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BNB, 60 anos encurtando caminhos para o desenvolvimento

Em meio às denúncias sobre irregularidades na aprovação de projetos e liberação de recursos, o Banco do Nordeste recebeu uma boa nova na passagem de seus 60 anos de existência: a notícia de que disporá de recursos da ordem de R$ 4 bilhões para sua capitalização, até 2014, bem assim de mecanismos legais para limpar parte do passivo representado por milhares de contratos de dívidas vencidas, de responsabilidade de pequenos produtores rurais.

Ribamar Mesquita para a AGÊNCIA PRODETEC   ∏∏     Julho. 2012

Há pouco mais de 60 anos – exatamente em 19.jul.1952 – sancionada a Lei 1.649, criava-se o Banco do Nordeste do Brasil. Organismo sem similar nacional, com flexibilidade para operar simultaneamente como banco de investimento e de fomento, e banco comercial, confiava-se ao BNB a missão de promover, planejada e sistematicamente, o desenvolvimento do Nordeste brasileiro.
Somando-se ao DNOCS e CHESF, que o antecederam, e mais tarde à Sudene, nascia o Banco do Nordeste como um efetivo parceiro das transformações que ocorreriam na região, surgindo ele próprio como fruto da mudança de ideias, com uma mova compreensão da realidade nordestina.
Nas palavras do então ministro da Fazenda, Horacio Láfer, um dos expoentes dessa nova forma de pensamento, "o combate às secas, através de grandes obras de engenharia, como as projetadas ou as de emergência, será sempre improfícuo, se não for acompanhada de elementos capazes de fortalecer a economia regional, mediante o amparo a suas atividades econômicas".
De tão nobre origens talvez derive o espírito inovador e a capacidade de trabalho que caracterizaram o BNB e transformando mesmo em instituição modelar no decorrer de muitos anos, e no maior banco de fomento regional da América Latina, hoje, com ativos da ordem de R$ 70 bilhões.
Conquanto possa o BNB regozijar-se de realizações significativas em prol do Nordeste – e elas são muitas -- seu corpo funcional tem consciência de que há muito por ser feito, ainda, e de que, se longo foi o caminho palmilhado até aqui, maior e espinhosa é a trilha a percorrer, com a ajuda de todos, com o trabalho de cada um.
Ao longo dos tempos, o trinômio esforço/tenacidade/ confiança há forjado o amor e a luta do nordestino pela sua terra, muitas vezes enfrentando percalços variados e a própria natureza hostil. Representativo dessa visão de sua gente, o BNB, nessas seis décadas, acompanha e participa de significativos progressos na busca da integração do Nordeste à economia nacional.
Força é reconhecer as limitações encontradas, algumas vencidas, outras a merecer atenção, trabalho e correção dos desvios. É imprescindível, porém, firmar o rumo, transpor os obstáculos e vencer os desafios na busca do desenvolvimento da região, sabendo que se nesse desiderato a instituição já emprestou muito de seu esforço, maior parcela ainda lhe deverá ser consagrada.
Não é tempo apenas de relembrar as vitórias conquistadas ao ensejo desses 60 anos de existência, mas contender de maneira obstinada pelas realizações e objetivos a alcançar.

