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Desempenho do comércio no Brasil e no Nordeste

Por José Varela Donato

Pesquisador do BNB-Etene

O comércio varejista brasileiro continua a apresentar resultados positivos. Em maio de 2011, registrou crescimento de 0,6% em relação ao mês anterior; de 6,2% sobre maio de 2010; e de 7,4% e 9,2% nos acumulados de 2011 e dos últimos 12 meses, respectivamente.

A presente análise do desempenho do comércio se baseia no conceito de “volume de vendas” da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2011), representa valores nominais correntes deflacionados por índices de preços específicos para cada grupo de atividades e estado.

Tabela 1 – Variação (%) do Volume de Vendas no Comércio Varejista no Brasil, por Grupo de Atividades – 2011

tabela-volume-de-vendas

De abril para maio de 2011 (séries com ajuste sazonal), sete atividades re-gistraram crescimento em vendas no comércio varejista. Os três grupos com melhores resultados foram equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (11,6%), tecidos, vestuário e calçados (2,5%) e livros, jornais, revistas e papelaria (2,4%). Apresentaram desempenho nulo ou negativo os grupos material de construção (0%), combustíveis e lubrificantes (- 0,6%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (- 4%).

Comparando-se o índice Mês / Mesmo Mês do Ano Anterior, referente a maio de 2011/2010, observa-se que sete grupos de atividades do comércio varejista registraram crescimento, com destaque para veículos, motocicletas, partes e peças (25,9%), móveis e eletrodomésticos (20,4%) e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (14,7%). O segmento de combustíveis e lubrificantes teve resultado negativo (-2,1%). Quanto ao índice acumulado de 2011, todos os grupos de atividades apresentaram resultados positivos, destacando-se móveis e eletrodomésticos (18%), influenciado pela manutenção do crescimento do emprego e do rendimento e pela queda dos preços de aparelhos eletrônicos nos últimos 12 meses (IBGE, 2011).

O comércio varejista ampliado apresentou melhores resultados comparativamente ao comércio varejista, com crescimento nos quatro índices da Tabela 1: 1% de abril para maio, 12,8% no índice Mês / Mesmo Mês Ano Anterior, 9,2% e 10,5% nos índices acumulados de janeiro a maio de 2011 e dos últimos 12 meses, respectiva-mente.

O Gráfico 1 mostra a contribuição de cada grupo de atividades do comércio varejista e do comércio varejista ampliado na formação da taxa global do volume de vendas, no valor acumulado até maio 2011. Quando são considerados todos os grupos do Gráfico 1, ou seja, o comércio varejista ampliado, três grupos de atividades contribuíram com 87,3% para o crescimento do volume de vendas: veículos, motocicletas, partes e peças (65,1%), móveis e eletrodomésticos (17%) e material de construção (5,2%).

Gráfico 1 – Participação Proporcional (%) das Atividades na Formação da Taxa Global do Volume de Vendas do Comércio Varejista no Brasil em 2011 – Valor Acumulado até Maio

Fonte: IBGE. Elaboração: BNB/Etene de Conjuntura Econômica.

Panorama do Comércio no Nordeste

A PMC não consolida o desempenho do comércio varejista por região, mas tão-somente os resultados do comércio varejista ampliado acumulados em 2011. De acordo com o Gráfico 2, apenas três estados nordestinos assinalaram crescimento proporcional-mente superior aos 9,2% obtidos pelo país: Paraíba (15%), Maranhão (13,2%) e Ceará (11,1%). Os demais estados apresentaram, pois, desempenho inferior ao do Brasil, ficando Sergipe na última posição, com inexpressivo 1,7%.

grafico-variacao-acumulada

A PMC fornece as taxas de variação do comércio por grupo de atividades para Bahia, Ceará e Pernambuco (Tabela 2). O Ceará registrou o melhor desempenho proporcional. Os dois grupos de atividades com melhores resultados em cada estado foram: na Bahia, móveis e eletrodomésticos (23,5%) e livros, jornais, revistas e papelaria (15,2%); no Ceará, livros, jornais, revistas e papelaria (43,8%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (19,2%); e, em Pernambuco, móveis e eletrodomésticos (35,9%) e tecidos, vestuário e calçados (14,1%).

Tabela 2 –Variação Acumulada (%) do Volume de Vendas no Comércio Varejista na

Bahia, no Ceará e em Pernambuco – Janeiro a Maio de 2011 (1)

tabela-comercio-varejista

Os resultados obtidos até maio tendem a confirmar as previsões de que o comércio varejista apresentará resultado positivo durante 2011, porém inferior aos 10,9% de 2010. Em âmbito nacional, persistem sinais relativos que apontam para esta direção: crescimento menor do PIB, renda, emprego, crédito e gastos com a máquina estatal; aumento de juros; aumento da inadimplência (SERASA, 2011).

Na região Nordeste, alguns indicadores calculados pelo BNB/Federações do Comércio em sete capitais nordestinas, em julho de 2011, sinalizam para um crescimento mais modesto do comércio em 2011: o índice de confiança do consumidor registrou queda pela segunda vez; e indicadores do perfil de endividamento e de intenção de compra dos consumidores sugerem uma menor propensão para compras no próximo mês (Gráfico 3).

grafico-endividamento

Fonte: BNB/Federações de Comércio. Elaboração: BNB/Etene de Conjuntura Econômica.

Todavia, espera-se que se confirmem condições mais favoráveis ao crescimento do comércio nordestino em 2011, como aumento do PIB, do crédito e de investimentos em infraestrutura.

REFERÊNCIAS

BNB/FEDERAÇÕES DO COMÉRCIO. Perfil de endividamento do consumidor da região Nordeste – julho 2011. Disponível em: . Acesso em: 20 jul. 2011.

BNB/FEDERAÇÕES DO COMÉRCIO. Confiança e intenção de compra do consumidor da região Nordeste – julho 2011. Disponível em: . Acesso em: 20 jul. 2011.

IBGE. Pesquisa mensal de comércio – maio 2011. Disponível em: . Acesso em: 20 jul. 2011.

SERASA. Perspectiva da inadimplência. Disponível em: . Acesso em: 20 jul. 2011.

Para mais detalhes sobre desempenho do comércio em períodos anteriores, acessar a página do BNB-Etene e procurar publicações.

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