocinadoras das vitórias de Lula e de sua sucessora. Contudo, olhando pelo retrovisor, não foi isso o que aconteceu. Nem Lula nem Rousseff corresponderam ao apoio político recebido, embora digam o contrário com base, sobretudo, no desempenho dos programas assistenciais.
Acontece que esse tipo de resposta -- crianças na escola, ajuda individual para a família -, ainda que positiva não repercute em termos estruturais, necessitando de outros fatores.
O discurso e as metas dos candidatos em relação ao Nordeste se perdem em generalidades. São as platitudes de sempre, repetidas à exaustão para um público já cansado de prioridades retóricas (ver o arquivo “A Platitude dos candidatos a Presidente em relação ao Nordeste”).
Perspectivas
Segundo pesquisa do Instituto Datafolha desta quarta-feira (10/10), no segundo turno a candidatura de Fernando Haddad lidera no Nordeste, com 52% das intenções de voto. É a única região brasileira onde ele mantem liderança sobre o adversário. Isoladamente, esse percentual das intenções de votos no Nordeste corresponderia a mais de um terço do total nacional de Haddad, que chegou a 36%, conforme o Datafolha.
Jair Bolsonaro (PSL), por sua vez, apesar de ser o líder isolado na disputa nacional, aparece com desempenho insatisfatório no Nordeste, com apenas 32% dos votos, sua pior posição entre as regiões brasileiras (60% no Sul, 55% no Sudeste, 59% no Centro-Oeste e 51% no Norte).
Como observado, em 2018, a região é vista mais uma vez como estratégica. Com isso, os dois candidatos aceleram a participação em eventos variados e intensificam os anúncios de benefícios para o Nordeste, via propaganda eleitoral, rede e aliados. Haddad, inclusive, encerrou sua campanha de primeiro turno na cidade baiana de Feira de Santana. O capitão, por sua vez, já manifestou o desejo de visitar o Nordeste assim que os médicos o liberarem para viajar.
Para o cientista Jairo Nicolau, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), “com uma campanha curta, sem dispor do mesmo tempo de televisão das eleições anteriores, sem a presença física de Lula nas atividades de rua e com muito menor dinheiro para gastar na presidencial, o desafio do PT é fazer o nome do candidato Haddad (ou melhor, o número 13) chegar aos eleitores de baixa escolaridade, baixa renda e moradores das pequenas cidades do Nordeste”. Por outro lado, um eventual escamoteamento da figura de Lula na campanha do segundo turno, no Nordeste pode representar um tiro no pé, pois segundo o especialista, “uma informação precisa sobre a existência de um ‘candidato do Lula’, o voto nulo e em branco tenderá a crescer na região”.

 O fato é que, tudo indica, o Nordeste será decisivo na escolha final do futuro presidente sem fazer aos postulantes exigências quanto a romper comportamentos do passado, sem ter recebido compromissos de mais recursos por cidadão e de evoluir dos programas de transferências de renda para a efetividade de instrumentos que reflitam impactos de natureza estrutural e maior convergência social e econômica entre os estados, dentro e fora região. Até porque a maioria dos problemas regionais a serem solucionados ainda permanece inédita.

Fim
 Veja também > A Platitude dos candidatos a Presidente em relação ao Nordeste;
 Nordeste 2015: recursos e necessidades.

A eleição presidencial de 2018 só terá segundo turno devido à força proporcionada pelo nordestino ao candidato petista.  Mais uma vez, a região empurrou o PT para a decisão final, tal como aconteceu nos pleitos desde 2002, sem que isso resultasse maiores compromissos dos eleitos com o Nordeste.  Pelo contrário.  Verdadeiro peão do jogo eleitoral, a região nordestina foi prejudicada pelos últimos governos petistas e agora vira objeto de cobiça dos dois candidatos.  

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AGÊNCIA PRODETEC -  FORTALEZA – 11 OUTUBRO 2018

Somente agora, na reta final da campanha, é que o presidenciável Jair Bolsonaro resolveu direcionar mensagem específica aos nordestinos. Talvez por lembrar o peso eleitoral da região e constatar um avanço de Fernando Haddad entre os eleitores nordestinos, dos quais vem conquistando votos em boa proporção.