Origens e realizações do BNB

Visitando o Nordeste em 1951 para observar os efeitos da seca que se abatia sobre a região, o então ministro da Fazenda, Horácio Láfer apreendeu que o problema do subdesenvolvimento nordestino era de natureza estrutural, agravando-se naturalmente, nos anos de crise climática.
Para resolvê-lo, era preciso adotar medidas de caráter duradouro, capazes de transformar a Região, fortalecendo a economia e favorecendo sua auto-sustentação.
Essa compreensão era compartilhada pelos técnicos da Assessoria Econômica do Governo Getúlio Vargas, coordenada pelo brilhante economista baiano Rômulo Barreto de Almeida, que, posteriormente, chefiaria a Comissão Incorporadora do Banco do Nordeste, tornando-se, ainda, seu primeiro presidente.
Nova era - A exposição de motivos de Horácio Láfer foi o elemento acionador dos estudos e debates que culminaram com a criação do Banco do Nordeste, em 19 de julho de 1952. Com a providência, iniciou-se uma nova fase da política governamental para o Nordeste -- depois consolidada com a criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em 1959, e dos incentivos fiscais, em 1962 -- segundo a qual os problemas nordestinos derivavam não apenas da seca, mas da própria estrutura econômica regional.
Essa fase foi chamada de "nova era" pelo economista norte-americano Stefan Robock, que acompanhou a implantação do Banco como consultor das Nações Unidas. Segundo ele, "a criação de um banco regional de desenvolvimento foi o marco inicial da aceitação, por parte do Governo, da solução econômica como política federal para o Nordeste".
Dentro dessa nova orientação, o Banco do Nordeste encontrou um vasto campo para atuar, crescendo com a região e alcançando hoje posição de destaque entre os dez maiores bancos do País. Mas, para lá do crédito, marca a história do Banco nesses 60 anos sua interação com a comunidade regional e o seu papel como escola de formação de quadros, de capacitação tecnológica e de assistência técnica ao setor privado da região. "Quando entrei no Banco, no Nordeste todo não tinha um único mestre em economia, um único curso de pós-graduação", lembra um dos pioneiros do BNB-Etene, o economista Pedro Sisnando Leite, professor aposentado da Universidade Federal do Ceará e ex-secretário de Agricultura do Estado.
Agente de mudanças - Em seus 60 anos de convívio diário com os problemas e a realidade nordestina, o Banco do Nordeste aprendeu a vencer desafios e a adaptar-se rapidamente aos novos tempos, sem perder as características de pioneirismo em muitas das ações voltadas para o desenvolvimento regional.
Com uma ação diferenciada em relação ao sistema bancário brasileiro, centrada em focos específicos que iam muito além da simples concessão do crédito, o BNB teve participação decisiva, nas últimas seis décadas, nas transformações ocorridas na região, hoje com cerca de 53 milhões de habitantes.
Ao longo desse período, o Nordeste mudou de forma significativa, sendo hoje a quarta maior economia da América Latina, após Brasil, México e Argentina. A região experimentou uma urbanização acelerada, o início do processo de industrialização e a diversificação de sua estrutura econômica - tendo elevado sua renda per capita de US$ 305, em l950, para US$ 2.770, em l997 e /US$ 5,3 mil em 2010.
A infraestrutura produtiva regional modernizou-se e a agricultura, base econômica do passado, perdeu terreno para a indústria e os serviços na composição do PIB (cerca de R$ 518 bilhões na estimativa para 2011), registrando elevadas taxas de expansão.
A infraestrutura física e social foi ampliada, vultosos investimentos realizados em estradas, energia elétrica, telecomunicações, turismo e irrigação. Sempre com o apoio e a participação do Banco do Nordeste, que teve grande papel no crescimento regional, devido ao seu trabalho como ferramenta de fomento.
Conquanto ainda perdurem grandes diferenças econômicas e sociais, a região galgou novos patamares de crescimento, mostrando que é capaz de enfrentar os novos desafios, e que longe de ser problema, o Nordeste é solução.

