Anuncie Aqui

Setor Externo: Balanço regional no 1º semestre

Inez Silvia Batista Castro

Economista. Professora da Universidade Federal do Ceará

Aline Sousa Menezes

Economista. Pesquisadora do BNB-Etene

Entre janeiro e junho de 2011, as exportações nordestinas atingiram US$ 8.459,4 milhões, 9,8% a mais que os valores registrados em igual semestre do ano passado. A soma representa apenas 7,1% do total nacional.

Cinco dos nove estados nordestinos (Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte) tiveram queda nos valores exportados. Por sua vez, Alagoas, Bahia e Sergipe ampliaram em 6,7% sua participação nas exportações regionais, com destaque para a Bahia, responsável por 4,2 pontos desse total. O Maranhão perdeu participação quase que na mesma magnitude do crescimento baiano (-4.1%).

Os Estados Unidos aparecem como principal destino das exportações nordestinas, com 14,5% do total, seguido por Argentina (10,8%), China (7,8%), Rússia (6,7%) e Holanda (5,9%). A participação dos principais capítulos da NCM (nomenclatura comum do Mercosul) exportados pelo conjunto dos estados nordestinos é expressa na Tabela 1, destacando-se o capítulo açúcares e produtos de confeitaria, com participação relativa de 11,8% no total da pauta regional.

Tabela 1. Exportações do Nordeste por Capítulo (NCM) – Janeiro/Junho de 2011.

capitulos-exportacao

Fonte: BRASIL, 2011 a. Elaboração: Equipe BNB/ETENE Conjuntura Econômica.

Panorama das vendas externas por Estado

O comportamento das exportações de cada estado nordestino é relatado a seguir, em ordem alfabética, valendo salientar que a Bahia continua como a economia e o centro exportador mais relevante da região.

Alagoas

As exportações alagoanas cresceram 46,2% no primeiro semestre de 2011 sobre o mesmo período de 2010, totalizando US$ 800,3 milhões. Esse valor corresponde a 82% das vendas externas de todo o ano passado.

O bom desempenho foi liderado pelo capítulo açúcares e produtos de confeitaria, cujo acréscimo de faturamento ficou em torno de 53%. O açúcar de cana, em bruto, respondeu por 85,9% da pauta. Também contribuíram para esse resultado os capítulos bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres e fumo (tabaco) e seus sucedâneos, com avanços de 40,7% e 166%, respectivamente.

A empresa Copertrading mantém-se no ranking como a principal exportadora de Alagoas, detendo 44% do total exportado de janeiro a junho de 2011.

grafico-export

Fonte: BRASIL, 2011a. Elaboração: Equipe BNB/ETENE Conjuntura Econômica

Bahia

A Bahia exportou US$ 4.095,7 milhões no primeiro semestre, cifra 18% maior que a referente a idêntico período de 2010. Oito produtos foram responsáveis por mais de 50% dos valores exportados pelo estado, como indicado na Tabela 2.

Tabela 2. Bahia – Principais Produtos Exportados. Janeiro a Junho de 2011.

produtos-exportadosOs produtos pasta química de madeira não conífera e soda e pasta química de madeira para a dissolução fazem parte do capítulo pastas de madeira ou outras matérias fibrosas, cujas vendas alcançaram US$ 847,3 milhões, aumento de 10,2% no semestre ante os primeiros seis meses de 2010. Segundo as empresas Bahia Sul Celulose e Virasse Celulose S.A, maiores exportadoras do capítulo, China e Estados Unidos foram o destino principal dos produtos.

No caso do cobre, a principal exportadora, a Paranapanema S.A., dona de uma refinaria do produto em Dias D'Ávila (BA), diz que a perspectiva para o setor é auspiciosa. A empresa prevê novos investimentos na Bahia com o objetivo de ampliar em 17% (até 2013) sua capacidade de produção de cobre refinado, atualmente estimada em 240 mil toneladas por ano (CHIARELLI....., 2011).

O complexo da soja, por sua vez, foi favorecido pela crescente demanda da China que gerou a tendência de alta dos preços no mercado internacional. Os chineses anunciaram investimentos da ordem de R$ 4 bilhões na região de Barrreiras, Oeste da Bahia. O projeto inclui o processamento de soja e de fertilizantes, além de um sistema de armazenagem e logística de grãos (OSLO......,2011).

O capitulo veículos automóveis, tratores, ciclos etc. registrou vendas de US$ 259,6 milhões, com expansão de 11,5% comparativamente ao primeiro semestre de 2010. As vendas concentraram-se em países da América Latina como: Argentina, México e Venezuela.

exportacoes-bahia

Ceará

As exportações do Ceará, entre janeiro e junho de 2011, somaram US$ 610,3 milhões, incremento de 2,5% relativamente ao mesmo período do ano anterior. O capítulo calçados, polainas e suas partes (US$ 175,8 milhões) permaneceu como o mais representativo da pauta cearense, embora tenha apresentado declínio de 13,8% nas receitas em virtude da queda da quantidade exportada.

