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Incubadoras de empresas e difusão tecnológica

As incubadoras de empresas de base tecnológica desempenham hoje papel fundamental na incorporação de novas tecnologias.Localizadas mais frequentemente nos ambientes acadêmicos e, em menor intensidade em configurações empresariais, as incubadoras constituem espaço favorável à geração de empreendimentos inovadores e eficientes instrumentos de difusão tecnológica.

Nos últimos anos, esse tipo de mecanismo cresceu bastante no Brasil. Em dez anos, o seu total quintuplicou no Brasil, passando de 60 para 359 entre 1997 e 2006, conforme levantamento da revista BNB Conjuntura Econômica (www.bnb.gov.br/etene/publicações/consultar). Isso se explica pela função que a incubadora exerce de estabelecer fluxos para a inserção comercial de novos produtos e serviços gerados com elevado nível de agregação tecnológica.

Para o professor Laércio de Matos Ferreira, doutor em Economia da Indústria e da Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, as ações de constituição e desenvolvimento de incubadoras e parques tecnológicos mostram a crescente confiança nessa modalidade de incentivo ao desenvolvimento econômico e tecnológico, podendo mesmo transformar-se em paradigma para regiões subdesenvolvidas como o Nordeste.

No texto publicado pela revista, ele sugere a intensificação de estudos acerca da estrutura e funcionamento das incubadoras como instrumentos de indução ao desenvolvimento local, bem assim de todo o arcabouço ambiental que concorra para a difusão de novas tecnologias e a consequente sustentação competitiva das empresas de base tecnológica (EBTs).

Matos sugere ainda a necessidade de os processos de incubação terem como elemento norteador a posição relativa que os futuros empreendimentos ocuparão nas dinâmicas econômicas locais, garantindo o fornecimento de insumos e matérias-primas, bem como eficientes canais de distribuição, além de ferramentas de previsão das reações dos consumidores na utilização dos novos produtos.

Desafio do financiamento - O financiamento ás empresas de base tecnológica é um desafio. Os instrumentos hoje disponíveis não garantem, pelo menos individualmente, o apoio à incorporação de novos produtos e serviços, embora já existam algumas iniciativas de apoio aos esforços de difusão tecnológica.

A dificuldade de aporte de recursos costuma esbarrar na natureza e características das chamadas empresas de base tecnológica (EBTs) que, em geral, apresentam altos índices de intangibilidade em seus ativos e altas taxas de risco e, também, de retorno financeiro. Essas características dificultam a definição de políticas apropriadas, exigindo do agente financeiro instrumentos inovadores e compatíveis com a singularidade dos atores que demandam apoio, a exemplo de empresas, universidades, instituições de pesquisa ou projetos cooperativos.

Se de um lado as EBTs têm dificuldade de oferecer garantias reais aos financiamentos, de outro lado podem proporcionar elevados retornos justificando mesmo o aporte de capital de risco. Basta lembrar o caso da Nokia e a revolução que provocou na economia da Finlândia.

“Dado o caráter complexo e sistêmico da inovação ao se pensar em novos instrumentos deve-se considerar as interações das empresas do mesmo processo produtivo e da base empresarial com o sistema local de inovação”, ensina Lércio de Matos, que é doutor em Economia da Indústria e da Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. . “Há necessidade de os instrumentos financeiros serem reformulados e combinados, com vistas à maximização de sua efetividade; ou seja, que o apoio a um determinado nodo do sistema gere mais externalidades positivas do que negativas”, diz ele.

Gráfico 1: Evolução do número de incubadoras no Brasil (1988–2006)

Fonte: Anprotec

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