MUDANÇAS NA ECONOMIA

Nos últimos 60 anos, o Nordeste mudou muito, cresceu em termos econômicos até mais do que o restante do País, embora seja ainda grande a distância que a separa das áreas mais desenvolvidas. De seus 58 milhões de habitantes 80% vivem hoje nas cidades, concentrando-se, sobretudo nas regiões metropolitanas.
Se a estrutura produtiva alcançou outros patamares e o PIB multiplicou-se, registrando leves melhorias quando se comparam os indicadores socioeconômicos nordestinas com os do Sudeste do País, persistem ainda as disparidades. De fato, a convergência da renda per capita Brasil-Nordeste requer tempo e muitos investimentos. A estimativa é de que levaria 44,4 anos se mantido o nível de expansão do PIB regional em um ponto acima do PIB do país como um todo.
Um estudo realizado pelo Etene, a unidade de estudos econômicos do BNB, mostra que essa convergência será menos demorada quanto maior for o crescimento e a variação entre os PIBs regional e nacional. Por exemplo: com uma variação de dois pontos percentuais pró-Nordeste o tempo cai para 23 anos e no caso de três pontos a renda per capita de brasileiros e nordestinos se igualaria em 16 anos.

Nova História - Com o advento da Constituição de 1988, que delegou ao Banco do Nordeste a administração do FNE - um fundo especial constituído por 1,8 % da arrecadação do IPI e Imposto de Renda – o Banco inaugurou nova fase em sua história, de fortalecimento institucional e financeiro, voltada pare a modernidade e renovação, maior eficiência e produtividade com o compromisso de aperfeiçoar novos métodos de trabalho, visando maior agilidade operacional e competitividade.
Isso levou seus dirigentes e funcionários a definir novas funções do Banco como agência de desenvolvimento, orientando-o a dinamizar as ações direcionadas para aumentar os ganhos à sociedade e melhorar as bases do crescimento regional.
Até chegar aí, entretanto, a instituição pavimentou uma longa trilha. Na fase inicial de pioneirismo e implantação, com os presidentes Rômulo de Almeida e Costa Porto, passando pela consolidação e modernização administrativa, com Raul Barbosa, Rubens Costa e Hilberto Silva; à fase de fortalecimento como órgão de fomento e ampliação da rede de agências, com Nílson Holanda e Camilo Calazans; sem esquecer o período de fortalecimento institucional-financeiro, via conquista do FNE, com José Pereira e Silva e Jorge Lins Freire, e, finalmente, uma fase de transição e de crescimento operacional com João Melo, Byron Queiroz e Roberto Smith.
Pionerismo - A ação do Banco do Nordeste tem sido marcada por um nítido sentido de pioneirismo, mercê dos procedimentos inovadores que adotou, tanto no campo de financiamentos de projetos e atividades econômicas em geral, como nos estudos econômicos, pesquisas e serviços complementares em apoio ao desenvolvimento da Região.

ETENE:APOIO AOS ESTUDOS E PESQUISAS

O Banco do Nordeste desenvolve, paralelamente à sua ação financeira, atividades associadas à pesquisa econômica e à investigação científica e tecnológica de interesse regional. Esses estudos objetivam um maior conhecimento da realidade nordestina, com vistas a orientar a ação do Banco e emprestar subsídios a empresários e órgãos governamentais que atuam no Nordeste.
Assim, e em atendimento à própria Lei que o criou, mantém o Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE), que tem oferecido à Região valiosíssima contribuição, através de estudos, pesquisas e levantamento econômicos e sociais, representando sua produção de trabalhos técnicos um dos acervos mais importantes para o desenvolvimento regional.
Para incrementar a colaboração técnico-financeira a projetos de pesquisas tecnológicas, notadamente as que tratam do setor rural e industrial, o Banco do Nordeste criou,em 1971, o Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNDECI), que já apoiou até hoje cerca de 2,2 mil projetos.