De fato, o setor calçadista nacional enfrenta forte competição tanto no comércio internacional como no mercado interno. Entre janeiro e maio deste ano, já foram extintas 3,4 mil vagas de empregos na indústria calçadista nacional, conforme informações do Ministério do Trabalho/Caged. Ressalte-se que o setor responde por 4,5% dos empregos da indústria de transformação brasileira.

No Ceará, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve uma redução de 11% na produção de calçados e couros nos últimos 12 meses (até maio).

Dados da Abicalçados revelam que o segmento busca a diferenciação do produto para competir no mercado internacional e pressiona as instituições federais no sentido de evitar a triangulação comercial. O mecanismo permite o ingresso de calçados chineses com preços bastante reduzidos para venda no mercado brasileiro.

Outro capítulo que mereceu destaque nas exportações cearenses foi o de frutas, cascas de cítricos e de melões (US$ 124 milhões e declínio de 3,1%) com os seguintes produtos: castanha de caju (US$ 96,7 milhões), melões frescos (US$ 13,8 milhões) e bananas frescas ou secas (US$ 7,6 milhões).

exportacoes-ceara

Maranhão

As vendas externas do Maranhão recuaram 12,2% no primeiro semestre de 2011, relativamente ao mesmo período de 2010. Foram US$ 1.390,9 milhões concentrados na indústria de mineração e no complexo de soja. O capítulo minérios, escórias e cinza (US$ 440,3 milhões) teve queda de 52% no valor exportado, decorrente do declínio do quantum comercializado, já que foi expressivo o aumento do preço do ferro no período da análise.

O capítulo produtos químicos inorgânicos, no qual se destaca a alumina calcinada, obteve expansão de 113,9% nas receitas em consequência do aumento do preço e da quantidade exportada. O de sementes e frutos oleaginosos, grãos, etc. teve incremento de receita de 38,6%, comportamento favorecido pela forte demanda chinesa.

exportacoes-maranhao

Paraíba

As exportações da Paraíba (US$ 87,2 milhões) experimentaram queda de 8,4% no primeiro semestre de 2011. Registraram-se decréscimos em todos os meses, exceto em janeiro, quando se verificou um incremento de 50% frente a janeiro de 2010.

A empresa Alpargatas S.A participou com 46% da pauta paraibana, com destaque para o item calçados de borracha que respondeu por 44% das receitas de exportação no período, com aumento de 12,5%. Açúcar de cana em bruto foi o segundo produto mais exportado (16% da pauta), tendo crescido 104% no período.

O resultado negativo das vendas externas da Paraíba deveu-se aos decréscimos de receita de 30 dos 100 principais produtos da pauta estadual, com destaque para dois grupos: roupas de toucador/cozinha, de tecidos atoalhados de algodão (-85,2%) e partes superiores de calçados e seus componentes (-79,6%), produtos que sofreram as maiores quedas dentre os 25 mais relevantes.

exportacoes-paraiba

Pernambuco

As vendas de Pernambuco totalizaram US$ 466,7 milhões no semestre, 9,9% abaixo do registrado no mesmo período de 2010. A maior parte dos capítulos exportados pelo estado apresentou ganho de preços, comparativamente a 2010, mas em escala insuficiente para compensar a redução das quantidades vendidas.

O setor sucroalcooleiro, que continua liderando as exportações de Pernambuco (US$ 230,7 milhões), foi favorecido pelo crescimento em torno de 22% do preço de seus produtos. Ainda em julho de 2011, os contratos futuros de açúcar registram tendência de alta em virtude do anúncio de que a produção brasileira de cana, em 2011, seria inferior às expectativas.

No médio prazo, são boas as perspectivas do agronegócio da cana-de-açúcar, especialmente quando se considera a expansão potencial do mercado consumidor internacional e da China, em particular. O consumo per capita de açúcar entre os chineses, atualmente de 10 kg/ano, tende a crescer nos próximos anos. Os analistas projetam consumo de até 18 kg/hab./ano, que é média registrada na Índia.

Em Pernambuco, o capítulo plásticos e suas obras, com US$ 55,9 milhões e declínio de 39% na receita, foi o segundo maior em valor exportado. Os preços das resinas subiram no mercado internacional em virtude do aumento da cotação dos insumos à base de petróleo, freando uma queda ainda maior no valor das vendas de plásticos pelo estado.

O desempenho do capítulo máquinas, aparelhos e materiais elétricos, em que se sobressaem os acumuladores elétricos de chumbo (baterias) foi 19% melhor que no primeiro semestre de 2010. Do total de US$ 29,7 milhões exportados, US$ 19,6 milhões foram realizados pela empresa Acumuladores Moura S.A.

exportacoes-pernambuco

Piauí

O Piauí acumulou US$ 49,5 milhões em exportações entre janeiro e junho de 2011, com decréscimo de 14,2% frente ao primeiro semestre de 2010. No período de janeiro a maio último, essa queda foi de 24,3%, somente atenuada pelo avanço de 34% verificado em junho.

As vendas do principal produto de exportação do estado -- as ceras vegetais (42% da pauta), caíram 10%. Já as receitas obtidas com o complexo da soja (segundo item da pauta estadual, com 35%) diminuíram 16,2%.