Dentre as novidades, anuncia o 13º salário para o pessoal do Bolsa Família que, no Nordeste, abrange quase 7 milhões de famílias.

Com 27,6% dos eleitores do país (39,2 milhões) contra 43,3% do Sudeste, o Nordeste tem-se constituído, desde a primeira eleição de Lula, como um reduto tradicional petista, cobrindo a defasagem que o partido observou em sua participação no Sudeste. No primeiro turno, o Nordeste voltou a oferecer ao candidato petista o suporte necessário para levá-lo à disputa final com Jair Bolsonaro. Dos votos válidos, a região assegurou a Haddad 51% contra 26% de Bolsonaro.

Conforme o TSE, no segundo turno da eleição de 2002, o PT já obtinha no Nordeste 25% dos votos, o mesmo percentual do PSDB. No pleito seguinte, o petista levou 77,1% dos votos válidos do Nordeste contra 22,9% de Geraldo Alkmin. Em 2010, Dilma Rousseff ganharia com 33% dos votos dos nordestinos ante 18% atribuídos a José Serra. Na reeleição, em 2014, 37% do total de votos que ela recebeu no segundo turno vieram do Nordeste, enquanto a participação de Aécio Neves limitou-se a 16%. Nada menos que 71% dos eleitores nordestinos votaram nela, com vitória folgada nos nove estados da região.

O gráfico abaixo mostra a evolução do desempenho petista na região, comparativamente ao obtido pelo PSDB.

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Muito capital para poucos benefícios

Contudo, todo esse capital eleitoral não resultou maiores benefícios para o Nordeste. Muito pelo contrário. Além de sofrer com os ataques preconceituosos dos derrotados/inconformados com a reeleição de Dilma, o Nordeste recebeu de presente o cancelamento, por parte da presidente, de uma série de investimentos programados para a região, aí incluídos os projetos e ações da Petrobras, a paralisação da Transnordestina e da transposição do Rio São Francisco, dentre outros.

Vale salientar que, em 2018, o preconceito voltou a se repetir pelas redes sociais sem sofrer qualquer condenação por parte do candidato vitorioso no primeiro turno. Aliás, apesar das juras de amor recentes aos nordestinos, Bolsonaro dedica pouca atenção ao Nordeste em seu programa de governo.

O documento, de 81 páginas, menciona o Nordeste quando trata da política de energia, indicando que a região pode se transformar numa potência energética.

“Com Sol, vento e mão de obra, o Nordeste pode se tornar a base de uma nova matriz energética limpa, renovável e democrática. Expandindo não somente a produção de energia, mas de toda a cadeia produtiva a ela relacionada: produção, instalação e manutenção de painéis fotovoltaicos; parceria com as universidades locais para o desenvolvimento de novas tecnologias; surgimento ou instalação de outras indústrias que sejam intensivas no uso de energia elétrica, etc.”

O plano de Bolsonaro não aborda o tema das desigualdades – talvez o problema mais gritante do país --, a não ser quando explica as consequências do desequilíbrio fiscal que “gera crises, desemprego, inflação e miséria. Inflação é o maior inimigo das classes mais desamparadas, pois não apenas empobrece o trabalhador, mas também aumenta a desigualdade de renda, piorando a situação dos mais pobres”.

Faz, ainda, alusão à agricultura, destacando que no setor “há espaço para trazer o conhecimento de Israel. Inclusive, Jair Bolsonaro pôde iniciar conversas sobre parcerias nesses países”. 

No plano de Fernando Haddad a palavra Nordeste é igualmente escassa, não havendo referência a programas específicos voltados para a região. É mais do mesmo. Propostas genéricas sob o guarda-chuva do combate à pobreza e à desigualdade e de uma Política Nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial – PDRT, cujo objetivo é interiorizar “as oportunidades de inclusão produtiva a todos e redução das desigualdades”.

Essa política, contudo, requereria “um novo aparato institucional competente, iniciativas contextualizadas e sistêmicas, ampla participação e diálogo em todos os níveis”, envolvendo o setor produtivo tradicional, cooperativas e associações, universidades e sistema financeiro oficial, dentre outros atores.