O Banco nasceu pequeno e modesto, centrado em dois pilares: o modelo diferente, de características peculiares no sistema bancário brasileiro, e a preocupação permanente com o binômio conhecimento/investimento em recursos humanos.
Sem o Banco do Nordeste, a Região certamente não poderia exibir à Nação, hoje, uma situação muito diferente daquela que existia no final de cinquenta. Por isso, quando alguns procuram negar a eficácia dos mecanismos de apoio ao desenvolvimento regional, cumpre ressaltar o papel desempenhado pelo Banco na mudança do perfil econômico desta parte do País.
Não se pode desconhecer, no entanto, que as interrupções no âmbito do planejamento regional e o fluxo irregular de recursos para a região prejudicaram e ainda prejudicam o resgate das áreas mais pobres e comprometeram a atividade do BNB como agência de desenvolvimento, para o que foi criado, constituído e impulsionado.
Ação Financiadora - Ao longo de seus 60 anos, os resultados operacionais obtidos mostram que a instituição não é onerosa à União. Nesse intervalo de sua existência, apresentou prejuízo uma única vez após o exercício de instalação (1954). Pelo contrário, tem sempre pago dividendos e recolhido Imposto de Renda, além de jamais ter recorrido ao Banco Central em busca das linhas de assistência de liquidez. Sua participação no sistema bancário regional permanece expressiva, evoluindo de 1,2% em 1954, ano do início de suas operações, para 69,3%, em 2011.

