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A EXTRAÇÃO DO JABORANDI POR CAMPONESES E AS PLANTAÇÕES ORGANIZADAS PELA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

O trabalho analisa a atividade extrativista do jaborandi (uma planta medicinal) conduzida por camponeses e indígenas há mais de meio século no Maranhão, e a forma de organização da produção feita pela indústria farmacêutica.'Mostra a importância que tem (teve) a produção familiar na oferta do produto é os problemas que surgem com a devastação do meio ambiente.-e da entrada de uma grande empresa na produção. A açao governamental (entre 70/80) direcionada a atividades predatórias do habitat do jaborandi (pecuária de corte, extraçao de madeira e produção de carvão) qualifica-se como maior responsável, pela desarticulaçao da atividade no Estado. Somado a uma inexistência de uma política pública para estes camponeses torna sua situação hoje ainda mais dramática.

I – INTRODUÇÃO
O Jaborandi é uma planta medicinal há muito conhecida do indígena pelo nome de Ka e pelos seus efeitos sudoríferos naqueles que a utilizam como remédio. Ela é originária da América do Sul sendo que no Maranhão ela se reproduz com facilidade em quase todas regiões do estado. Pesquisas realizadas por cientista da multinacional de medicamentos - Merck, identificaram 7 (sete) espécies e 66 (sessenta e seis) variedades dessa planta. E a espécie "pilocarpus pínnaíifolíus", conhecida por jaborandi do norte que se caracteriza por ter folhas estreitas e alongadas, o tipo ideal para o cultivo em larga escala que essa empresa farmacêutica escolheu para implementar seu projeto no município maranhense de Barra do Corda no inicio dos anos de 1990.
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¹Economista. Professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
²"• - O tupy Yaborandi é que origina o nome em português jaborandi. Nome comum a numerosas plantas reunidas nas famílias das rutáceas e das peperáceas, sobresaindo a "Rutácea Pílocarpus Pinnaüfolius". O principio atívo pilocarpina é um líquido oleoso do qual se pode obter cristais salinos. Enciclopédia Mirador, Vol. 12, p.6396.
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Das folhas dessa planta medicinal são extraídas importantes drogas farmacêuticas sendo a mais cobiçada os sais de pilocarpina, principal componente para o tratamento do glaucoma. Os produtos considerados nobre do mesmo são os colírios oftamológicos. A industria de cosméticos, entretanto, cada dia mais se interessa também pela planta.

O interesse económico pelo jaborandi no Maranhão só se manifestou rio inicio dos anos 50 (cinquenta), A partir daí esse produto ganhou importância principalmente na área Norte/Leste do Estado, que passa a ofertar significativas quantidades aos inúmeros compradores do produto que vinham de Parnaíba/PI, Neste período toda extração da folha era realizada pêlos pequenos produtores extrativistas. Isso perdurara até os anos oitenta quando outras áreas de produção se incorporam ao processo (Centro/Oeste) e outros agentes sociais como os guajajaras, indígenas dos vales do Mearim e Pindare. passam a ser também fornecedores do produto. Mas é nos anos 90 (noventa) que este quadro da atividade extraíivista se transformará radicalmente como a entrada na produção da folha em larga escala da empresa capitalista Merck.

Durante um longo período os grandes compradores de Alto Munim e Baixo Pamaíba e agentes das empresas exportadoras em particular das de Pamaíba- Estado do Piauí, não tiveram problemas de oferta em quantidade e qualidade, dado a existência de imensas áreas intocadas onde o jaborandi é coletado e repassado a estes intermediários dos exportadores. Em Parnaíba os principais eram; Pedro Machado, Roland e Marc Jaboc. e a empresa Vegetex entre outros. Em São LUÍS se encontrava o mais importante de toda a Merck, que enviava a produção comprada à Parnaiba, para dai ser exportada para a Alemanha via o porto de Tutóia no Maranhão.

Já na década de oitenta essa competição entre as empresas exportadoras (PI/MA/PA) quase desaparece e a oferta do produto também sofre queda por conta do processo de devastação executado ao longo das décadas passadas nas principais áreas de jaborandi. A principal causa da redução da oferta foi a destruição de matas onde havia reserva de produto para fins diversos e sobretudo pelo corte das plantas mães realizado por produtores extrativistas na época de safra, já que não recebiam nenhuma orientação dos setores, que deveriam orientá-los: governo e empresas. Nesta década de 80 outras regiões do estado do Maranhão (Centro/Oeste) e outros Estados (Pará) passam também ser importante fortes fornecedores dessa matéria-prima.

Durante quarenta anos aproximadamente (1950-90) toda a oferta deste produto nativo Jaborandi, provinha única e exclusivamente de áreas de agricultura camponesa. Os pequenos produtores familiares executavam esta atividade associada a outras, quais sejam: (produção de alimentos básicos e a cólera do babaçu), a sua principal fonte de renda e portanto de reprodução de sua força de trabalho A industria farmacêutica só consegue produzir e em escala comerciai nos inicio dos anos noventa. Os experimentos no sentido de dominar toda a tecnologia do processo de reprodução em grande escala, já vinham ocorrendo desde os anos 70. Primeiro no sitio Aguahin, na Ilha de São Luis, depois em 1981 em Santa Luzia na fazenda Faisa. (ANDRADE, 1994, 192) Essa guinada do capital industriai rumo ao campo, aliada a um quadro de destruição do habitat natural do Jaborandi aumenta a situação de precariedade dos trabalhadores do agroextrativismo do jaborandi e das dificuldades hoje enfrentadas pêlos segmentos do capita! comercial antes hegemónico nessa região.

Conforme ver-se-à posteriormente o novo cenário se mostra bem diferenciado daquele prevalecente no inicio deste processo. Na década de 50 os camponeses desempenhavam um papel fundamental na oferta do produto. Com a entrada do capita! industrial na área de produção, assiste-se a uma transformação radica! no setor extrativista do Maranhão. Parte da oferta de matéria prima vem atualmente da própria industria que a produz em moldes capitalista e em grande escala, embora ainda insuficiente para seu auto-abastecimento. Neste sentido a empresa continua demandando uma grande parcela importante do produto dos Camponeses, principalmente porque a qualidade dojaborandi coletado por eles é superior à daquele produzido pela empresa.

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