Mas todas as boas intenções da PDRT pode esbarrar na própria condicionante à sua execução. Segundo o Plano de Governo do PT, “a recuperação da capacidade de investimentos do Estado, o combate às desigualdades e a expansão das oportunidades no Brasil não serão obtidas apenas com políticas sociais de combate à pobreza. Exigem também que os mais ricos, sobretudo os que obtêm grandes ganhos financeiros, paguem mais impostos.

O ofertado pelos dois candidatos é muito pouco para uma região tida como estratégica na eleição presidencial. Quase nada, na verdade.

Como já afirmei em outras oportunidades, teoricamente, o deslocamento da geografia do poder do Sul-Sudeste para o Norte/Nordeste, era para ter fortalecido essas regiões enquanto patrocinadoras das vitórias de Lula e de sua sucessora. Contudo, olhando pelo retrovisor, não foi isso o que aconteceu. Nem Lula nem Rousseff corresponderam ao apoio político recebido, embora digam o contrário com base, sobretudo, no desempenho dos programas assistenciais.

Acontece que esse tipo de resposta -- crianças na escola, ajuda individual para a família -, ainda que positiva não repercute em termos estruturais, necessitando de outros fatores.

O discurso e as metas dos candidatos em relação ao Nordeste se perdem em generalidades. São as platitudes de sempre, repetidas à exaustão para um público já cansado de prioridades retóricas (ver o arquivo “A Platitude dos candidatos a Presidente em relação ao Nordeste”).

Perspectivas

Segundo pesquisa do Instituto Datafolha desta quarta-feira (10/10), no segundo turno a candidatura de Fernando Haddad lidera no Nordeste, com 52% das intenções de voto. É a única região brasileira onde ele mantem liderança sobre o adversário. Isoladamente, esse percentual das intenções de votos no Nordeste corresponderia a mais de um terço do total nacional de Haddad, que chegou a 36%, conforme o Datafolha.

Jair Bolsonaro (PSL), por sua vez, apesar de ser o líder isolado na disputa nacional, aparece com desempenho insatisfatório no Nordeste, com apenas 32% dos votos, sua pior posição entre as regiões brasileiras (60% no Sul, 55% no Sudeste, 59% no Centro-Oeste e 51% no Norte).

Como observado, em 2018, a região é vista mais uma vez como estratégica. Com isso, os dois candidatos aceleram a participação em eventos variados e intensificam os anúncios de benefícios para o Nordeste, via propaganda eleitoral, rede e aliados. Haddad, inclusive, encerrou sua campanha de primeiro turno na cidade baiana de Feira de Santana. O capitão, por sua vez, já manifestou o desejo de visitar o Nordeste assim que os médicos o liberarem para viajar.

Para o cientista Jairo Nicolau, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), “com uma campanha curta, sem dispor do mesmo tempo de televisão das eleições anteriores, sem a presença física de Lula nas atividades de rua e com muito menor dinheiro para gastar na presidencial, o desafio do PT é fazer o nome do candidato Haddad (ou melhor, o número 13) chegar aos eleitores de baixa escolaridade, baixa renda e moradores das pequenas cidades do Nordeste”. Por outro lado, um eventual escamoteamento da figura de Lula na campanha do segundo turno, no Nordeste pode representar um tiro no pé, pois segundo o especialista, “uma informação precisa sobre a existência de um ‘candidato do Lula’, o voto nulo e em branco tenderá a crescer na região”.

 O fato é que, tudo indica, o Nordeste será decisivo na escolha final do futuro presidente sem fazer aos postulantes exigências quanto a romper comportamentos do passado, sem ter recebido compromissos de mais recursos por cidadão e de evoluir dos programas de transferências de renda para a efetividade de instrumentos que reflitam impactos de natureza estrutural e maior convergência social e econômica entre os estados, dentro e fora região. Até porque a maioria dos problemas regionais a serem solucionados ainda permanece inédita.

Fim

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 Nordeste 2015: recursos e necessidades.

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