MAIOR AGÊNCIA DE FOMENTO LATINO-AMERICANA

Nos anos mais recentes, a partir da operacionalização do FNE, em 1989, o Banco do Nordeste intensificou o fluxo de recursos para o setor produtivo regional. Estima-se em mais de R$ 100 bilhões as inversões realizadas no Nordeste nesse período, beneficiando os setores rural (R$ 47 bilhões, industrial (R$ 24,5 bilhões), comércio e serviços (R$ 14 bilhões), infraestrutura (11,2 bilhões) e a agroindústria (3,3 bilhões). No ano passado, o BNB injetou R$ 21 bilhões na economia regional.
Nos dez últimos anos foram contratadas cerca de 3,5 milhões de operações, totalizando R$ 72,3 bilhões. Em que pese, a expressividade das cifras o FNE já não atende às necessidades de financiamento da região, cuja economia demanda crédito em volumes superiores aos disponibilizados pelo fundo. Essa situação leva a cobranças pela volta de políticas específicas de desenvolvimento regional, como a feita pelo superintendente da Sudene durante a sessão comemorativa dos 60 anos do BNB, em Fortaleza, dia 19 de julho. Para Paes Landim, ex-deputado federal piauiense, esses fundos, os incentivos fiscais e os programas de financiamento são relevantes para o Nordeste, são meios de ação e não um fim em si mesmo.
Segundo ele, tais mecanismos terão que ter "a norteá-los um projeto de desenvolvimento regional, um projeto de Estado que extrapole os limites de um governo, de interesse e expressão nacional. Em outras palavras, o Nordeste precisa se constituir em um objetivo nacional permanente. Ou o Nordeste se une em torno de ideias generosas de que são expressão o BNB e a Sudene, ou perderemos o bonde da história", enfatiza Landim.
Para outro convidado do evento, o economista Luciano Coutinho, presidente do BNDES, a grande gama de investimentos realizados e em andamento no Nordeste, que vão permitir variados desdobramentos -- inclusive com novos inversões em logística a serem anunciadas pela presidente Dilma -- deve levar a região a pensar à frente e a refletir sobre o futuro.
Segundo ele, é preciso pensar o desenvolvimento do Nordeste nas próximas décadas, "tomar o impulso transformador e preparar uma estratégia que consolide de maneira definitiva essa grande transformação econômica da região".
Múltiplas funções - Hoje, o Banco do Nordeste é uma das locomotivas do desenvolvimento nordestino, sendo o maior banco regional de fomento da América Latina com ativos globais de R$ 70 bilhões.
Como agente do Governo Federal para a execução de sua política de desenvolvimento do Nordeste, o BNB tem múltiplas e amplas atribuições. Concede empréstimos a curto, médio e longo prazos. Financia projetos rurais, industriais e de infraestrutura. Apoia o setor agropecuário e as empresas industriais, sobretudo as de pequeno e médio portes. Fortalece a infraestrutura regional, realiza pesquisas econômicas para aprofundar seus conhecimentos da realidade local, executa programas de capacitação e treinamento, colabora na promoção de exportações do Nordeste e estimula a expansão dos investimentos.
Onde quer que exista um projeto, uma iniciativa, até mesmo uma simples ideia suscetível de contribuir para o desenvolvimento do Nordeste, aí procura o Banco estar presente. De Recife, Salvador e Fortaleza, principais centros regionais, às pequenas comunidades perdidas nos sertões mais longínquos.
De Açailândia, na pré-Amazônia maranhense, ao Norte do Espírito Santo, hoje, o limite legal de sua área de atuação, são 184 agências nas quais 5,5 mil colaboradores trabalham com denodo para o progresso da gente nordestina, o que começa a se transformar em realidade, pois nos últimos anos o Nordeste apresentou elevadas taxas de crescimento.
Com a criação das agências itinerantes e dos agentes de desenvolvimento, o Banco está presente em praticamente todos os municípios do Nordeste, Norte de Minas Gerais, Vale do Jequitinhonha e Norte do Espírito Santo. O mapa de atendimento deve se ampliar nos próximos dois anos com a instalação de 108 novas agências, das quais 25 ainda este ano.
Semiárido - A partir de 1988, quando foi criado o FNE, o Banco estabelece uma ação específica para o semiárido nordestino, vasta área da região onde vivem cerca de 25 milhões de pessoas, através de programas adequados ao ecossistema local.
Correndo riscos maiores que os bancos privados - até porque estes buscam sempre as praças mais sustentáveis, - o Banco procurou superar as dificuldades para fomentar a economia dessa vasta parte do Nordeste. Dificuldades como as de atuar na área mais pobre do País, o que não impede de marcar presença no sistema bancário nacional, seja pelo volume de empréstimos, seja pelo seu desempenho no crédito rural.
Indústria e desenvolvimento urbano - Toda a base e próprio parque industrial nordestino foram instalados com o apoio do Banco do Nordeste. Em 1952, quando o Banco foi fundado, o próprio País engatinhava em termos de produção industrial. O Banco nasceu apoiando esse grande desafio, o desafio da infraestrutura, da criação da indústria, não só de base, mas de outros segmentos, o que foi possível financiando a implantação, expansão, relocalização ou modernização de projetos considerados de importância para o desenvolvimento da região, com destaque para aqueles de caráter estruturante, a exemplo das hidrelétricas da CHESF.
Além disso, o Banco do Nordeste apoiou a implantação de projetos de infraestrutura urbana nas grandes cidades e a execução de programas de melhoria dos serviços básicos em pequenas comunidades, contemplando obras viárias, de eletrificação, saneamento básico, telecomunicações, urbanização, construção de matadouros, centros administrativos, limpeza pública e outros serviços destinados a melhorar as condições de vida no meio urbano.
A chegada de novas indústrias mudou o perfil da economia nordestina, diversificando a pauta de exportação e elevando os níveis de empregos. Hoje, a região se prepara para um salto muito relevante no setor com empreendimentos estruturantes (refinarias, siderúrgicas, polos petroquímico, eólicos, navais e automobilístico) e o fortalecimento da infraestrutura logística (ferrovias, portos, aeroportos etc).
Apoio ao setor rural – A ênfase dada pelo Banco do Nordeste ao crédito rural, que propicia à economia regional maior e mais rápida resposta em termos de benefícios sociais e econômicos, coloca hoje a instituição como o segundo maior banco rural do País. Grande responsável pelas transformações estruturais introduzidas no setor, especialmente com relação à difusão de inovações tecnológicas, o Banco centraliza esforços no sentido de elevar a produtividade e garantir maior estabilidade à produção agropecuária.
Em 2011, as aplicações do Banco do Nordeste no setor primário alcançaram R$ 4,6 bilhões, com crescimento de 13,6% sobre os R$ 4,1 bilhões de Dez/2010, o que reflete a prioridade do governo ao setor primário regional, sobretudo aos pequenos e miniprodutores, suas cooperativas e associações que têm no Banco o suporte necessário para seu fortalecimento e modernização. No primeiro semestre deste ano, o BNB contratou mais de 190 mil operações rurais no montante de R$ 2,2 bilhões.
Essa perfomance garante ao Banco do Nordeste a liderança no ranking da Federação Brasileira das Associações de Bancos - Febraban, em termos de crédito rural, em que pese atuar na região mais pobre do Brasil e ter uma rede de agências reduzida. Numa relação de 34 membros, excluído o Banco do Brasil, o BNB coloca-se em primeiro lugar em saldo de empréstimos ao setor rural.
Em termos regionais, os dados do Sisbacen mostram que a participação média do Banco do Nordeste no sistema de crédito rural da região cravou 71,5, em out./11, embora sua rede operacional represente menos de 10% do total.