Em 17 das 40 principais empresas exportadoras do Piauí houve decréscimo de receita exportadora, sendo relevante destacar o caso da Cargill Agrícola S.A (-61,81%) e Foncepi Comercial Exportadora Ltda. (-21,54%).

exportacoes-piaui

Rio Grande do Norte

O Rio Grande do Norte apresentou, no primeiro semestre de 2011, a maior retração nas exportações dentre todos os estados nordestinos. O volume alcançou US$ 105,7 milhões, com redução de 23,2%.

O recuo se deveu à queda nas receitas de 36 dos 100 principais produtos exportados. Dos dez mais importantes da pauta estadual, as maiores variações negativas atingiram os capítulos ceras vegetais (-39%), outros produtos de origem animal (-38,7%) e sal marinho (-30,8%).

As vendas das cinco principais empresas exportadoras do Rio Grande do Norte corresponderam a 44% do total exportado, com destaque para Usibrás (13,36%) e Petrobras Distribuidora S.A (8,89%).

exportacoes-rn

Sergipe

O maior crescimento registrado dentre os estados nordestinos ocorreu em Sergipe: 54,9% frente ao primeiro semestre de 2010. As vendas totalizaram US$ 42,8 milhões, sobressaindo-se as exportações de suco de laranja, principal componente da pauta, com aumento de 27%.

O estado exportou ainda US$ 8,8 milhões em açúcar de cana em bruto ante US$ 3,7 milhões no segundo semestre de 2010. O produto, que não teve presença na pauta de 2009, participou com 21,9% das exportações de Sergipe, sendo a Usina Caeté S.A. a responsável pela totalidade das vendas.

O capítulo calçados, polainas e etc. e suas partes representou 25% das vendas externas, somando US$ 10,7 milhões, dos quais 87% a cargo do grupo Vulcabrás/Azaléia.

exportacoes-paraiba

As Importações Nordestinas

Entre janeiro e junho de 2011, as importações do Nordeste cresceram 33,1%, alcançando US$ 10.340,0 milhões. Desse montante, 16,8% referem-se a bens de capital, 42,5% a bens intermediários, 9,5% a bens de consumo e 31,2% a combustíveis e lubrificantes.

O desempenho do quantum importado mostra um crescimento mais acentuado de bens de consumo e de capitais, comportamento semelhante ao observado na economia nacional.

Quanto à origem das importações do Nordeste, os Estados Unidos (18,5%), a Argentina (9,8%), a China (8%), a Índia (7,3%) e o Chile (5,7%) foram responsáveis por quase metade do total.

REFERÊNCIAS

ABICALÇADOS. IBGE confirma nova queda na produção de calçados. Notícias, 01 jul. 2011. Disponível em: http://www.abicalcados.com.br/noticias_ibge-confirma-nova-queda-na-producao-de-calcados.html. Acesso em: 31 jul. 2011.

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Focus: relatório de mercado, 22 jul. 2011. Disponível em: http://www.bcb.gov.br. Acesso em: 31 jul. 2011.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Aliceweb. Disponível em: http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br. Acesso em: 14 jul. 2011a.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Balança comercial por unidade da federação. Disponível em: http://www.mdic.gov.br. Acesso em: 31 jul. 2011b.

CARRIERI, Marcos. Comércio exterior: decisão da UE prejudica exportação brasileira. Global 21. Disponível em: http://www.global21.com.br/materias/materia.asp?tipo=noticia&cod=33168.

Acesso em: 31 jul. 2011.

CHINA se convertiría en principal destino de azúcar brasileña. Disponível em: http://www.udop.com.br/index.php?item=noticias&cod=1076857. Acesso em: 31 jul. 2011.

CIARELLI, Mônica. Empresas: vale deve voltar as atenções para a Paranapanema. Global 21. Disponível em: http://www.global21.com.br/materias/materia.asp?tipo=noticia&cod=33094. Acesso em: 31 jul. 2011.

EXPORTADORES perdem fatia de mercado no exterior, diz CNI. Disponível em: http://si.knowtec.com/scriptssi/MostraNoticia?idnoticia=34077&origem=secao&nomeCliente=FUNCEX&idcontato=0&data=2011-08-02. Acesso em: 02 ago. 2011.

FUNCEX. Boletim de Comércio Exterior, ano 15, n. 06, jun. 2011. Disponível em: http://www.funcex.com.br. Acesso em: 31 jul. 2011.

IBGE. Produção industrial mensal: produção física regional. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/industria/pimpfregional/pim-pf-regional_201105caderno.pdf. Acesso em: 31 jul. 2011.

OLMOS, Marli. Investimentos: China investe em energia e agricultura. Global 21. Disponível em: http://www.global21.com.br/materias/materia.asp?tipo=noticia&cod=33164. Acesso em: 31 jul. 2011. 

Voltar

 

A agência Prodetec é uma ferramenta voltada para divulgar artigos, estudos e pesquisas
sobre assuntos relacionados com o Nordeste

Imagine Comunicação Digital

Todos os direitos reservados. Reprodução do material permitida mediante citação da fonte.