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INCENTIVAR CRÉDITO PARA CRESCER PARECE FÓRMULA JÁ ESGOTADA

(Agência Prodetec) - A política governamental de estimular o crédito voltado para o consumo, como forma de incentivar o crescimento econômico, o está dando sinais de esgotamento, em função do alto índice de comprometimento da renda familiar e da satisfação das famílias quanto aos bens de consumo duráveis básicos. O governo federal deveria concentrar suas atenções no financiamento como base para o investimento, por parte da banca privada, posto que hoje isso é uma função praticamente de agências de fomento como o BNDES e o BNB, este restrito aos estados do Nordeste.

A opinião é do economista Ricardo de Norões Vidal, professor da Universidade de Fortaleza, e pesquisador do BNB-Etene. Segundo ele, do saldo total das operações de crédito no Brasil, cerca de R$ 2,1 trilhões no final de abril último, há participação preponderante dos bancos oficiais.

Na média apurada para o período 2006-2011, eles respondiam por 54,4% das operações de crédito no Brasil e de 66,6% no Nordeste, sendo o principal canal de acesso do setor produtivo ao crédito de longo prazo. No mesmo período, estima-se que a participação do crédito no PIB nacional tenha passado de 31% para 50,7%, com avanço de 59%, enquanto no Nordeste teria alcançado 49%, em 2011, ante 26%, em 2006.

Bancos oficiais
No Nordeste, no primeiro quadrimestre do ano, o saldo das operações dos bancos públicos avançou 4,3%, ficando em terceiro lugar entre as regiões. De uma maneira geral, o arrefecimento pelo crédito já pode ser observado em todas as regiões brasileiras, exceto o Centro-Oeste, onde a perspectiva é de superação das metas previstas para 2012, tomando-se por base o realizado até abril último em termos de aplicações por parte dos bancos públicos.

Mesmo que BNDES e BNB sejam as principais fontes de crédito de longo prazo no país, nem por isso eles foram privilegiados. A programação de crescimento do saldo das operações de crédito, contida na LDO-2012, foi de 22,3% para o Banco do Brasil e de 32,6% para a Caixa Econômica contra 12,4% para o BNB e de 9% para BNDES.

Em termos de aplicações dos bancos oficiais, no acumulado de 2012 até abril, a Caixa teve o melhor desempenho, com incremento de 12,2% e participação de 21,3% do total. O BNB cresceu apenas 1,5% e o BNDES 0,5%, valendo salientar que a relação recebimento/crédito concedido, no período em análise, foi de 60% no BNB e acima de 80% nas outras instituições oficiais de fomento.

Dada a semelhança de perfil dos dois bancos, uma discrepância tão grande entre seus prazos médios de recebimento das aplicações chega a surpreender o pesquisador que lembra o diferencial do BNDES quanto às outras agências oficiais: 36,4% de seus financiamentos estão na atividade 'Intermediação Financeira', quer dizer, o Banco repassa recurso para as outras instituições, recebe uma taxa, e outros bancos repassam para o cliente final, cobram seu spread e ficam com todo o risco da operação.

Uma das explicações poderia estar na concentração dos créditos do BNB na área rural. A instituição responde por 78,8% dos financiamentos do setor, ou R$ 16,9 bilhões para um total de R$ 21,5 bilhões.

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