Programas especiais - Complementarmente, o BNB desempenha atividades de pesquisa, promoção, fomento e assistência técnica, que não são estritamente bancárias, mas formam um extenso conjunto de atribuições, capaz de assegurar à Instituição flexibilidade e amplitude de ação voltada para o desenvolvimento regional.
Outro destaque na atuação do BNB no Nordeste diz respeito aos programas especiais. No caso do turismo, por exemplo, a experiência do Banco como estruturador e executor do Prodetur, iniciado em 1992, acabou replicada como modelo para todo o Brasil. Entre 1995 e 2005, a primeira etapa do programa garantiu inversões da ordem de US$ 643 milhões no setor turístico regional, na execução de 264 diferentes projetos, desde a construção e ampliação dos principais aeroportos do Nordeste, até a melhoria da infraesturura urbana e de saneamento das praias, além da construção de estradas, proteção ambiental e recuperação do patrimônio histórico.
Na segunda fase do Prodetur, os investimentos totalizaram US$ 411 milhões, servindo para consolidar os projetos da primeira fase e avançar em outros segmentos não cobertos anteriormente. O resultado do programa pode ser visto no crescimento do fluxo de visitantes para o Nordeste, na maior cobertura dos sistemas de abastecimento de água e esgotos dos polos turísticos regionais, menos poluição e melhoria nos acessos às atrações.
No âmbito da agricultura familiar, o Banco do Nordeste hoje é o segundo maior agente financeiro do país, tendo contratado quase 4 milhões de operações nos últimos dez anos, totalizando recursos da ordem de R$ 9,5 bilhões. Vale salientar que na agricultura familiar, o BNB empenhou-se em vencer o desafio de trabalhar a qualificação do crédito para esse segmento, o que implicou a execução de medidas variadas para a melhoria da operacionalização. Entre elas, a criação de equipes itinerantes para elaborar plano de ação, juntamente com os parceiros, nos municípios com grande concentração de demanda por financiamentos e prestar informações aos agricultores familiares, assegurando-lhes, ainda, meios para que as tecnologias adaptáveis ao setor cheguem até a propriedade.
AÇÕES PIONEIRAS DO BNB

O Banco do Nordeste já colocou e ainda põe em prática ações pioneiras que sinalizam o sucesso de sua trajetória na busca de soluções efetivas para os problemas regionais. O crédito rural supervisionado, introduzido em 1954, a difusão de técnicas de elaboração e avaliação de projetos, o financiamento de projetos de serviços básicos e desenvolvimento urbano e a assistência a pequenas e médias indústrias constituem iniciativas que, além de anteciparam, em muitos anos, programas similares hoje executados a nível nacional, contribuíram para a mudança da mentalidade empresarial, evidenciando o caráter inovador das muitas e diferenciadas atribuições do Banco do Nordeste.
Formação de liderança e de técnicos - Com assessoria de especialistas americanos, o Banco recrutou e formou equipe pioneira de alto nível, comprometida com os desafios da Região, numa política que se estenderia a universidades e outras instituições e governos. Ao longo de sua história, o Banco torna-se celeiro de técnicos e administradores que assumem postos de relevo na vida pública do País em âmbito federal, estadual e municipal.
Internet - Foi o primeiro banco público do País a colocar suas informações disponíveis na Internet, no início de 1994.

O GRANDE BANCO DOS PEQUENOS

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No primeiro semestre deste ano, as operações de pequeno porte do BNB absorveram cerca de 60% das contratações, totalizando recursos no montante de R$ 2,3 bilhões. A política do Banco dirigida ao segmento alcança tanto os centros urbanos como o campo, contribuindo para a modernização e o fortalecimento dos negócios.
Diretamente ou por intermédio de entidades de produtores, o crédito é aplicado de forma orientada, com vistas a elevar a produção e níveis de produtividade do segmento. Promove, assim, a melhoria de renda e bem-estar dos que trabalham e geram riquezas no setor primário da economia regional.
Essa prioridade aos pequenos negócios sem, entretanto segregar os grandes projetos, remonta às origens do Banco quando casava crédito e assistência técnica, além de orientação gerencial prestada por profissionais de seus quadros e de instituições parceiras.
Dentre os programas destinados a beneficiar os pequenos produtores, a ênfase é dada às operações voltadas para a melhoria da infraestrutura nas propriedades rurais do semiárido, tornando-as mais resistentes às estiagens prolongadas; às que visam ao desenvolvimento rural integrado em áreas prioritárias, e às que objetivam contribuir para a redução da pobreza no semiárido rural, mediante o fortalecimento da capacidade produtiva de seus miniprodutores e pequenos produtores.
A atuação do Banco do Nordeste tornou-se marcante também na execução de outros programas, garantindo o aproveitamento de matérias-primas produzidas na região, a maior oferta de alimentos básicos e melhor infraestrutura hídrica às propriedades rurais.
A assistência do Banco do Nordeste também se faz presente nos projetos de irrigação, nos núcleos de assentamentos da reforma agrária e na modernização das empresas rurais, seja diretamente, seja através do associativismo.

DEMOCRATIZAÇÃO DO CRÉDITO COM INCLUSÃO SOCIAL

Lançado há 15 anos, a experiência do BNB em microfinanças virou sucesso e referência no Brasil, sendo objeto de estudos acadêmicos e reprodução dentro e fora do país. O modelo do Crediamigo hoje é conhecido em todo o mundo e premiado pela sua metodologia e sistema operacional. O programa e seu filhote mais tenro, o agroamigo, inspiraram inclusive o Programa Nacional de Microcrédito (Crescer) d governo federal, lançado em agosto do ano passado. Hoje, o Crediamigo é o segundo maior programa do gênero na America Latina, com desembolsos da ordem de R$ 13,1 bilhões em 11,4 milhões de operações distribuídas em 1.916 municípios. O programa tem mais de 1,2 milhão de clientes ativos e uma taxa de inadimplência de 0,8% na posição de junho último. Conforme estudo da Fundação Getúlio Vargas, coordenado pelo economista Marcelo Neri, 60% do público atendido pelo Crediamigo saiu da linha de pobreza, 35% melhoraram seus rendimentos e 15% aumentaram o seu consumo.No caso do agroamigo, a versão rural do programa pioneiro, em pouco mais de cinco anos, já se tornou vitorioso, arrebatando prêmios e servindo de modelo para outros países. Beneficia, em especial, aqueles produtores que não atingidos pelos mecanismos formais de crédito. Atualmente, abrange 1.945 municípios do Nordeste e norte de Minas Gerais, tendo uma carteira de 756 mil clientes. Desde o seu lançamento, os desembolsos do agroamigo somaram R$ 2,9 bilhões em 1,6 milhão de operações.

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